Dr. Elge Werneck Araújo Júnior

ESPECIALIDADE

Oncologia Clínica

ONDE ATENDE

Grupo Paulista de Oncologia - GPOI e Hospital 9 de Julho

Dr. Elge Werneck Araújo Júnior

Apresentação

Oncologista da Clínica de Oncologia e Hematologia de São Paulo;

Oncologista no Grupo Paulista de Oncologia e Hospital 9 de julho;

Além da carreira médica, atua como professor, colunista, palestrante e escritor;

Trabalha com prevenção, detecção precoce do câncer e com atendimento humanizado;

É co-autor do livro 'Câncer e Prevenção' pela MG Editora (2013).

O que Trata

Prevenção, detecção precoce do câncer e atendimento humanizado.

Formação Acadêmica

Graduação – Faculdade de Medicina de Barbacena;
Residência em Clínica Médica no Hospital Luxemburgo, BH;
Residência em Cancerologia Clínica no Hospital Felício Rocho, BH;
Possui diversos cursos em Universidades Americanas, entre elas a Universidade de Yale e a Universidade da Filadélfia, além de imersões em centros no exterior, incluindo o maior Centro de Oncologia do mundo, o MD Anderson Cancer Center.

Cargos e Títulos

Oncologista clínico;

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica desde Agosto/2011.

Especialidades

06/04/2015 06:00 - Atualizado em 23/11/2016 08:48

Oncologista fala sobre os avanços da medicina contra o câncer

"Para exemplificar o que há de mais moderno nesse cenário e que, a cada dia, ganha mais pesquisas com perspectivas animadoras é o que chamamos de terapia alvo", conta o médico Elge Werneck Araújo Júnior.

POR

Dr. Elge Werneck Araújo Júnior

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Dia 8 de abril, Dia Mundial de Luta Contra o Câncer! Segundo estimativas do Inca - Instituto Nacional do Câncer, em 2014, o Brasil registrou a ocorrência de aproximadamente 576 mil casos novos de câncer, cenário esperado também para 2015.

Nos números divulgados pelo Instituto, estão relacionados: tipo não melanoma (182 mil casos novos), indicado como o mais incidente na população brasileira; seguido pelos tumores de próstata (69 mil), mama feminina (57 mil), cólon e reto (33 mil), pulmão (27 mil), estômago (20 mil) e colo do útero (15 mil). No enfrentamento da doença, profissionais e órgãos de saúde fazem monitoramento continuado dos programas de prevenção e controle, além de incessantes pesquisas.

O Vivo Mais Saudável, traz para você os principais avanços no combate ao câncer em entrevista com o oncologista Elge Werneck Araújo Júnior.


1) Quais são os principais avanços da medicina para o tratamento do câncer?

Há inegáveis avanços na oncologia, melhorando o resultado dos tratamentos em quase todas as neoplasias. Mas para exemplificar o que há de mais moderno nesse cenário e que a cada dia ganha mais pesquisas com perspectivas animadoras é o que chamamos de terapia alvo.

O princípio desse tratamento decorre do desenvolvimento de moléculas (geralmente anticorpos monoclonais) específicas capazes de bloquear/inibir a atividade da célula tumoral, através de sua ligação com áreas específicas nas células doentes. Essa proposta traz, conceitualmente, maior efetividade da droga, uma vez que esta será direcionada apenas àquelas células neoplásicas e consequentemente, menor toxicidade, já que não tem afinidade por células sadias.

 

2) Recentemente, o Vivo Mais Saudável acompanhou o anúncio do laboratório francês 'Ecrins Therapeutics' na descoberta de uma nova molécula capaz de penetrar no tumor maligno e impedir a divisão e o crescimento das células cancerígenas. Novos testes em humanos então previstos para 2016. O que esta notícia representa?

Esse achado não difere muito daquilo que acontece com os quimioterápicos disponíveis. Estes, de uma forma geral, penetram na célula e seja por alterações no DNA, no processo de replicação dentre outros, inibem a replicação tumoral. O que observamos com essas drogas é que durante certo tempo há a eficácia desejada, porém quase invariavelmente essas células desenvolvem algum mecanismo de resistência, e é isso que faz com que na minoria das vezes ocorra o desaparecimento de todo o câncer. A descoberta desses mecanismos de resistência ampliaram o cenário terapêutico e suas perspectivas, porém ainda estamos longe de compreender totalmente o que ocorre com essas células e como elas são capazes de enganar vários mecanismos de morte (que são oferecidos através dos quimioterápicos).

Leia aqui sobre a descoberta do laboratório francês

3) O que já foi comprovado cientificamente como eficaz na prevenção do câncer que seja importante para a população entender, refletir sobre e mudar hábitos?

Prevenção deveria ser o principal tema abordado em oncologia, visto que por mais eficaz que seja qualquer tratamento, nada supera aquilo que evita a ocorrência da doença. Dentre o mais importante em prevenir o câncer, encontra-se o hábito de não fumar.

Responsável diretamente por 90% dos casos de câncer de pulmão, um dos mais letais e aquele líder de mortalidade em todo o mundo, o tabagismo é visto como a principal causa evitável de morte em todo o mundo. Além de aumentar o risco do câncer de pulmão, neoplasias de boca, cabeça e pescoço, esôfago, estômago, bexiga dentre outros estão entre aqueles relacionados ao tabagismo.

Existe uma relação entre exposição e risco: quanto mais tempo e quanto maior a carga tabágica, maior o risco do desenvolvimento de câncer. Seu efeito é tão devastador que pacientes sofrem consequências de sua utilização mesmo após 10 anos de interrupção do ato de fumar.

Um segundo tema e tão importante quanto é a prática regular de exercícios físicos. Inúmeros estudos confirmam que aqueles indivíduos que praticam atividade física de forma rotineira tem um menor risco do desenvolvimento de vários tipos de câncer, entre eles pulmão, cólon, próstata. Mais recentemente uma publicação mostrou que não apenas a prática regular, mas principalmente o condicionamento cardiovascular relaciona-se com a redução de mortalidade por câncer. É apenas mais um dado que vem alimentar a hipótese de que o processo inflamatório das neoplasias podem ser evitados pelo melhor condicionamento físico.

Avalie como está o seu Condicionamento Físico

Leia também: Atividade Física por Drauzio Varella

Outro cuidado capaz de reduzir a incidência de câncer é a cautela com a exposição ao sol. Não há dúvidas de que o melanoma, tipo de câncer de pele mais agressivo, tem como principal fator de risco a exposição crônica aos raios UVA e UVB, decorrentes principalmente da ação do sol. Uso de filtro solar sob orientação médica e proteção mais vigorosa nos horários de maior intensidade desses raios são alguns dos cuidados que podem ser eficazes na prevenção dos tumores cutâneos.

Outro fator de risco a ser considerado é a ingestão de substâncias cancerígenas. Centenas de estudos tentam relacionar o consumo de determinado alimento com câncer. Embora a maioria desses estudos tenha falhado em achar uma relação forte entre eles, algumas substâncias parecem realmente correlacionar-se com a gênese tumoral.

Dietas ricas em sal e câncer gástrico; dietas ricas em gorduras saturadas e câncer de mama e cólon; uso de chás em alta temperatura e câncer de boca e esôfago: esses são apenas alguns exemplos de uma série de tumores que parecem ocorrer mais comumente naqueles que ingerem determinadas substâncias. Devido à extensão do tema e as dúvidas relativas ao real impacto de determinado agente à doença, fica a orientação de dieta balanceada, sempre evitando exageros e restrições radicais, exceto às orientações do seu médico.

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4) Quais são os principais mitos sobre o câncer e como esclarecer cada um deles?

Outro tema bastante complexo e extenso. Vamos falar aos poucos aqui no Vivo Mais Saudável sobre esses mitos e tentando esclarecê-los. Acho que inicialmente nada mais oportuno do que esclarecer uma das perguntas mais ouvidas no consultório:

"_Doutor, todo câncer é genético? E hereditário?"

Vamos lá: o conceito de hereditário vem de tudo aquilo de trazemos de nossos pais. Já genético decorre daquilo que vem dos genes, estruturas fundamentais no funcionamento celular.

Posto isso, afirmo que todo câncer tem um fundo genético, isto é, as alterações que uma célula sofre para que se desenvolva erroneamente e comporte-se como uma neoplasia maligna decorre de alterações nos genes daquela célula, o que obrigatoriamente altera o seu funcionamento normal. Essa alteração genética pode ser hereditária, sim, embora isso represente aproximadamente 10% de todos os casos. Os 90% dos casos restantes advém de mutações genéticas adquiridas no decorrer da vida.

Assim sendo, todo câncer é genético, enquanto nem sempre é hereditário.

 

5) Houve algum caso de cura do câncer que o marcou mais? Poderia relatá-lo para motivar outros pacientes que estão em tratamento contra a doença.   

Falar em cura de câncer é um tema um pouco delicado, visto forte mito ainda existente sobre as pequenas chances disso ocorrer. Posso garantir que temos vivido ano após ano uma progressão no sucesso terapêutico, decorrente da melhoria das técnicas e opções terapêuticas associada ao diagnóstico cada vez mais precoce.

Vou citar uma caso simples e comum e que, para nossa sorte, a cada dia faz mais parte de nossa prática médica. Uma paciente jovem com 38 anos resolveu fazer seguimento com um mastologista desde seus 35 anos, já que sua mãe teve câncer de mama aos 48 anos de idade.

Esse cuidado tomado pela filha da paciente permitiu que a mesma tivesse o sucesso que sua mãe não teve. Utilizando anualmente a mamografia como rastreamento do câncer de mama, ela foi diagnosticada com a neoplasia restrita à mama. Foi operada, com possibilidade de preservação de grande parte da mama, sendo submetida sequencialmente à quimioterapia e radioterapia de prevenção (adjuvante). Completou em novembro passado 7 anos do término do tratamento e tem grandes chances de estar livre, definitivamente, dessa doença.

Um detalhe: essa paciente seguirá em cuidados oncológicos e rastreamento de novas neoplasias ou recidiva por tempo indeterminado, já que ela possui um risco alto de ser novamente acometida pelo câncer. Embora esse seguimento não impeça que a doença reapareça ou se inicie novamente, certamente oferecerá a ela, novamente, grandes chances de cura.

Nos meus próximos textos, falarei mais sobre a necessidade de prevenção, os cuidados específicos para cada doença e de como o mundo da oncologia tem se tornado mais próspero.

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