Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

ESPECIALIDADE

Ginecologia e obstetrícia

Fertilidade e reprodução

ONDE ATENDE

Clínica Saúde da Mulher

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

Apresentação

Ginecologista e obstetra, Bruno Ramalho é especialista em Fertilidade, Reprodução e Saúde da Mulher. 

O que Trata

Ginecologia, obstetrícia, fertilidade e reprodução humana.

Formação Acadêmica

Bacharel em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia, com residência em Ginecologia e Obstetrícia, e Reprodução Humana pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo - FMRP/USP. 

Cargos e Títulos

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO e Mestre em Ciências Médicas pela FMRP/USP. Diretor da Clínica Saúde da Mulher e médico assistente do Centro de Assistência em Reprodução Humana GENESIS, em Brasília. Membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da International Society for Fertility Preservation (ISFP).

Mulher

19/01/2015 06:00 - Atualizado em 28/11/2016 10:46

Fertilidade tem idade? Veja o que a Medicina Reprodutiva diz

O ginecologista e obstetra especialista em reprodução e fertilidade Bruno Ramalho fala sobre idade, fertilidade e medicina reprodutiva no Brasil.

POR

Dr. Bruno Ramalho de Carvalho

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Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2013, a proporção de casais sem filhos aumentou em todas as regiões do país: De 2004 a 2013, o Nordeste passou de 12,9% para 17,7%, no Sudeste foi de 14,8% para 19,3% e no Sul de 18% para 23%. Isto quer dizer que muitos casais estão optando por ter filhos mais tarde. Os motivos vão desde uma dedicação maior aos estudos e à carreira profissional até a falta de uma relação estável, já que, principalmente para as mulheres, construir uma família faz parte de um sonho que inclui o casamento.

Com isso, a medicina reprodutiva avança cada vez mais e há muito mais interesse em clínicas de reprodução humana e métodos como a fertilização in vitro.

E quando soa o alarme do relógio biológico? Esta é uma questão que preocupa milhões de mulheres e levanta uma pergunta essencial: Fertilidade tem data de validade?

Veja o que o ginecologista e obstetra especialista em reprodução e fertilidade Bruno Ramalho tem a dizer sobre o assunto.

Idade fértil existe?

Nos últimos meses, temos visto ressurgir a tendência à procriação tardia como tema de reportagens em revistas e jornais de grande circulação. Cabe a nós, ginecologistas e, principalmente, especialistas em medicina reprodutiva, estar atentos a tais matérias, para que a interpretação devida lhes seja dada junto às mulheres que atendemos no dia a dia. Infelizmente, dissemina-se hoje com descuido a ideia de que os avanços da medicina proporcionam à maternidade a qualquer tempo além das fronteiras naturais. Sabemos que essa é uma inverdade e temos o dever de prestar à sociedade esclarecimentos.

De acordo com o sugerido por um estudo publicado em 2012, metade das mulheres ficariam chocadas ao serem informadas sobre a queda da fertilidade entre os 35 e os 45 anos de idade. Dentre as entrevistadas, um terço acreditava na persistência de algum grau de fertilidade até a menopausa, por volta dos 50 anos, e que a gravidez aconteceria sem dificuldades aos 40 anos de idade.

Os dados traduzem dificuldades e preocupações diárias do infertileuta, que tem o dever ético de esclarecer às mulheres naquela faixa etária (ou com idade maior) que, embora se sintam jovens e saudáveis, e gozem de plena capacidade profissional, podem já ter sofrido efeitos negativos do tempo sobre a fertilidade.

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Fertilidade e saúde

A preocupante desinformação observada sustenta-se, provavelmente, por crenças equivocadas que vinculam a garantia da fertilidade a estilo de vida saudável, histórico familiar de fertilidade abundante e informações incorretas de amigos e da mídia, principalmente com relação às gestações de celebridades em idade avançada.

Estima-se que 75% das mulheres que iniciam as tentativas de engravidar aos 30 anos darão à luz um nascido vivo dentro de 12 meses, enquanto apenas 44% o farão quando o início das tentativas ocorre aos 40 anos de idade. Em grandes populações, enquanto a infertilidade esteve presente em cerca de 30% das mulheres casadas com 35 a 39 anos, chegou a 64% entre 40 a 44 anos.

Foi publicado recentemente na revista Human Reproduction (uma das mais importantes revistas científicas na área de medicina reprodutiva no mundo) um estudo interessante abordando de forma inovadora a influência da idade da mulher sobre o potencial reprodutivo. O trabalho intitulado Too old to have children? Lessons from natural fertility populations demonstrou queda progressiva do potencial reprodutivo com o avanço da idade, em padrão semelhante hoje ao que ocorria cerca de dois séculos atrás: queda lenta até um ponto entre os 35 e os 40 anos, depois do qual a queda é vertiginosa.

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Medicina reprodutiva e fertilidade

Sabe-se que tanto a quantidade quanto a qualidade de folículos e gametas femininos relacionam-se inversamente à idade e que uma parcela significativa das candidatas à maternidade tardia serão inférteis quando desejarem gestar. O declínio natural da fertilidade pode ser atribuído a numerosos eventos associados ao avanço da idade, como diminuição da qualidade dos óvulos, frequência e eficiência da ovulação e da função sexual, aparecimento de doenças uterinas, tubárias ou ovarianas, endometriose, fatores genéticos, tabagismo ou infecções.

E é importante frisar: as técnicas de medicina reprodutiva (como a fertilização in vitro e a injeção intracitoplasmática de espermatozóides) não driblam a interferência negativa da idade feminina sobre a fertilidade. Dados da Rede Latino-americana de Reprodução Assistida pontuam claramente redução significativa das taxas de gravidez em FIV com óvulos próprios à medida que a idade da mulher avança: 41% na faixa etária de 25 a 29 anos; 37% de 30 a 34 anos; 30% de 35 a 39 anos e 15% com 40 ou mais anos.

Uma opção contemporânea é o congelamento dos óvulos em idade jovem, com vistas à procriação futura. Sem dúvida um avanço da medicina reprodutiva nos últimos anos. Chamo atenção para um detalhe muito importante: o congelamento não garante os filhos no futuro, já que ainda restará à mulher a etapa da fertilização in vitro, que lhe dará taxas de sucesso entre 40% e 50% nas melhores perspectivas. E cabe, ainda, lembrar que, há cerca de um ano, a medicina reprodutiva brasileira é regulamentada pela Resolução 2013/2013 do Conselho Federal de Medicina, que limita o uso de técnicas de reprodução assistida a mulheres com idade máxima de 50 anos.

O que recomendar, então? Às mulheres com idade entre 32 e 34 anos, considerada uma faixa etária de conforto, que não esperem muito para dar início à constituição da prole, principalmente se há desejo por mais de um filho. A faixa etária entre 35 e 40 anos é considerada decisiva para a fertilidade. Embora o pessimismo exagerado seja questionável e, por quê não, condenável, recomenda-se que iniciem as tentativas de engravidar o quanto antes ou que se busque orientação de um especialista, caso ainda não seja, individualmente, momento ideal para a procriação. Depois dos 40 anos, enfim, fica mais difícil realizar o sonho da maternidade biológica.

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