Mulher

01/10/2015 05:00 - Atualizado em 27/10/2016 09:12

Como o tratamento psicológico pode ajudar a mulher com câncer de mama? Fiocruz responde

A psicóloga Lizete DIckstein, da Fiocruz, comenta sobre a importância do tratamento psicológico na vida da mulher.

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Agência Fiocruz de Notícia

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Após a descoberta do câncer de mama, vem a aprovação da doença. Muitas mulheres se perguntam: Será que vou viver? Meus familiares vão entender a doença? Como fica minha autoestima? Essas e outras questões podem ser trabalhadas com a ajuda de um profissional. Desta forma, é importante que o acompanhamento multidisciplinar e especializado seja promovido à paciente com dedicação e confiança, oferecendo assim o reestabelecimento da saúde em seu sentido mais amplo.

Para lidar com a doença da melhor maneira possível, a psiquiatra e psicanalista do Serviço de Saúde Mental do Instituto Nacional de Saúde Mental do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Lizete Dickstein, aborda aspectos psicológicos da doença.

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Havendo a confirmação de um tumor maligno, a mulher passará por várias fases de conflitos internos que oscilam desde a negação da doença até a esperança da cura. Como é realizado esse primeiro apoio psicológico a essa paciente? 

O tratamento de uma paciente com câncer de mama deve ser conduzido obedecendo algumas peculiaridades como a idade, o momento de vida em que se encontra essa mulher e os seus anseios e planejamentos precisam ser expostos, para que haja uma conduta correta e direcionada. Outro ponto relevante é o acolhimento da equipe médica, como o diagnóstico é comunicado e posteriormente no efetivo tratamento, pois a relação médico-paciente gera troca e confiança entre eles. Quando isso não acontece, pode ocorrer um desgaste maior da mulher durante todo o processo do tratamento. O apoio familiar também é traçado como parte importante da terapia. A inserção da família nesse processo favorece a aceitação da doença e a reabilitação, influenciando na melhoria da qualidade de vida da mulher vítima do câncer.

A causa e a cura do câncer permanecem na obscuridade. Isso pode atrapalhar a procura e aceitação ao tratamento?

A paciente pode desenvolver uma depressão e um isolamento social. O especialista, ao perceber tais sintomas, deve encaminhá-la ao serviço de psicologia e psiquiatria. Muitas vezes, essa paciente se nega a aceitar tal conduta, ela tende a encarar a doença como uma ação destruidora e geralmente é sentida como um castigo, uma punição, uma vez que o câncer está associado ao estigma da morte. Apesar dessa postura, o médico deve mostrar as possibilidades de cura, a sua relação com a estética e como isso pode ser vivido e superado.

 

O diagnóstico da doença e todo o seu processo são vividos pela paciente e seus familiares como um momento de angústia. Como o profissional de psicologia pode atuar e conduzir esse cenário?

 A atuação do profissional de psicologia deve ser vista como uma forma de tratamento e iniciada imediatamente após o diagnóstico e definição da conduta terapêutica oncológica.  Essa primeira avaliação deve ser individual, para que haja um maior entendimento do psicólogo e para que ele consiga absorver todas as angústias e incertezas trazidas pela paciente. Em um segundo momento, o atendimento pode ser estendido aos familiares próximos, a fim de estreitar essa rede de apoio, de forma que a paciente se sinta acolhida e aceita nessa fase de sua vida.


Como manter o emocional equilibrado e a qualidade de vida diante de um diagnóstico de câncer de mama?

A presença da depressão e estado de dor e angústia é perfeitamente aceitável na descoberta da doença. É patológico se a mulher apresentar outra postura, isso significaria a negação do câncer. Para que esse cenário seja menos doloroso, a equipe de saúde pode, também, ser participativa positivamente nesse cenário psicoterapêutico, o que possibilitará uma maior tranquilidade e apoio durante todo o processo de tratamento, assim como de seus familiares.

 

Quais são os aspectos da doença que mais refletem na autoestima da paciente?

O temor ao câncer de mama acomete a retirada de parte do corpo da mulher e, que em muitas culturas, desempenha função significativa, a sua estética, fantasias e intimidade ficam comprometidas. Aceitar sua nova condição e adaptar-se à nova imagem do seu corpo, exige um esforço muito grande para o qual, muitas vezes, não estão preparadas e por isso ela precisa de um apoio próximo, de alguém confiável.

 

Como fica a relação dessa paciente com o seu companheiro (questões sexuais e emocionais)?

O apoio do companheiro é muito importante, embora, seja uma situação de dificuldade e aceitação também para ele. A mulher, na maioria das vezes, apresenta um sentimento de isolamento, se torna fria e distante e se recusa a ter relações sexuais, por acreditar que não é mais atraente para o marido e que não é capaz de trocar experiências, antes compartilhadas. O suporte psicológico deve ser oferecido ao casal, muitos homens se assustam com a deformação do corpo da mulher, fica com medo de tocá-la, se sentem amedrontados com a situação, que deve ser trabalhada e abordada pelo casal. O amadurecimento, cumplicidade e a confiança estabelecida nesse relacionamento também será um fator de peso para a condução psicoterapêutica do problema.

 

É possível perceber uma relação entre a faixa-etária e o comportamento psicológico de uma paciente com câncer de mama, ou seja, uma mulher que já tenha família/filhos reage de forma diferente de uma que esteja buscando esses ideais?

Essa questão terá um lugar de menos ou mais importância, dependendo da idade e etapa da vida em que a mulher está inserida. Uma descoberta da doença em uma paciente com 25 a 30 anos terá um impacto mais traumático, pois pressupõem que essa mulher esteja em busca de uma união, a construção de uma família, provavelmente, isso vai afetar muito mais as questões sexuais, atrativas e de autoestima da paciente. Uma mulher que se encontra em uma fase mais avançada da vida e já tenha vivenciado essas experiências também terá a sua sexualidade fragilizada, embora outros laços de família se façam presentes, amenizando o peso e os traumas da doença.

E você, concorda com a entrevista da psicóloga Lizete Dickstein? Deixe seu comentário.

E fique ligado no conteúdo do especial Outubro Rosa. 

 

 

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cancer de mama
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