Mulher

29/05/2015 12:15 - Atualizado em 14/10/2016 12:42

Violência obstétrica é assunto que assusta gestantes

Agressões verbais e procedimentos desnecessários são alguns dos abusos que 25% das parturientes sofrem no Brasil.

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Redação

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Na hora do parto, existem as preocupações naturais que a futura mamãe tem para que corra tudo bem. Porém, as mulheres precisam tomar cuidado para não sofrer alguma violência obstétrica. Os casos de desrespeito e maus tratos nas instituições de saúde são frequentes, causando medo em um momento que deveria ser tranquilo e seguro para mãe e bebê.

Muitos profissionais utilizam procedimentos sem autorização e sem necessidade, como a realização de cesárea ou episiotomia, que estão entre os principais casos de abuso. De acordo com uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, uma em cada quatro mulheres é vítima de violência durante o parto no Brasil.

violencia obstetrica

Casos frequentes de violência obstétrica

Algumas clínicas e profissionais utilizam um modelo padrão de assistência ao parto que é intervencionista, realizando procedimentos sem autorização e, muitas vezes, sem necessidade. São esse abuso de autoridade e a realização de práticas desnecessárias que caracterizam a violência obstétrica, que pode deixar sequelas graves nas mães e nos bebês.

O Brasil é campeão em cesarianas, muitas delas desnecessárias. De acordo com a Fiocruz, 52% dos partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são pela cirurgia, chegando a 88% na rede privada. O índice recomendado pela pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15%.

Isso ocorre devido à falta de conhecimento das mulheres sobre os riscos inerentes à cirurgia, e pelo medo da violência e do sofrimento associados ao parto normal. Também há médicos que optam pela cesárea porque ela se tornou rotineira, mesmo sem motivo clínico. Porém, o procedimento desnecessário também é um ato de violência obstétrica.

Outro caso é a episiotomia sem necessidade. O procedimento é feito com um corte no períneo, aumentando o tamanho da vagina para facilitar e acelerar o parto. No entanto, o recurso traz muitos malefícios para as mulheres, que podem sentir dores durante relações sexuais mesmo anos depois da intervenção.

A manobra de Kristeller também é uma prática abusiva e totalmente contraindicada, sendo proibida inclusive nos livros de medicina. O procedimento consiste em empurrar a barriga da gestante para auxiliar a saída do bebê, trazendo riscos altíssimos para mãe e filho, que vão desde romper o fígado da mulher até fraturar ossos da criança.

Além disso, a violência obstétrica é considerada qualquer ato de desrespeito aos diretos da mulher à saúde, seja ainda durante a gestação, na hora do parto ou até mesmo no pós-parto.

Agressões verbais, recusa de atendimento, privação de acompanhante, lavagem intestinal, jejum e separação de mãe e bebê saudável após o nascimento também são abusos e devem ser denunciados.

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Como garantir a segurança e os direitos no parto

Para evitar os casos de violência obstétrica e garantir mais segurança na hora do parto, é preciso buscar uma assistência respeitosa e com mais autonomia para a mulher. É indicado que as gestantes sejam acompanhadas por um obstetra qualificado e de confiança, além de tirar dúvidas e deixar claro as suas preferências.

Isso pode ser feito ainda através do plano de parto, um documento onde a mulher detalha o que deseja.

Para incentivar os hospitais a oferecerem assistência humanizada ao parto e reduzir o número de cesáreas e violência obstétrica, o Ministério da Saúde prevê incrementos financeiros entre 2,5% até 17% por procedimento realizado pelo SUS para estabelecimentos habilitados pela Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC).

Além disso, existe também um o Projeto de Lei 7633/14, que pede prioridade à assistência humanizada ao parto. A portaria é importante porque ratifica o direito da mulher à saúde e incentiva o parto normal.

Você já sofreu algum abuso médico? Como o problema foi resolvido? Conte para nós. E aproveite para conferir dicas de saúde que você só encontra no Vivo Mais Saudável.

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