Primeiros Socorros

15/02/2016 05:00 - Atualizado em 04/12/2016 12:52

Aprenda a evitar acidentes com escalpelamento

Acidentes ocorrem quando os cabelos se enrolam nos eixos de motores em funcionamento.

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Redação

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Acidente que arranca o couro cabeludo de forma brusca, o escalpelamento tem, nas populações ribeirinhas, a maior parte de suas vítimas. Quando não são cobertos corretamente,  os motores das pequenas embarcações se tornam vilões para quem depende desse tipo de transporte. A prevenção é a aposta da Marinha do Brasil.

Esse tipo de acidente acontece a partir do contato entre os cabelos de uma pessoa e os eixos de um motor em funcionamento. A alta velocidade de rotação da máquina faz com que os fios se enrolem e sejam puxados com força e abruptamente. Essa intensidade arranca o couro cabeludo e pode afetar orelhas, sobrancelhas e até parte do pescoço.

escalpelamento - ribeirinhos em barco

As vítimas do escalpelamento

Quanto maior a frequência de exposição aos fatores de risco, maiores as chances de que uma pessoa sofra o acidente. É por isso que as populações que vivem à margem dos rios e dependem das pequenas embarcações são as mais afetadas pelo escalpelamento.

Somente na região da Amazônia Oriental - formada pelos estados de Amapá, Tocantins, Maranhão, Pará e Mato Grosso -, são 435 casos registrados pela Capitania dos Portos.

Considerando a Amazônia Ocidental, somente no estado do Amazonas já foram registrados mais de 400 casos, segundo a Associação de Mulheres Ribeirinhas e Vítimas de Escalpelamento da Amazônia. A população feminina é a que mais sofre. Segundo a Capitania dos Portos, 80% das vítimas são mulheres, em função dos cabelos longos.

Na divisão por idades, o público infantil é o principal atingido: 65% das vítimas de escalpelamento são crianças. Os adultos em faixa produtiva representam 30% do número total de afetados. Os idosos compõem apenas 5% do grupo. As consequências desse tipo de acidente são graves, chegando a resultar em morte nas situações mais complicadas.

A Marinha realiza um trabalho de prevenção em todo o país, principalmente com as populações ribeirinhas, redobrando o cuidado no restante do território durante o período de verão, em que o uso de barcos e lanchas é mais frequente. Além da atenção dos viajantes das embarcações, a cobertura dos eixos é o principal modo de prevenir o acidente. A Marinha oferece a cobertura de forma gratuita.

Como agir em caso de escalpelamento

Os casos que não são fatais podem receber tratamento para reparação dos danos. Conforme os dados da Marinha do Brasil, o processo dura cerca de dez anos. O crânio precisa ser coberto novamente por pele. Essa cobertura é feita, geralmente, por meio de enxertos, que são retirados de outras partes do corpo.

A pele que reveste o couro cabeludo costuma ser retirada das pernas, mas a cobertura total só consegue ser feita se os efeitos do escalpelamento não forem muito extensos. As situações em que orelhas e pescoço são muito danificados não conseguem ter reparo completo. Ainda assim, o resultado final é mais válido que o inicial.

Consequências como alopecia, ausência de cabelo em partes do couro cabeludo, perda do pavilhão auricular, retração de pálpebras e cegueira são comuns nas vítimas do acidente. Porém, os traumas psicológicos são os principais. O preconceito com as pessoas que perdem o couro cabeludo é bastante comum e incitou o surgimento de entidades de apoio.

Para evitar que as vítimas do acidente sofram tanta discriminação, os grupos de apoio confeccionam perucas com cabelos doados por voluntários. Se você quiser ajudá-los, é possível procurar a entidade mais próxima da sua cidade ou a ORVAM, ONG dos Ribeirinhos Vítimas de Acidente de Motor, que atua em todo o Brasil.

Você já tinha ouvido falar nesse tipo de acidente? Conte para nós. E aproveite para conferir outras dicas de saúde aqui no Vivo Mais Saudável.

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