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17/03/2016 08:53 - Atualizado em 03/12/2016 08:29

Liraglutida, remédio contra obesidade, pode fazer mal

Medicamento pode trazer prejuízos ao organismo, se administrado por muito tempo.

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Redação

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Depois de ser aprovado como tratamento auxiliar para controle do peso em adultos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no final do mês passado (29/2), o medicamento liraglutida pode estar com seus dias contados.

Um experimento feito com o remédio, criado inicialmente para combater o diabetes tipo 2, comprovou que, se administrada por muito tempo, a droga pode causar trazer problemas para o organismo. Entenda o caso.

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Liraglutida pode destruir células do pâncreas

Um estudo publicado na edição do mês passado da revista "Cell Metabolism", assinado por pesquisadores da Universidade de Miami (Estados Unidos) e do Instituto Karolinska (Suécia), mostrou que o uso da liraglutida pode ser prejudicial no longo prazo.

O experimento, feito em camundongos, indicou que, mesmo após obterem uma melhora inicial, células do pâncreas apresentam esgotamento após uso prolongado da droga.

Usada para simular o funcionamento do hormônio humano GLP-1, que estimula a liberação de insulina por células-beta do pâncreas, o medicamento mostrou que, após um período de oito meses de testes, sua capacidade de produção da substância acaba.

A fim de aproximar o metabolismo dos roedores com o do homem, os cientistas utilizaram cobaias humanizadas, como são chamadas no jargão biomédico. A estratégia consiste em simular ao máximo os possíveis efeitos do medicamento no nosso organismo. Nesse caso, foram implantadas células-beta humanas nos globos oculares dos camundongos.

Segundo os pesquisadores, o resultado do estudo é preocupante, mas ainda não permite dizer se o mesmo problema deve ocorrer com humanos em condições reais de tratamento pela droga. A Anvisa, em seu site, esclarece que a segurança do produto continuará sendo monitorada com estudos pós-comercialização, que estão em andamento.

Medicamento está no mercado há 6 anos

Se somente agora foram feitas descobertas sobre possíveis malefícios da liraglutida no auxílio ao controle do peso em adultos, o medicamento usado como tratamento para o diabetes do tipo 2 já está no mercado há algum tempo.

Em 25 de janeiro de 2010, a droga foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, e desde então é comercializada por lá. Países como Canadá, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Japão, Israel, México, Argentina e China aprovaram logo depois. No Brasil, o remédio foi aprovado pela Anivsa, para esse fim, em 2011.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 7,6 milhões de brasileiros convivem com o diabetes, sendo que 90% dos pacientes têm o tipo 2. Enquanto não houver evidências concretas de prejuízos à saúde, o medicamento segue sendo usado para o tratamento da doença.

Para o o diretor médico da Novo Nordisk, Marcelo Freire, a liraglutida ajuda a evitar riscos comumente associados ao diabetes e responsáveis por complicações graves. “ Ela promove a perda de peso, por retardar o esvaziamento gástrico e aumentar a sensação de saciedade após as refeições, e ainda baixa a pressão arterial, o que a torna um medicamento diferenciado”, completa.

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