Mulher

30/09/2014 09:24 - Atualizado em 01/12/2016 10:26

Conversando com os filhos sobre o diagnóstico de câncer de mama

Por Luciana Holtz , psico-oncologista da Ong Oncoguia.

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Redação

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Se você tem crianças pequenas na família, é provável que tente evitar que eles saibam sobre a sua doença, embora essa não seja uma boa ideia, pois as crianças acabam percebendo que algo não vai bem. Eles irão notar mudanças em sua aparência, cansaço e até mesmo podem perceber a mudança da rotina.

Sem saber o que está acontecendo, as crianças podem acabar pensando em várias hipóteses – algumas até piores do que a realidade. A honestidade demonstra confiança, podendo ajudar a criança não só a encarar o câncer de um familiar, como a encarar outros desafios durante a vida.

  • Planeje a conversa - Decida como irá dar a notícia e o que vai falar. Falem juntos, você e seu parceiro ou algum outro adulto em quem a criança confie;
  • Seja direta - O mais importante é se referir à doença. Deixe claro que se trata de um câncer. Diga como a doença se desenvolve o porquê dos sintomas e possíveis sequelas, como, por exemplo, a mastectomia. Deixe claro que é uma doença não transmissível e que seus filhos não foram os responsáveis pela sua doença;
  • Adiante os possíveis efeitos colaterais - Prepare as crianças para os possíveis efeitos colaterais da doença. Conte que seu cabelo pode cair e que seu humor pode mudar repentinamente. Explique que os remédios podem ser fortes e os tratamentos muito agressivos, provocando inúmeros efeitos colaterais, não só em seu corpo, como também na sua mente. Seja honesto e não esconda nada deles, conte até mesmo quando precisar se ausentar para ir ao médico ou hospital;
  • Tranquilize as crianças - Deixe claro que vocês farão o possível para não bagunçar a rotina da família, que mesmo que você não possa fazer tudo como antes, irá dar um jeito para tudo ser feito. E que enquanto você não se recuperar do tratamento, outras pessoas irão ajudá-los na manutenção dessa rotina;
  • Mantenha os limites - Não se sintam culpados. Ninguém fica doente porque quer e não tente compensar a doença e as possíveis mudanças na rotina com guloseimas, brinquedos extras ou televisão fora de hora. Mantenha a rotina e os limites sempre que possível;
  • Incentive a informação - Faça com que as crianças se interessem pela doença. Responda suas dúvidas, e, se possível, leve-os em alguma consulta ou deixe que acompanhem alguma etapa do tratamento;
  • Dê atenção - Por mais que você possa não se sentir bem, tente reservar um tempo para eles. Algo simples como ler um livro ou assistir um filme juntos pode ajudar as crianças a perceberem que você ainda se importa com eles;
  • Seja otimista - Mesmo se você estiver triste, desapontada ou até mesmo assustada, tente manter certo positivismo durante suas conversas com as crianças. Tudo que os pais sentem acaba passando para as crianças. Deixe claro que os médicos estão fazendo o melhor por sua saúde. Tranquilize-os, mas sem fazer promessas sobre o futuro;
  • Conte para as pessoas que convivem com o seu filho - Professores, médicos e outros adultos que convivem com o seu filho precisam saber sobre o diagnóstico. Mudanças em casa acabam refletindo no comportamento das crianças em outros ambientes, por isso é importante que outros adultos que convivam com seus filhos saibam o que está acontecendo na sua casa;

Conversando com Crianças Maiores e Adolescentes

Embora muitos conselhos sobre como falar com crianças também sirvam para ajudar a falar com os mais velhos, essa faixa etária (10 a 18 anos) necessita de cuidados especiais. Mais informados sobre a doença pela televisão e outros meios, essas crianças maiores tendem a ser conscientes sobre a gravidade da doença e podem precisar de mais informações do que as crianças menores.

  • Seja sincera - Esconder os fatos pode levar a uma perda de confiança por parte das crianças. Mesmo que você não queira deixá-los preocupados, você precisa deixá-los a par do que está acontecendo;
  • Faça reuniões de família - Deixe as crianças mais velhas participarem das reuniões de família e possíveis negociações sobre assumir tarefas domésticas que você não estará apta para realizar durante o tratamento. Peça-lhes ajuda nessa redistribuição das tarefas;
  • Antecipe as dúvidas - Por já ter ouvido falar sobre a doença, as crianças mais velhas podem ter mais medos e preocupações. Podem ficar com medo do futuro, caso os pais venham a faltar. Mostre a eles que o câncer tem cura e que muita gente vive bem com a doença, por anos. Deixe claro que, não importa o que aconteça, eles estarão sempre seguros. Além disso, eles podem ter medo de desenvolver a doença também. Aproveite para incentivá-los a ter uma vida mais saudável e fazer regularmente exames de rotina;
  • Não mude a rotina das crianças - Mesmo que os mais velhos possam se preocupar mais e até mesmo ajudar nas coisas da casa, não esqueça que eles ainda são apenas crianças. E, como crianças, precisam continuar com a sua rotina, ir à escola, fazer suas atividades e encontrar com os amigos;
  • Atenção especial com adolescentes - Se os seus filhos forem adolescentes, a reação deles pode ser um pouco mais complicada. Podem acabar ficando com raiva ou até mesmo com vergonha de sua aparência durante o tratamento. Apesar dessas reações incomodarem os pais, lembre-se que são adolescentes e, mais do que nunca, estão preocupados com a aparência e com o que os outros vão pensar. Tente aceitar a sua nova aparência, isso ajuda a fazer com que eles aceitem mais facilmente;
  • Livros e outros meios de informação - Falar sobre o câncer pode ser difícil. Se achar necessário, procure livros que falem sobre o assunto ou até mesmo procure pessoas de fora para ajudar na comunicação. Amigos, parentes ou até mesmo profissionais podem ajudar a fazer seu filho entender certas coisas da doença.

 

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Outubro Rosa
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