Clínica Geral

08/04/2016 11:00 - Atualizado em 04/12/2016 03:49

Saiba quando um paraplégico pode voltar a andar

Medicina avança, mas técnicas para reversão do quadro ainda são experimentais.

POR

Redação

  • +A
  • -A

O maior sonho de um paraplégico é voltar a andar. No entanto, em muitos casos a paraplegia é irreversível, cabendo aos pacientes se adaptarem ao novo estilo de vida, utilizando os recursos disponíveis.

Apesar disso, técnicas para a reversão do quadro vêm sendo experimentadas - algumas com relativo sucesso, outras nem tanto. Conheça um pouco mais dessa condição que atinge 0,5% das cerca de 1 bilhão de pessoas portadores de deficiência (PPD) no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

menino paraplégico em cadeira de rodas

Causas da paraplegia

Segundo o presidente da Sociedade de Ortopedia e Traumatologia do Rio de Janeiro (SBOT-RJ), o médico Marcos Giordano, a paraplegia é o resultado da interrupção da transmissão de estímulos nervosos motores e sensitivos para os membros inferiores e para parte do tronco. “Essa condição é decorrente de uma lesão ou alteração da medula espinhal”, explica o especialista.

Em lesões medulares completas, há também disfunção esfincteriana, com alterações urinárias e intestinais.

Entre as principais causas da paraplegia está a lesão traumática da medula espinhal, que ocorre em casos de acidentes de grande energia, com fraturas ou deslocamentos da coluna vertebral. Outros motivos possíveis são as doenças infecciosas do neuroeixo, as malformações vasculares, as compressões extrínsecas - como tumores - e algumas alterações ósseas não traumáticas.

Situações reversíveis e irreversíveis

A paraplegia pode ser reversível. Tudo dependerá de cada caso, conforme explica o também chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG). “Quando não há secção completa da medula espinhal, como nos casos de lesões parciais menores, compressões extrínsecas e infecções adequadamente tratadas, pode, sim, haver reversão”, completa Giordano.

Essa reversão do quadro está diretamente relacionada ao rápido e adequado tratamento do fator causal. Já as lesões completas da medula, com os conhecimentos atuais que se têm, ainda acarretam paralisia irreversível.

De acordo com o especialista, os estudos em andamento com células-tronco não se mostraram capazes de demonstrar qualquer sinal de recuperação motora dos pacientes. Nesses casos mais graves, o tratamento adequado permanece sendo a adaptação do indivíduo à nova modalidade de vida, e o aprendizado na utilização dos recursos disponíveis.

Procedimento dá esperança a paraplégicos

No entanto, apesar dessa ausência comprovatória de eficácia, a ciência não desiste, e uma nova técnica pode fazer com que um paraplégico volte a andar. Um estudo de 40 anos, desenvolvido em parceria entre Inglaterra e Polônia, conseguiu reparar a medula espinhal com o transplante de células provenientes da cavidade nasal.

O experimento, realizado por cientistas da Instituto de Neurologia da University College London e do Wroclaw Medical University, fez com que um ex-bombeiro voltasse a sentir movimentos da cintura para baixo.

O paciente, que se tornou paraplégico após ser esfaqueado, conseguiu voltar a andar com a ajuda de andadores. Isso aconteceu graças à inserção de fibras nervosas do sistema olfativo, que se renovam continuamente, e do tecido nervoso do calcanhar, também retiradas do rapaz.

Esse novo componente foi injetado onde havia a lesão na medula espinhal, criando assim uma espécie de ponte entre as partes que estavam danificadas. Apesar do sucesso, o experimento ainda precisa de mais voluntários para confirmar se o tratamento responderá da mesma forma.

Gostou do artigo? Então aproveite para compartilhar as informações nas redes sociais! E não se esqueça de conferir outras dicas de saúde e bem-estar aqui no Vivo Mais Saudável.

TAGS
paraplegia
células-tronco
medula
deficiência física

Comentários

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

SERVIÇOS PARA VOCÊ