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01/12/2014 02:25 - Atualizado em 06/12/2016 05:46

Relatos de um soropositivo: o preconceito é pior do que a doença

Henrique Matoso conta o que mudou em relação à Aids nos últimos 16 anos e como ele encara a convivência com a doença.

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Redação

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A Aids não é uma descoberta tão recente, mas continua sendo um tema que desperta diversas dúvidas em muita gente. E isso se torna um grande problema para a pessoa soropositiva, pois, junto com o desconhecimento, acaba gerando preconceito e resistência à aproximação.

A morte de milhares de pessoas, inclusive astros da música e do cinema, até o início da década de 1990 deu à Aids a imagem de doença fatal, sem cura ou tratamento. Como se não bastasse, o HIV foi associado negativamente à homossexualidade, sendo chamado inclusive de “câncer gay”. Tudo isso contribuiu ainda mais para criar uma aura nebulosa em torno da doença e dificultar ainda mais a socialização das pessoas infectadas com o vírus.

O tempo passou, a medicina evoluiu e com ela o tratamento da Aids ganhou novos ares, dando aos soropositivos a possibilidade de levar uma vida normal. Os coquetéis de medicamentos conseguem diminuir drasticamente os danos causados pelo vírus no organismo, estendendo a expectativa de vida da pessoa.

Mas, se tem uma coisa que não apresentou grandes mudanças nesse período foi o conhecimento das pessoas em relação à doença. E isto pode ser visto na história de vida das pessoas soropositivas que vivem normalmente, mas acabam encontrando resistência e preconceito em relação à sua condição.

Henrique Matoso, 51 anos, contou sua história com exclusvidade para o Vivo Mais Saudável e chamou a atenção para o fato de que é possível conviver bem com a Aids, mas que o mais difícil é lidar com o desconhecimento das pessoas.

Henrique Matoso - soropositivo

Sou soropositivo... E agora?

Foi durante uma crise de toxoplasmose que Henrique descobriu a doença, com apenas 35 anos de idade. Como em quase todos os casos, a descoberta foi um grande choque. “Eu pensei o que todos pensavam sobre a pessoa soropositiva naquela época: vou morrer!”, afirma, lembrando que apesar do susto ele nunca teve problema em pensar que um dia morreria: “Minha primeira atitude foi fazer planos para viver melhor no plano espiritual”. 

Foram os familiares de Henrique que contaram para ele sobre a contaminação pelo vírus HIV, revelação que veio junto com o apoio de todos. “Quando minha consciência voltou após a crise (mais ou menos 10 dias depois), eles é que me contaram que eu era soropositivo. Tanto minha família quanto meus amigos abraçaram a causa e esse apoio foi o diferencial”, destaca, ressaltando que não se sentiu culpado por ter contraído a doença. 

Henrique lembra ainda que na ocasião era mais difícil lidar com a Aids e, principalmente, com as outras pessoas quando se declarava soropositivo. “Há 16 anos não se sabia muito a respeito da doença, apenas que era uma espécie de câncer gay. Isso era fruto da ignorância das pessoas”. 

Evoluções no tratamento para um soropositivo 

Não foram somente os avanços no tratamento da doença que facilitaram a vida da pessoa soropositiva. A maneira como as instituições públicas passaram a lidar com esta questão também contribuiu para mudar o quadro. “Posso até dizer que a minha vida ficou um pouco ‘melhor’, pois eu passei a receber benefícios, pude me aposentar e usufruir de direitos aos quais antes as pessoas não tinham acesso”. 

Atualmente, segundo Henrique, “a limitação não está no tratamento, e sim na cabeça de cada um. Eu sou soropositivo desde antes do coquetel (o que era uma sentença de morte)”. Ele lembra que sempre recebeu apoio das instituições públicas. “Fui muito bem assistido, e por mais incrível que pareça, o Brasil se posicionou muito bem com relação à assistência médica”. 

Henrique Matoso - soropositivo

Segue em sentido contrário, no entanto, o preconceito e reação da sociedade em relação aos portadores de HIV. Segundo Henrique, estes aspectos ainda precisam evoluir muito. “As pessoas são preconceituosas, isso está na natureza delas. E elas são também muito ignorantes, o que está ligado à própria evolução, pois o nível ainda é muito baixo”. 

Um dos grandes mitos em relação à pessoa soropositiva está ligado à vida sexual, o que Henrique trata logo de afirmar: “A vida sexual existe enquanto se é sexual, e nenhum vírus 'invisível' vai atrapalhar. O que bloqueia sempre é gente desinteressante, pois os cuidados devem ser os mesmos para qualquer um”. Ele ainda mandou um recado que serve para todos: “Cuidem-se espiritualmente, pois assim nos tornamos imbatíveis”. 

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aids
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