Criança

06/07/2015 07:22 - Atualizado em 08/12/2016 07:30

Entenda a diferença entre APLV e intolerância à lactose

Médico pediatra esclarece a diferença entre as duas condições e dá dicas de como identificar os problemas.

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Redação

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Tanto a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) quanto a intolerância à lactose são causadas pelo consumo de leite de origem animal. Porém, as duas condições possuem diferenças que podem causar dúvidas.

O médico pediatra Tadeu Fernando Fernandes, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), conversou com o Vivo Mais Saudável sobre as peculiaridades da APLV e deu dicas de como lidar com a condição.

APLV

APLV x Intolerância à lactose

O pediatra esclarece que a alergia à proteína do leite de vaca é um problema comum em lactentes, bebês que ainda mamam no peito. Geralmente, as manifestações clínicas ocorrem durante os primeiros seis meses de vida, com prevalência que varia de 2% a 5%.

"Essa é uma doença inflamatória secundária à reação imunológica contra uma ou mais proteínas do leite de vaca. Acomete, principalmente, o aparelho digestório e a pele", explica Dr. Fernandes. A APLV reage no sistema imunológico, principalmente, à proteína do coalho (caseína) e às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina).

O médico pediatra cita os principais sintomas da APLV:

- Regurgitação e vômitos

- Irritabilidade

- Cólicas

- Dermatite

- Sangue nas fezes

- Proctite

- Dificuldade em ganho de peso.

"As consequências são óbvias sobre a qualidade de vida, o crescimento e o desenvolvimento", adiciona o especialista.

Já a intolerância à lactose se caracteriza pela impossibilidade de digestão dos produtos lácteos - ou seja, leite e seus derivados. Isso ocorre em organismos que não produzem, ou produzem insuficientemente, a enzima lactase. Ela é responsável pela digestão da lactose, o açúcar presente no leite.

A intolerância, diferentemente da alergia, pode se desenvolver em qualquer momento da vida. Os sintomas mais comuns são diarreia, vômitos e dificuldade em ganho de peso.

aplv

Qual o tratamento da APLV?

Segundo o médico pediatra Tadeu Fernando Fernandes, a APLV é transitória. "Cerca de 85% das crianças desenvolvem tolerância até a idade entre 3 e 5 anos, podendo, então, voltar a utilizar o leite de vaca e seus derivados", explica.

O especialista comenta, ainda, que o tratamento consiste no afastamento da criança das proteínas integras do leite de vaca. "Ocorre uma substituição do alimento por uma fórmula infantil, feita com proteínas extensamente hidrolisadas ou fórmulas com a unidade básica da proteína do leite de vaca, o aminoácido", esclarece.

Crianças acima dos seis meses têm a opção, que alguns médicos gostam e outros não, de utilizar o leite de soja.

"A adaptação que pode ser feita no cardápio infantil para garantir uma vida saudável é excluir o leite de vaca e seus derivados, não tem outra saída. É importa trocá-lo por outras fontes de vitaminas, obtidas de outros alimentos", comenta Dr. Fernandes.

Outro alerta do especialista é evitar se deixar levar por modismos. "É preciso evitar que em qualquer regurgitação os pais já taxem a criança de alérgica. Fazer exames em lactentes é desnecessário. O 'teste ouro' para o diagnóstico é a dieta da exclusão", finaliza.

Você convive com restrições alimentares? Mesmo que a privação dos derivados do leite, em um primeiro momento, possa parecer difícil, é possível fazer substituições saborosas e saudáveis no cardápio. Fique sempre de olho nos rótulos dos produtos para evitar o consumo dos derivados do leite. E confira as receitas especiais do Vivo Mais Saudável.

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