Especialidades

19/08/2014 02:48 - Atualizado em 09/11/2016 02:50

Oncofertilidade ajuda sobreviventes de câncer a ter filhos

Diversos métodos de oncofertilidade aumentam as chances de gestação após a doença.

POR

Redação

  • +A
  • -A

Casar, ter filhos, constituir família. Esse é o sonho de grande parte das pessoas quando chegam à idade adulta, mas que nem sempre pode ser realizado. Doenças como o câncer exigem um tipo de tratamento que é capaz de reduzir ou anular a fertilidade de homens e mulheres. Buscando auxiliar estas pessoas na realização de seus desejos e na construção de uma vida sem barreiras da doença, surgiu a oncofertilidade.

- oncofertilidade -

A ideia da oncofertilidade é bastante ampla, por oferecer uma série de possibilidades de tratamento aos sobreviventes do câncer. “A oncofertilidade busca mesclar os conhecimentos em oncologia e endocrinologia reprodutiva, com a contribuição das técnicas de reprodução assistida, para o desenvolvimento de estratégias”, explica o ginecologista Bruno Ramalho de Carvalho.

Escolhendo o tratamento de oncofertilidade 

Para a escolha de qual a modalidade ideal de tratamento, são analisados alguns fatores determinantes, como a idade do paciente quando foi diagnosticado com câncer, a idade na época estimada para remissão da doença e também na época da procriação. É preciso saber se o paciente possui um parceiro sexual, se há possibilidade de metástases, quantos filhos já nascidos possui e qual o real desejo de uma nova gestação.

Conheça algumas possibilidades da oncofertilidade:

Proteção hormonal

Este método é realizado através da administração de hormônios liberadores de gonadotrofinas. Baseia-se na estimulação ovariana, à exemplo do que ocorre de modo natural no período pré-puberal, quando os ovários da menina estão em repouso funcional. É um dos formatos mais antigos de tratamento e tende a cair em desuso com o avanço da medicina de fertilização. O ponto positivo da proteção hormonal é que ela não se utiliza de estrutura cirúrgica e não afeta os tumores.

Transposição dos ovários

A cirurgia é considerada uma estratégia exclusiva para pacientes que realizarão tratamento com radioterapia de forma exclusiva. A transposição ocorre da seguinte forma: os ovários são retirados de sua posição original e elevados, ficando próximos aos polos renais inferiores. Assim, os órgãos ficam fora da pelve e de um possível campo de foco da radiação.

Congelamento de embriões

É o método de preservação de fertilidade mais utilizado em todo o mundo. O tratamento implica na existência de um parceiro sexual ou de um doador de sêmen. O método possui sobrevivência embrionária ao descongelamento de 80% e nascidos vivos em 22% a 32% dos casos, de acordo com Carvalho. Esse tipo de estratégia de oncofertilidade permite que os embriões sejam utilizados sem data definida de validade.

Resultados da oncofertilidade


A oncofertilidade é um processo que busca, acima de tudo, a qualidade de vida do paciente. “Os maiores benefícios quando se fala em preservação da fertilidade depois de um câncer são os psicoemocionais, já que a impossibilidade da maternidade biológica é motivo de grande angústia e realça a impotência sentida perante uma doença em geral grave”, explica Carvalho.

É preciso deixar claro que existem possibilidades de insucesso nos tratamentos de fertilização pós-câncer e que não há garantias de proteção total aos gametas e aos órgãos. A chave para o sucesso do processo é a interdisciplinaridade: ginecologistas, oncologistas, psicólogos e demais agentes de saúde trabalhando juntos pelo bem do paciente com câncer.

TAGS
câncer
oncologia
fertilidade
reprodução

Comentários

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

SERVIÇOS PARA VOCÊ