Clínica Geral

21/12/2015 05:00 - Atualizado em 31/10/2016 04:12

Pílula do câncer: Governo pretende investir em pesquisa

Desenvolvida por pesquisadores da USP, a substância não possui comprovações científicas sobre os seus efeitos contra a doença.

POR

Redação

  • +A
  • -A

A fosfoetanolamina, conhecida como pílula do câncer, foi desenvolvida em 1980 por um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e, supostamente, apresentou melhoras em pacientes com a doença. Depois de muitas polêmicas sobre a substância e seus possíveis efeitos, o governo decidiu investir em pesquisas para investigar os reais benefícios da droga.

A pílula vem sendo usada por muitos pacientes com câncer por meio de demandas judiciais, mesmo sem a autorização ou a regulamentação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

pílula do câncer

Entenda a polêmica da pílula do câncer

A fosfoetanolamina não é considerada um medicamento, mas sim um produto químico desenvolvido a partir da sintetização de uma molécula existente no organismo humano. A substância passou a ser produzida em laboratório por Gilberto Orivaldo Chierice, químico e pesquisador da USP, em 1980, com a hipótese de que ela teria uma ação anticancerígena.

Inicialmente, o Instituto de Química da USP de São Carlos utilizava a pílula do câncer em tratamentos experimentais. Porém, após a aposentadoria do pesquisador que desenvolveu a droga e o fim dos seus testes, pacientes passaram a entrar com ações judiciais para consegui-la. Atualmente, a universidade produz as pílulas somente para os casos de solicitação jurídica.

Para regulamentar e liberar o consumo de um medicamento, ele precisa passar por um longo processo de testes para assegurar as suas possíveis propriedades terapêuticas e seus efeitos colaterais, envolvendo várias etapas de pesquisa. No caso da suposta pílula do câncer, essas etapas não foram cumpridas, havendo apenas estudos iniciais em células e em animais.

Apesar de a substância não ter sido regulamentada pela Anvisa e não possuir comprovação dos seus efeitos, alguns pacientes conseguiram a liberação do produto com ações na Justiça em 2015, mesmo sem evidências científicas de que seja eficaz no combate ao câncer. Também não se sabe se a fosfoetanolamina é segura para o consumo humano.

Saiba Mais
Conheça os principais efeitos colaterais da quimioterapia
Acroleína das gorduras pode causar câncer
Muito além da quimioterapia. Entenda o tratamento sistêmico do câncer

Novas pesquisas sobre a pílula

Após toda a polêmica acerca da pílula do câncer, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação informou que vai investir R$ 10 milhões em pesquisas para investigar se a substância realmente tem potencial para tratar o câncer e quais são seus efeitos colaterais. A proposta é que Instituto do Câncer e a Fiocruz participem dos trabalhos, com o acompanhamento da Anvisa.

O formato de pesquisa apresentado pelo governo prevê a análise da molécula e a realização de estudos não clínicos até eventual realização de pesquisa clínica. Para que uma droga seja administrada de forma eficaz e sem colocar a vida dos pacientes em risco, esses testes são essenciais.

As novas pesquisas buscam determinar os efeitos colaterais, a melhor administração e as indicações da pílula do câncer.

O que você achou da notícia? Deixe um comentário! E aproveite para conferir outras dicas de saúde aqui no Vivo Mais Saudável.

TAGS
fosfoetanolamina
USP
efeitos colaterais
cura do câncer

Comentários

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

SERVIÇOS PARA VOCÊ