Clínica Geral

02/07/2014 09:00 - Atualizado em 27/10/2016 10:57

Mosquito transgênico é nova arma contra dengue

Empresa foi liberada para começar a produção do mosquito transgênico no Brasil.

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Redação

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Recentemente a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) do Brasil deu um parecer que pode encaminhar a comercialização do mosquito transgênico. Esse termo aparentemente bizarro pode ser uma revolução no combate à dengue e, de maneira gradual, acabar com o Aedes aegypti, mosquito transmissor.

O que é um mosquito transgênico?

Foto: Shutterstock

Foto: Shutterstock

Normalmente, associa-se a condição de “transgênico” a sementes para a produção mais eficaz de alimentos. Os mosquitos geneticamente modificados são uma produção da empresa britânica Oxitec e receberam a aprovação do CTNBio para colocarem em comercialização sua criação.

Eles foram desenvolvidos para erradicar a dengue, já que são estéreis e, de acordo com os seus produtores, se colocados em contato com as fêmeas de Aedes aegypti (o mosquito transmissor da dengue) na natureza, vão bloquear a reprodução ao copularem. Assim, de maneira gradual, a espécie seria extinta, acabando com a propagação da doença.

Para a liberação do mosquito transgênico, foram realizados testes em bairros da cidade de Juazeiro, na Bahia, que resultaram em uma redução de até 90% no número de insetos transmissores da dengue nessas localidades. No final, o parecer positivo da CTNBio foi de 16 votos a 1, opinando que o seu uso é seguro, tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente. Liberada para colocar o mosquito transgênico no mercado, a Oxitec já tem uma fábrica pronta para produzi-los em grande quantidade, localizada em Campinas, no estado de São Paulo.

Como funciona um mosquito transgênico

Para produzir o mosquito transgênico, os pesquisadores injetam, nos ovos, genes que impedirão os seus filhos de chegarem à idade adulta. Depois, todas as fêmeas são mortas pelos cientistas.

Os machos são, então, levados até uma área onde serão soltos no ambiente. Eles irão cruzar com as fêmeas do local, passando o gene para os futuros filhos.

Com isso, o gene vai impedir que a larva do inseto chegue à idade adulta, pois possui uma proteína tóxica ao mosquito. Dessa maneira, rapidamente a população dessa espécie de inseto poderá ser reduzida no ambiente onde a versão de laboratório for liberada.

Controvérsias sobre o mosquito transgênico

Muitos ambientalistas, no entanto, contestam a garantia de que a liberação não trará prejuízos ao meio ambiente. Margareth Capurro, professora da USP que coordenou o projeto, afirmou publicamente que não acredita em nenhuma implicação séria ao equilíbrio ambiental, uma vez que nenhum outro animal depende dele para sobreviver. Um argumento é de que o mosquito já foi eliminado por causas naturais em várias regiões sem nenhuma consequência grave.

Outros especialistas temem que a extinção do Aedes aegypti vá criar um ambiente ideal para a proliferação de outras espécies que podem ocupar o seu lugar, como o Aedes albopictos, que transmite, além da dengue, a malária e a febre amarela. O risco, segundo eles, é que uma possível mutação crie um vírus ainda mais potente.

Outras experiências com mosquitos transgênicos já foram feitas há alguns anos. Em 2007, anunciou-se um experimento nos Estados Unidos que combatia os transmissores da malária. O mosquito transgênico foi criado com um gene que impedia a infecção pelo parasita da doença. Liberado no meio ambiente, se reproduziria com os espécimes livres e, com o passar do tempo, prevaleceriam os espécimes com esse gene.

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