Mulher

24/02/2016 12:41 - Atualizado em 26/11/2016 03:12

Anel vaginal com antirretroviral reduz risco de infecção por HIV

Novo acessório com droga antirretroviral diminui as chances de contágio.

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Redação

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Um estudo divulgado no dia 22 de fevereiro, simultaneamente no New England Journal of Medicine e na Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas (Croi), nos Estados Unidos, apresentou resultados sobre a eficácia de um anel vaginal contendo uma droga antirretroviral. O acessório foi testado em mulheres do Zimbábue, da África do Sul, de Uganda e do Malauí na proteção ao vírus HIV-1.

As participantes da pesquisa foram acompanhadas entre agosto de 2012 e julho de 2015 e receberam, aleatoriamente, dois tipos de anéis: um com a droga e outro sem. Das 2.629 mulheres, 168 foram infectadas pelo vírus - 71 delas receberam o anel vaginal com a proteção e 97 receberam o placebo. Ou seja, os acessórios com a droga foram 27% mais eficazes.

Excluindo-se dois centros de pesquisa, devido a problemas no registro dos resultados ou ao uso incorreto do anel, a eficácia do dispositivo com a droga aumenta para 37%, na comparação com o placebo.

anel vaginal e outros meios de contracepção

Método protege mulheres em situação vulnerável

Um anel vaginal pode liberar doses controladas de medicações no local. As unidades usadas nas pesquisas são semelhantes aos anéis contraceptivos vendidos comercialmente. A diferença é que, em vez de liberarem hormônios como o estrogênio e progesterona para evitar a gravidez, elas contêm dapivirina, substância antirretroviral que protege contra o vírus HIV-1.

Mais da metade das 35 milhões de pessoas que atualmente convivem com a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids), provocada pelo vírus HIV, são mulheres. A maioria delas vive em países da África Subsaariana.

Nos lugares com taxas de infecção elevadas, o que agrava o problema é que mesmo as mulheres que estão cientes dos riscos têm dificuldade em convencer seus parceiros a usar preservativos. Por isso, o anel vaginal pode cumprir um importante papel social. Como ele é inserido dentro da vagina, é um método discreto, que não tem influência no prazer sexual sentido pelo homem ou pela mulher.

O anel vaginal com dapivirina é produzido pela QPharma, em contrato com o International Partnership for Microbicides (IMP), que concebeu o produto e conduziu os estudos. A pesquisa é um passo importante para conseguir o licenciamento do dispositivo.

Anel vaginal não previne Aids

O anel utilizado nas pesquisas é diferente do que é vendido comercialmente sob a marca NuvaRing. Esse é um método contraceptivo, usado somente para prevenir a gravidez por meio da liberação de hormônios. Ele deve ser inserido na vagina e mantido por três semanas. Após uma semana de pausa, uma nova unidade é aplicada.

A eficácia é semelhante à da pílula anticoncepcional e, assim como esse outro contraceptivo, o acessório não deve ser utilizado para prevenir doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Mesmo o anel vaginal com dapivirina apresenta uma proteção muito menor que a oferecida pela camisinha, o método mais seguro conhecido. O dispositivo testado na África, afinal, tem como objetivo reduzir o risco de infecção em grupos mais vulneráveis ao vírus.

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