Especialidades

15/02/2016 11:53 - Atualizado em 06/12/2016 04:37

Governo do RS proíbe uso de larvicida por suspeita de microcefalia

Pesquisadores argentinos fizeram alerta sobre possível relação entre o produto e a malformação em bebês.

POR

Redação

  • +A
  • -A

Após suspeitas da relação entre o larvicida piriproxifeno (Pyriproxyfen, em inglês) e os recentes casos de microcefalia no Brasil, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul suspendeu o uso do produto. A substância é utilizada para combater o mosquito Aedes aegypti.

A aplicação do veneno em caixas d'água e em outros pontos faz parte das medidas adotadas pelo Ministério da Saúde no combate à proliferação do mosquito transmissor de doenças como dengue, chikungunya e zika vírus.

larvicida - larvas de aedes aegypti em tubo de ensaio

Larvicida pode ter relação com microcefalia

A hipótese da possível relação do piriproxifeno com os casos de microcefalia foi levantada pelos pesquisadores argentinos da Physicians in the Crop-Sprayed Towns (PCST). Eles afirmam que a substância pode contribuir para a malformação cerebral.

O relatório da Rede Universitária de Ambiente e Saúde (REDUAS), organização que reúne estudiosos e pesquisadores para debater sobre o impacto do homem na natureza, afirma que os casos de microcefalia em regiões onde o larvicida passou a ser utilizado na água potável "não são uma coincidência".

Para o Ministério da Saúde, responsável pelo envio do produto para regiões brasileiras, em 2014, não existe nenhum estudo epidemiológico que comprove a associação do uso de piriproxifeno com a síndrome. Além disso, afirma que todos os produtos escolhidos são recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e passam por um rigoroso processo de avaliação.

O governo do Rio Grande do Sul decidiu suspender o uso do larvicida até que estudos sobre a segurança da substância sejam mais conclusivos. "Mesmo que ainda não haja confirmação, só a suspeita nos fez decidir pela suspensão do uso, pois não podemos correr esse risco", afirmou o secretário de Saúde, João Gabbardo dos Reis.

Em nota, a empresa fabricante do piriproxifeno, Sumitomo Chemical, declarou que "não há nenhuma base científica em tal afirmação". Segundo a OMS, o veneno "não é mutagênico, não é genotóxico, não é carcinogênico nem teratogênico. O produto foi submetido a rigorosos testes toxicológicos que não demonstraram efeitos sobre a reprodução, sobre o sistema nervoso central ou periférico".

Colômbia não registra casos de microcefalia

A polêmica sobre a possível relação do larvicida com os casos de microcefalia ficou ainda mais em evidência após o presidente colombiano Juan Manuel Santos afirmar, em uma transmissão na TV, que, entre os 25.645 casos de zika vírus confirmados no país, com 3.177 grávidas infectadas, não há registros de microcefalia.

Segundo dados divulgados no fim de janeiro pelo Ministério da Saúde do Brasil, já foram registrados 3.893 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao zika vírus no país. Desses, 230 já foram confirmados, 282 foram descartados e os demais continuam em investigação. No início de fevereiro, a OMS declarou estado de emergência internacional em função do zika vírus.

A recomendação do Ministério da Saúde para as gestantes é que utilizem repelentes para grávidas, vistam roupas longas e claras, mantenham portas e janelas fechadas e invistam em redes de proteção. Para a sociedade em geral, o apelo do governo é que todos se empenhem na luta contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Qual a sua opinião sobre a suposta relação entre o uso do larvicida e os registros de malformação cerebral nos recém nascidos? Deixe um comentário! E continue acompanhando informações sobre saúde e bem-estar aqui no Vivo Mais Saudável.

TAGS
piriproxifeno
zika vírus
Aedes aegypti
dengue

Comentários

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

SERVIÇOS PARA VOCÊ