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16/10/2015 06:51 - Atualizado em 07/11/2016 04:24

Entenda a polêmica da fosfoetanolamina, suposta arma contra o câncer

Não existe comprovação científica para os efeitos da substância.

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Redação

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A fosfoetanolamina é uma substância que foi sintetizada em 1980 por um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP). Supostamente, ela apresentou melhoras em pacientes com câncer.

Apesar de a droga não ter sido regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não possuir comprovação dos seus efeitos, alguns pacientes entram na justiça para conseguir a liberação do produto.

Como a substância não passou pelas etapas de testes necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, não existem evidências científicas de que seja eficaz no combate ao câncer ou segura para o consumo humano. Em nota, a USP informou que a fosfoetanolamina não é um remédio, mas um produto químico, e que não há comprovação de ação efetiva contra a doença.

fosfoetanolamina

O que é fosfoetanolamina

A fosfoetanolamina é uma versão sintetizada de uma molécula existente no organismo humano. A substância passou a ser produzida em laboratório por Gilberto Orivaldo Chierice, químico e pesquisador da USP, em 1980, com a hipótese de que ela teria uma ação anticancerígena.

Hoje aposentado, o professor desenvolveu um método próprio para sintetizar a substância, com a proposta de que ela seria uma defesa natural do corpo contra o câncer. Antes de entrar na corrente sanguínea, a droga é metabolizada no fígado, formando um composto com a participação de um ácido graxo, que teria potencial de atacar as células do tumor.

O composto faz com que as mitocôndrias mandem um sinal para o organismo de que as células cancerosas devem ser destruídas. Com o sinal, células NK (natural killer) atacam os tumores, diminuindo-os ou até mesmo fazendo-os desaparecer.

Entenda a polêmica da substância

Para regulamentar e liberar o consumo de um medicamento, é feito um longo processo que testa a segurança e as possíveis propriedades terapêuticas, envolvendo várias etapas de pesquisa. No caso da fosfoetanolamina sintética, essas etapas não foram cumpridas, passando apenas por estudos iniciais em células e em animais.

Para ser aprovada, a droga ainda deveria ter passado por pelo menos mais três fases de estudos em humanos - para se comprovar se ela realmente funciona, se é segura e quais os possíveis efeitos colaterais.

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Apesar da não realização dos testes necessários, as cápsulas começaram a ser administradas em pacientes com câncer do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú-SP, segundo Chierice. O pesquisador ainda diz que, apesar da falta de documentação sobre o efeito da fosfoetanolamina nesses pacientes, alguns tiveram melhora na saúde.

Após a aposentadoria do pesquisador, o hospital deixou de administrar a droga nos pacientes. Porém, alguns familiares têm entrado na justiça para conseguir novas doses, por acreditarem que ela age contra a doença. O Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) só continua produzindo a substância devido às demandas judiciais.

Com isso, centenas de pacientes continuam consumindo uma droga com efeitos desconhecidos, tanto positivos quanto negativos. Além disso, não existe registro sobre quantas pessoas já recorreram à substância e nem sobre o que ela causou organismo desses pacientes.

O que você acha desse assunto? Será que vale tudo na luta contra o câncer, ou é preciso cautela? Deixe sua opinião nos comentários! E aproveite para conferir outras dicas de saúde aqui no Vivo Mais Saudável.

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