Clínica Geral

19/02/2016 10:37 - Atualizado em 02/01/2017 06:41

Microcefalia: Fabricante do pyriproxyfen se defende

Sumitomo Chemical e Ministério da Saúde descartaram ligação de produto com a síndrome.

POR

Redação

  • +A
  • -A

A polêmica começou quando uma rede universitária argentina publicou um relatório sugerindo a associação entre os casos de microcefalia e o uso do larvicida pyriproxyfen. O veneno é usado para combater as larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor do zika vírus. O texto foi amplamente divulgado como um estudo de pesquisadores argentinos.

O relatório foi creditado à Physicians in the Crop-Sprayed Villages e divulgado pela Red Universitaria de Salud Ambiental (Reduas), um grupo de acadêmicos, cientistas e profissionais da saúde preocupados com os efeitos de produtos tóxicos, como pesticidas, na saúde humana e no meio ambiente.

Com a repercussão, a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul decidiu, no dia 13 de fevereiro, suspender temporariamente o uso do produto, que costuma ser utilizado em locais sem água encanada, onde há necessidade de armazenamento do líquido sem proteção física.

O secretário da pasta, João Gabbardo dos Reis, afirmou que a decisão foi preventiva, até que se prove que o uso do larvicida não pode causar ou potencializar a situação.

aedes aegypti sem pyriproxyfen

Fabricante do pyriproxyfen se defende

A Sumitomo Chemical, laboratório japonês que fabrica o pyriproxyfen, não demorou a se manifestar. Antes, o Ministério da Saúde, no mesmo dia em que o governo gaúcho anunciou suspender o uso do produto, descartou a possível relação entre o larvicida e os casos de microcefalia.

Segundo o órgão, não há nenhum estudo epidemiológico que comprove essa associação, e o larvicida é um produto aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tendo passado por um rigoroso processo de avaliação da World Health Organization Pesticed Evaluation Scheme (WHOPES).

A nota do ministério também argumenta que houve registro de casos de microcefalia em localidades onde o produto não é usado para combater o mosquito.

A Sumitomo Chemical também recordou os testes aos quais o veneno foi submetido antes de ser aprovado. “Segundo a OMS, o Pyriproxyfen não é mutagênico, não é genotóxico, não é carcinogênico nem teratogênico. O produto foi submetido a rigorosos testes toxicológicos que não demonstraram efeitos sobre a reprodução, sobre o sistema nervoso central ou periférico”, diz a companhia em nota à imprensa.

Apesar das respostas, o secretário de Saúde do Rio Grande do Sul manteve a suspensão do uso do larvicida como medida de precaução.

O que diz o relatório argentino

O documento que causou a polêmica não se trata de uma pesquisa científica. É um compilado de fatos, estatísticas e menções a estudos que sugerem uma possível relação entre as malformações detectadas nas crianças e a adição do pyriproxyfen à água potável por parte do governo brasileiro.

“Malformações detectadas em milhares de crianças a partir de mulheres grávidas que vivem em áreas onde o estado brasileiro adicionou pyriproxyfen à água potável não são coincidências, mesmo que o Ministério da Saúde credite a culpa direta ao zika vírus por esse dano, enquanto tenta ignorar sua responsabilidade e descartar a hipótese de contaminação direta e dano cumulativo causado por anos de desordem endócrina e imunológica da população afetada”, acusa o texto.

A rede de acadêmicos e profissionais da saúde também argumenta que, em outros países onde houve casos de zika vírus, não foi registrada a ocorrência de microcefalia em crianças.

Tem alguma dúvida ou sugestão sobre o assunto? Então deixe seu comentário abaixo e contribua com o debate! Não se esqueça de compartilhar o artigo com seus seguidores nas redes sociais e de conferir outras dicas de saúde aqui no Vivo Mais Saudável.

TAGS
larvicida
zika vírus
Aedes aegypti
piriproxifeno

Comentários

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

SERVIÇOS PARA VOCÊ