Criança

17/08/2015 09:00 - Atualizado em 01/12/2016 04:13

Síndrome de West pode ser tratada com derivado da maconha

Forma de epilepsia grave é causada por disfunções orgânicas do cérebro.

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Redação

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Disfunções orgânicas no cérebro do bebê podem ocasionar um quadro de epilepsia grave chamado de síndrome de West. O nome remete ao médico inglês William James West, que relatou a condição pela primeira vez, em 1841.

A bibliografia médica registra que West escreveu uma carta ao editor do periódico científico The Lancet apresentando o problema de seu filho. Ele tinha espasmos em flexão, que se repetiam diariamente em ataques que iam de dez a 20 contrações, o que acarretou no retardo mental da criança, apesar de todas as tentativas de tratamento.

Como se manifesta

A disfunção cerebral que resulta na síndrome de West pode ter origem tanto na gestação quanto durante o nascimento ou logo após o parto. Geralmente, ela se manifesta entre o quarto e o sexto mês de vida do bebê. A prevalência é maior entre os meninos, numa taxa de dois meninos para cada menina com a síndrome.

sindrome de west crianca com cerebros

O eletroencefalograma é fundamental para o diagnóstico. Ele apresenta desorganização marcante e constante da atividade basal, com ondas de grande amplitude, lentas e pontas-ondas lentas, num traçado anárquico chamado de hipsarritmia.

Os sinais clínicos da criança com síndrome de West são o atraso no desenvolvimento, além da ocorrência de espasmos. Durante as crises, a criança tem flexões súbitas da cabeça, com abdução dos membros superiores e flexão das pernas. Gritos são comuns. As ocorrências duram alguns segundos, mas se repetem várias vezes ao dia, podendo passar de cem.

As crises diminuem e acabam desaparecendo por volta do quarto ou quinto ano de vida, mas, mesmo nos casos tratados precocemente, 90% das crianças acabam ficando com deficiência mental. Distúrbios psiquiátricos também são comuns.

Os espasmos frequentes podem acarretar ainda em complicações respiratórias e deformidades, principalmente nos braços e nas pernas, e podem surgir outras síndromes epiléticas.

Síndrome de West e o canabidiol

O tratamento dos espasmos provocados pela síndrome de West passa por anticonvulsionantes e pode ser feito com o uso intensivo de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) na forma injetável. O uso do ACTH, no entanto, costuma ter graves efeitos colaterais, pois os corticoides podem atingir também o sistema imunológico da criança.

Recentemente, a síndrome de West ganhou repercussão na imprensa por conta da polêmica em torno da importação de canabidiol, uma substância derivada da maconha, sem os efeitos psicoativos da planta. Na Espanha, uma mãe relatou ao jornal El Mundo, em maio de 2015, que o seu filho, de dois anos, foi curado após usar o remédio.

Famílias brasileiras já haviam sido autorizadas a importar a droga para o tratamento da síndrome e relataram redução significativa dos espasmos, com efeitos colaterais muito reduzidos. O uso do canabidiol foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início deste ano.

Em julho, a Receita Federal passou a isentar a droga do imposto de importação. A regra vale para outros remédios não produzidos no país, e livra os usuários desses medicamentos de desembolsar 60% a mais sobre o valor do produto, que ficava retido na alfândega. Agora, o medicamento chega à casa do comprador normalmente, por meio de serviços de entrega.

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