Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

ESPECIALIDADE

Ginecologia e obstetrícia

Fertilidade e reprodução

ONDE ATENDE

Clínica Saúde da Mulher

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

Apresentação

Ginecologista e obstetra, Bruno Ramalho é especialista em Fertilidade, Reprodução e Saúde da Mulher. 

O que Trata

Ginecologia, obstetrícia, fertilidade e reprodução humana.

Formação Acadêmica

Bacharel em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia, com residência em Ginecologia e Obstetrícia, e Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo - FMRP/USP. 

Cargos e Títulos

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO e Mestre em Ciências Médicas pela FMRP/USP. Diretor da Clínica Saúde da Mulher e médico assistente do Centro de Assistência em Reprodução Humana GENESIS, em Brasília. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da International Society for Fertility Preservation (ISFP).

Mulher

23/02/2015 06:00 - Atualizado em 08/12/2016 09:14

Vagina: Entenda seu funcionamento e os cuidados necessários

Ginecologista fala como funciona e explica como higienizar e cuidar do órgão mais importante da anatomia feminina.

POR

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

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Nosso especialista em fertilidade e reprodução, o ginecologista Bruno Ramalho de Carvalho, fala clara e abertamente sobre a vagina e os cuidados necessários a este órgão tão importante da anatomia feminina. Entenda seu funcionamento e coloque em prática estas dicas preciosas!

A vagina

Falar sobre a vagina nem sempre é tarefa fácil: é um tema que carrega tabus e uma inevitável timidez, que envolve protocolos de comportamento social. Mas a vagina é um órgão de extrema importância e a mulher deve entendê-la e o seu funcionamento.

Primeiramente, é importante diferenciá-la da vulva, que é a parte externa da genitália feminina, o que normalmente se vê, composta dos lábios maiores e menores, e do vestíbulo (também chamado de introito), que é a entrada propriamente dita da vagina. A vagina de fato é a primeira porção da genitália interna, que, simplificando, tem quatro papéis básicos em mulheres com funções orgânicas e anatomia preservadas: permitir a relação sexual com penetração, garantir o acesso dos espermatozoides à cavidade uterina e dar passagem tanto ao fluxo menstrual quanto ao bebê, no parto normal.

Inúmeros fatores podem interferir no funcionamento da vagina ao longo da vida da mulher, levando a variações das funções citadas acima e comportamentos diversos, às vezes com desconforto (principalmente quando não se compreende o que está acontecendo). A idade e o estado hormonal (período fértil, pré-menstrual, gravidez, uso de anticoncepcionais e menopausa, por exemplo) são fatores de interferência, assim como a excitação sexual, presença do sêmen ejaculado, do sangue menstrual, de medicamentos, bactérias, óleos afrodisíacos e outros.

Secreções vaginais

As secreções vaginais são motivo de grande número de consultas ao ginecologista, principalmente pela suspeita da presença de infecções e a associação com doenças sexualmente transmissíveis. Mas o fato é que grande parte dos fluxos vaginais resulta exclusivamente da interferência dos fatores variáveis ao longo do ciclo reprodutivo. Isto não quer dizer que a consulta ao ginecologista seja desnecessária, mas apenas que os "corrimentos" sem odor, coceira ou ardência geralmente não devem ser motivo de angústia.

Fluxos vaginais não-infecciosos, estes corrimentos inofensivos, são resultantes principalmente da descamação das células da vagina, para sua renovação, e do metabolismo das bactérias que a colonizam para manutenção de seu equilíbrio, os lactobacilos.  Isso ocorre pela ação do estrogênio e é fundamental para que se mantenha a acidez protetora habitual (sim, a vagina é habitualmente ácida!). Também a secreção de glândulas (como a de Bartholin), o muco produzido no canal do colo uterino, no endométrio e nas trompas compõem os fluxos vaginais naturais.

E os corrimentos problemáticos? Bom, esses podem estar associados a uma série de condições que, juntas, compõem o grupo das vulvovaginites. Antes de continuar, é muito importante frisar que na maioria das vezes os corrimentos não estão associados a doenças sexualmente transmissíveis ou falta de higiene íntima. Podem tanto acometer mulheres em idade reprodutiva quanto na menopausa, pelo estresse excessivo, uso de roupas inadequadas, doenças existentes (diabetes, por exemplo), tabagismo e outros fatores.

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Vulvovaginites

Os principais agentes relacionados a vulvovaginites são fungos (Candida spp), bactérias (Gardnerella vaginalis é a mais conhecida) e protozoários (Trichomonas vaginalis).

Candidíase vulvovaginal é o nome dado ao quadro de inflamação da vulva e/ou da vagina, causada por fungos do gênero Candida, que, quando proliferados em excesso, podem levar a sintomas como coceira, ardência, vermelhidão e corrimento. Existindo tais sintomas, o médico ginecologista deve ser consultado, para confirmação diagnóstica e tratamento adequado a cada caso.

Nem sempre é fácil tratar a candidíase, e há quadros de repetição muitas vezes desafiadores. A mudança de hábitos, contudo, costuma ser a maior das recomendações. É importante evitar o uso indiscriminado de sabonetes e cremes, principalmente aqueles que não respeitam as condições naturais da vagina, assim como evitar o uso muito frequente e repetido de roupas feitas de tecidos sintéticos e muito justas. Próximo às férias de verão, é muito importante frisar que os longos períodos com roupas de banho úmidas podem favorecer a proliferação dos fungos.

Ao contrário do que muitos pensam, a vaginose bacteriana, comumente associada à Gardnerella, é a principal causa de corrimento vaginal em mulheres jovens. Não se sabe ao certo por que motivo ocorre a proliferação dessa e de outras bactérias associadas ao problema, mas fatores como o tabagismo podem ser predisponentes. Um diferencial do corrimento por fungos é o odor desagradável e este é um aspecto importante a ser informado durante a consulta médica.

A tricomoníase também pode levar a um corrimento de odor desagradável. Por isso, não se deve utilizar qualquer creme vaginal para cuidar do problema e a avaliação pelo ginecologista torna-se fundamental para o tratamento correto. Um aspecto importante é que, dos três quadros mencionados, este certamente afeta o parceiro sexual, que também tem que ser devidamente tratado.

Existem outras causas de corrimento vaginal, mas essas são as mais comuns. O importante é procurar o ginecologista no início do quadro, para que o incômodo excessivo não induza à automedicação, ao uso de creme vaginal inadequado e, consequentemente, à perpetuação de um quadro que pode se tornar resistente.

Higiene íntima

É muito importante iniciar a discussão deste assunto lembrando que a vagina é um órgão capaz de realizar, habitualmente, sua própria higiene, restando apenas os cuidados com a parte externa: vulva, períneo, região perianal e virilhas, sulcos entre os lábios e clitóris. Ainda, deve-se frisar que excessos na higienização genital podem até dificultar os mecanismos de limpeza próprios do organismo, promovendo desequilíbrios com potencial interferência sobre a flora vaginal natural.

O ambiente vaginal é dinâmico e pode sofrer alterações eventuais, mas, de modo geral, a flora vaginal normal é constituída por diferentes espécies de lactobacilos que inibem o crescimento e a proliferação de outros micro-organismos estranhos à vagina.

A higiene íntima da mulher deve promover a remoção de resíduos acumulados, que, em condições normais, não seriam removidos somente com o uso exclusivo de água. Vários tipos de produtos estão disponíveis no mercado, apenas para uso externo e não são indicados para fazer duchas vaginais ou tratar infecções. É muito importante entender: não se recomenda a introdução de água e/ou produtos de higiene de qualquer tipo no interior da vagina. Portanto, não faça isso!

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O que utilizar?

Os sabonetes em barra são os mais comumente usados para a higiene genital feminina, com vantagens como a produção de espuma cremosa e perfume. Mas, geralmente, sabonetes são alcalinos ou neutros, com pH diferente do pH fisiológico da genitália externa. O uso rotineiro, dessa forma, pode trazer problemas, como ressecamento, diminuição da acidez e a maior probabilidade de contaminação pelo uso compartilhado por outras pessoas da casa.

Os sabonetes líquidos hipoalergênicos e com limpeza suave estão menos associados a reações alérgicas e seu uso permite a manutenção parcial da camada de gordura que protege a pele da vulva. Também existem vários produtos que têm como base o ácido láctico e mantêm o desenvolvimento e a saúde das células da pele da vulva.

Independentemente da escolha, o importante é manter práticas saudáveis de higiene. Nos dias mais quentes, a higienização pode ser realizada de uma a três vezes por dia; nos dias frios, um episódio de limpeza costuma ser suficiente. Sulcos entre os pequenos e grandes lábios, clitóris, púbis, virilhas e raízes das coxas (parte interna) devem ser limpos preferencialmente com água corrente e que atinja todas as dobras, evitando movimentos bruscos e que tragam conteúdo da pele ao redor do ânus para a região vulvar. O uso de produtos de higiene é opcional, e caso a escolha seja por usá-los, deve-se priorizar os líquidoshipoalergênicos, com detergência suave e pH variando entre 4,2 e 5,6.

Manter bem seca a região genital é passo fundamental para evitar a proliferação de bactérias, fungos e vírus. Para isso também, o uso de roupas folgadas e de algodão favorece a ventilação local, assim como é saudável abolir o uso da calcinha para dormir. Por fim, os absorventes externos no período entre os fluxos menstruais devem ser evitados (caso seja escolha utilizá-los, preferir os que permitem ventilação da vulva).

Situações diversas, como o puerpério (fase pós-parto), período menstrual, climatério (transição do período reprodutivo para o não reprodutivo), a infância e outros, podem impor outras recomendações de higiene íntima, que devem ser discutidas com o ginecologista. A consulta pode ser de grande valia para solução de dúvidas quanto à higiene íntima e outros assuntos cotidianos femininos.
Finalizando, consulte seu médico sempre que preciso, certo? É isso!
 

Esperamos que o Dr. Bruno tenha esclarecido algumas de suas dúvidas! Fique de olho na seção Eles explicam para mais artigos, entrevistas e dicas de nossos especialistas!

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Fonte consultada: FEBRASGO. Higiene Genital Feminina - Guia Prático de Condutas. 2009.

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