Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

ESPECIALIDADE

Ginecologia e obstetrícia

Fertilidade e reprodução

ONDE ATENDE

Clínica Saúde da Mulher

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

Apresentação

Ginecologista e obstetra, Bruno Ramalho é especialista em Fertilidade, Reprodução e Saúde da Mulher. 

O que Trata

Ginecologia, obstetrícia, fertilidade e reprodução humana.

Formação Acadêmica

Bacharel em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia, com residência em Ginecologia e Obstetrícia, e Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo - FMRP/USP. 

Cargos e Títulos

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO e Mestre em Ciências Médicas pela FMRP/USP. Diretor da Clínica Saúde da Mulher e médico assistente do Centro de Assistência em Reprodução Humana GENESIS, em Brasília. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da International Society for Fertility Preservation (ISFP).

Mulher

19/08/2015 06:00 - Atualizado em 30/11/2016 12:13

Mulheres e maternidade, os 40 anos de hoje são os 20 de ontem?

Ginecologista especializado em fertilidade e reprodução reúne dados de pesquisas e fala sobre maternidade tardia.

POR

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

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O número mais recente da revista sueca Sexual & Reproductive Healthcare (junho de 2015) trouxe uma análise interessante da premissa "os quarenta [anos] são os novos vinte" entre mães britânicas consideradas de idade avançada. No artigo, a partir da constatação das tendências ao adiamento da maternidade em países ricos, Tracey Mills e colaboradores sustentam a hipótese de que a mídia de massa exerça uma poderosa influência sobre os comportamentos da população quando o assunto é saúde.

O estudo "Forty is the new twenty: An analysis of British media portrayals of older mothers” faz uma fotografia dos interesses da mídia na gravidez das celebridades e identifica a visão jornalística positiva da maternidade tardia, como estratégia de planejamento para a vida e com vistas a se obter “o melhor dos dois mundos”, profissional e familiar. Ainda, os autores identificam a desprezo pela mídia da idade como sendo um fator dificultador para a concepção natural e elevam as tecnologias reprodutivas a patamares de resultados que, de fato, elas não conseguem atingir.

Infelizmente, observamos cotidianamente o que o estudo mencionado demonstra. De certo, com o maior acesso às técnicas de reprodução assistida, dentre as quais destaco o melhor domínio do congelamento de óvulos e a aceitação da técnica como prática (e não mais experiência), os centros de assistência em reprodução humana têm recebido demandas crescentes de mulheres em idade avançada com desejo de engravidar. O comportamento encontra pilar em anúncios de nascimentos de crianças concebidas por fertilização in vitro (FIV) em mulheres climatéricas e pós-menopáusicas, cada vez mais frequentes. Isso ocorre sem que se perceba a intenção da mídia ou da sociedade de discutir com seriedade essa mudança de paradigma e transmitindo com descuido a impressão de que a maternidade no século XXI está disponível a qualquer tempo além das fronteiras da natureza.

Nos últimos 10 anos, aumentou o número de mulheres mães depois dos 35 anos

O interesse pela maternidade tardia é notório, provavelmente como resultado da participação crescente das mulheres no mercado de trabalho e da busca por desenvolvimento profissional. Ao observarmos os registros do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC entre 1999 e 2009, constatamos a mudança de comportamento reprodutivo da mulher brasileira, pelo aumento das proporções de nascidos vivos nas faixas de idade de 35 a 39 anos (de 6,7% para 8%) e acima de 40 anos (de 1,9% para 2,3%). Não temos no Brasil um registro adequado dos nascimentos advindos da concepção assistida, mas os registros oficiais nos permitem identificar uma possível influência dos avanços na medicina reprodutiva sobre os números ao longo dos anos.

E o que o corpo feminino diz sobre a maternidade tardia?

Vamos ao fato: os óvulos humanos diminuem em quantidade e qualidade à medida que a idade avança.  Isso significa dizer que uma parcela significativa das candidatas à maternidade tardia serão inférteis quando desejarem engravidar. Esse declínio natural da fertilidade também pode ser atribuído a outros eventos, como:

Diminuição da frequência e eficiência da ovulação, e da função sexual;

Aparecimento de doenças do útero ou dos ovários;

Endometriose;

Fatores genéticos;

Tabagismo;

Infecções.

Historicamente, constata-se a partir da literatura que a infertilidade feminina passou dos 6% entre 20 e 24 anos para 64% entre 40 e 44 anos de idade. E há uma grande e inegável verdade a ser destacada: nem mesmo modernas técnicas de reprodução assistida são capazes de anular a interferência negativa do tempo sobre o potencial reprodutivo natural feminino.

Para a fertilização in vitro, as taxas de gravidez podem cair de cerca de 50% antes dos 34 anos de idade para cerca de 25% a partir dos 40 anos. Seguindo a mesma regra, as perdas gestacionais aumentam de cerca de 19% para cerca de 38% naquelas faixas de idade.

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Congelamento de óvulos

O congelamento dos óvulos em idade jovem é a opção contemporânea para a procriação futura, mas é preciso chamar atenção para um detalhe muito importante: ele não garante os filhos no futuro, já que ainda restará à candidata a etapa da FIV, que lhe dará taxas de sucesso entre 40% e 50% nas melhores perspectivas. E cabe, ainda, lembrar que o Conselho Federal de Medicina restringe o uso de técnicas de reprodução assistida a mulheres com idade máxima de 50 anos no Brasil.

Concluindo, o que se deve recomendar, ao meu ver, às mulheres com até 34 anos de idade é que não esperem muito para iniciar a prole, principalmente se existe o desejo claro por mais de um filho. Na faixa etária entre 35 e 40 anos,  que busquem brevemente a orientação de um especialista, caso ainda não seja, individualmente, o momento ideal para a maternidade, pois, certamente, ao longo do período e depois dos 40 anos, será mais difícil realizar o sonho da procriação natural.

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Referências:

BRASIL. Conselho Federal de Medicina – CFM. Resolução no 1.957, de 15 de dezembro de 2010. Diário Oficial da União, de 06 de janeiro de 2011; Seção I: 79.

Carvalho BR, Resende MPS, Nakagava HM, Cabral IO, Barbosa ACP, Silva AA. Resultados em ciclos de fertilização in vitro, de acordo com a faixa etária feminina. Brasília Médica 2012;49:93-97.

Eijkmans M, et al. Too old to have children? Lessons from natural fertility populations. Hum Rep 2014; 29(6):1304-12.

Luke B, Brown MB, Wantman E, Lederman A, Gibbons W, Schattman GL, et al. Cumulative birth rates with linked assisted reproductive technology cycles. N Eng J Med 2012;366:2483-91.

Menken J, Trussell J, Larsen U. Age and infertility. Science. 1986;233:1389-94.

Mills TA, Lavender R, Lavender T. "Forty is the new twenty": An analysis of British media portrayals of older mothers. Sex Reprod Healthc. 2015 Jun;6(2):88-94. doi: 10.1016/j.srhc.2014.10.005.

MS/SVS/DASIS - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos – SINASC. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sinasc/cnv/nvuf.def. Acesso em 20.02.2013.

 

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