Mulher

01/10/2015 08:00 - Atualizado em 22/11/2016 01:07

Quatro casos, quatro lutas vencidas contra o câncer de mama

Filomena, Juliana, Raquel e Maria. Conheça as histórias dessas quatro mulheres que superaram o câncer de mama e mudaram completamente suas vidas.

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Redação

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Lidar com o câncer de mama não foi fácil para nenhuma dessas mulheres. Bonitas, vaidosas, batalhadoras, todas passaram pela retirada de mama, e, com a cirurgia, por uma grande mudança de vida. Filomena, Maria, Juliana e Raquel contam como venceram o preconceito, a vaidade, o medo. Leia esta matéria do Vivo Mais Saudável para o Especial Outubro Rosa e reflita!

Conheça os fatores de risco e previna-se!

Filomena: "O pior é o preconceito"

Para Filomena "o pior é o preconceito".Aos 55 anos, Filomena Máximo da Costa lembra exatamente de quando, há 10 anos, sentiu um carocinho na mama direita. Prevenida, ela resolveu ir ao médico para tirar as dúvidas, e logo após alguns exames recebeu a confirmação do diagnóstico: Câncer de mama. Para ela, uma sensação não tão complicada quanto as seis sessões de quimioterapia e radioterapia. “Foi muito duro, toda hora estava no médico. Reagi bem durante todo o tratamento, mas por causa da quimioterapia meus ossos enfraqueceram e comecei a sentir muitas dores. Grande parte do tempo ficava na cama por causa da dor”, relembra a paulista.

As consequências do câncer de mama foram arrasadoras, tempos depois Filomena desenvolveu dois tipos de metástases: óssea e cerebral. Para intervir a proliferação, a ex-assistente administrativa passou por novas sessões de quimioterapia. “Hoje eu ainda passo pela quimioterapia. Uso uma bengala para poder me equilibrar, muito melhor de quando eu usava cadeira de rodas”, comenta.

Convencida de que sairia curada do processo médico, Filomena confessa que nunca perdeu a autoestima. “No primeiro momento é bem difícil, chorei muito e depois notei que poderia ser pior. Uso peruca, mas o pior é o preconceito. As pessoas olham diferente, reagem com rejeição.” Sobre a possibilidade de reconstituir a mama, Filomena não pensa na hipótese. “Já passei por algumas cirurgias, essa seria dolorosa demais. Não me sinto mal com o meu corpo. Hoje também não faria muita diferença para mim”, define.

 

Maria: "O médico disse que estava com bichinho"

Para a gaúcha Maria Acácio Sousa, de 51 anos, a descoberta contou com erro médico na primeira consulta. “Eu senti um caroço e fui ao médico, que apontou um cisto de menstruação. Entrei em pânico quando começou a coçar e ele disse que estava tudo bem, e ainda aconselhou usar um sutiã de velha para não sentir mais dor. Depois que detectei a doença ele zombou ao dizer que eu estava com bichinho. Hoje eu estou com um processo na Justiça contra ele por todo o transtorno.”

Para ela, a reação foi de dor e angústia. “Sofri uns quatro dias com depressão e chamei meus dois filhos e marido para explicar tudo. A minha preocupação era como eles entenderiam, mas levaram tudo com muita cautela”, conta ela, que realizou dias depois a cirurgia de retirada da mama direita.

Por causa da agressividade da doença, Maria passou por três sessões de quimioterapias, método no qual ela confessa que alterou sua condição corporal. “O paladar muda, o cabelo cai, você sente um calor intenso, e perde a libido, são várias transformações inexplicáveis. A minha aflição era deixar meus filhos sozinhos, com a notícia você já pensa em morrer. Um dia pedi a Deus para não me levar”, revela ela, que desenvolveu diabetes em razão do alto índice de bebidas com açúcar.

Destinada a se cuidar melhor, a doméstica pretende realizar a reconstituição da mama futuramente. “Ainda não fiz porque estou acima do peso. Agora o médico me encaminhou para fazer uma cirurgia bariátrica. Na reconstrução vou ficar novinha”.


Juliana: "Ficar careca foi a parte mais difícil"

Juliana Esposito nunca imaginou que poderia acontecer com ela e ainda jovem. A paulista precisou remover a mama esquerda por completo e fazer um esvaziamento axilar em detrimento do câncer. Independente financeira, a hoteleira deixou a vida independente em Porto Alegre para buscar o auxílio familiar durante o tratamento em São Paulo. “Era importante estar perto dos meus pais, eles deram grande força para continuar. Comecei a dar valor para outras coisas escondidas.”

Vaidosa, a jovem de olhos esverdeados demorou a entender as transformações em seu corpo. “Ficar careca foi a parte mais difícil, mexe com toda a autoestima. Desde que eu descobri procurei me manter forte porque a minha preocupação era passar força para a família. Comecei a pesquisar sobre o assunto e com o tempo ganhei tranquilidade. A minha meta era comer coisas saudáveis e praticar caminhada.”

Mesmo lidando com naturalidade, Juliana sofria com os olhares diferenciados na rua com a queda de cabelo. “Chegaram a perguntar se eu era gay. Algumas pessoas pediam para colocar a mão na cabeça, e os homens não olhavam, eu não saía com mais ninguém e passava parte do meu tempo em casa.”

Aos 35 anos, ela se considera uma nova mulher. “Não cuidava muito do meu corpo, agora tenho acompanhamento nutricional e me preocupo com alimentação saudável. Valorizo os amigos e aprendi a minimizar os problemas e afastar as coisas e pessoas que não dão valor”, define.

 

Raquel: "Pensei na intimidade do meu marido"

Quando o casamento se torna um risco, como lidar? Essa era a preocupação da paulista Raquel Limeira Barbosa, de 32 anos. “Nós olhamos imagens de mulheres mutiladas e aí fiquei pensando na intimidade do meu marido, sem o meu seio, como seria me relacionar com ele? Era uma dúvida cruel que eu tinha, mas ele sempre dizia que me amava, e me apoiou até o final.”

Raquel passou por dois tratamentos contra o câncer em menos de cinco anos. Longos processos que ela contou com a ajuda dos pais e do marido. Natural de Mauá (SP), a primeira cirurgia de retirada da mama ocorreu com apenas 27 anos. Por ser jovem, ela não considerava o risco de desenvolver o câncer de mama. “Não espera ter um câncer tão cedo, fiquei impressionada porque conhecia apenas mulheres mais adultas.” Determinada, buscou ajuda profissional para se curar. “Eu sempre falei muito com Deus, pois não sabia o que fazer. O médico disse: ‘Poxa, não deu nada do que eu queria’, mas sei o quanto estava disposto em me ajudar. Em casa falei para o meu marido e minha mãe que não queria ninguém chorando, para ela foi um baque.”

Para não sofrer com a queda de cabelo recorrente da quimioterapia, Raquel tomou uma atitude inesperada. “Meu cabelo era pela cintura. Quando o médico disse que ia cair cortei ele no queixo, aí fiquei três dias com o cabelo caindo, no terceiro eu estava com medo de tomar banho e resolvi raspar.”

Após tirar o nódulo, Raquel não esperava contar com uma grande surpresa: ser mãe. A gravidez inesperada abriu um novo rumo na vida do casal. “Não estava pronta para ter um filho naquele momento. Os médicos também falavam que possivelmente eu não engravidaria porque a quimioterapia retarda a fertilidade feminina. Eles até sugeriram a retirada de óvulos para congelar.”

Após o nascimento bem-sucedido de Laurinha, Raquel enfrentara um novo processo de luta contra o câncer. “Havia um nódulo no tecido que tinha sobrado da mama. Em 2013 retirei o tumor. O melhor era saber que não precisava passar por sessões de radioterapia novamente.”

Curada do câncer, Raquel ainda toma alguns remédios recorrentes da quimioterapia. Com um sofrimento ameno, ela agradece estar viva e feliz ao lado de quem ama. “Eu creio muito em Deus, e que ele nos sustenta e renova nossas forças, foi o que me manteve firme e forte. Eu acho que positividade é isso: acreditar em Deus, acredito que dará certo, que, embora tudo possa estar parecendo ruim, sempre haverá uma saída, um fim melhor.”


Dicas de superação

Inspire-se! Veja as dicas das mulheres incríveis dessa matéria para você ser feliz!

Filomena Máximo da Costa, 55 anos

"O mais importante é ter força, nunca desanimar, contar sempre com o apoio da família e confiar sempre no médico."

Maria Acácio de Sousa, 51 anos

"As pessoas devem ter muito amor. Umas devem ajudar as outras."

Juliana Esposito, 35 anos

"Nesse momento você começa a dar valor as pequenas coisas. Voltar para a casa dos meus pais foi a melhor coisa que fiz."


Raquel Limeira, 32 anos

"Hoje dou mais valor a abraços, poder levantar, comer, falar com pessoas, ensinar milha filha, ou seja, dar valor ao que realmente importa."


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E continue acompanhando o conteúdo do Especial Outubro Rosa.



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câncer de mama
como prevenir o câncer

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