Clínica Geral

15/06/2015 06:00 - Atualizado em 14/12/2016 05:15

Meningite exige tratamento rápido

Junto com o frio do inverno aumentam as infecções transmitidas por secreções respiratórias, como gripes, resfriados, viroses e a mais temida delas: a meningite.

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Albert Einstein Hospital Israelita

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Especialmente nessa época, pais e mães devem ficar atentos à saúde dos filhos, como também se informar sobre possíveis surtos dessas doenças nos locais frequentados por eles: escolas, clubes, academias. "A grande preocupação está ligada a um tipo de meningite, a meningocócica, que pode ser transmitida pelo convívio próximo com pessoas infectadas. O diagnóstico tardio pode levar a morte", explica o infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, Luis Fernando Aranha Camargo.

O médico alerta que apesar dos cuidados redobrados que se deve ter com crianças até cinco anos, período em que a defesa do organismo ainda não é madura, e idosos, pois têm sua imunidade enfraquecida, a meningite pode atingir pessoas de qualquer idade.

Tipos de meningite

As meninges são membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A inflamação dessas membranas é a meningite. Bactérias, vírus e fungos, quando atingem as meninges, causam a inflamação que pode se espalhar por todo o sistema nervoso central. De acordo com o infectologista Luis Fernando, drogas e outras doenças como leucemia também podem causar meningite. "Mas esses tipos são os mais raros", diz.

As mais comuns são as virais e as bacterianas. As primeiras são, em geral, brandas e podem acometer tanto adultos como crianças. Os sintomas são muito parecidos com os de gripe, pois o doente tem febre e dor de cabeça. A nuca fica um pouco rígida e dolorida. A maioria das meningites virais evolui sem grandes problemas e o tratamento é igual ao da gripe, com antitérmicos e analgésicos.

"Já a bacteriana, se não for diagnosticada precocemente pode levar à morte", alerta o infectologista. Os três tipos de meningites bacterianas mais comuns são causadas pelas bactérias meningococos, pneumococos e Haemophylus. Das três a meningocócica é a mais facilmente transmissível pela via respiratória e também a mais terrível por ter a evolução do quadro clínico mais rápida. Já a pneumocócica e a Haemophylus acontecem com menos freqüência, pois as vacinas existentes são bastante eficazes na prevenção desses dois tipos.

Atenção aos sintomas de meningite

Os sintomas dos três tipos de meningite são parecidos. O que vai diferenciar um do outro é a intensidade e a rapidez com que o quadro clínico evolui. Por isso, é importante consultar um médico assim que os sintomas começarem a aparecer.

Quando a bactéria atinge as vias respiratórias, passa do nariz para o sangue, é levada para o cérebro, onde estão as meninges, e aí acontece a infecção. Em pouco tempo aparecem os sintomas: febre alta, vômitos, dor na cabeça e no pescoço, mal-estar e dificuldade de encostar o queixo no peito. Em alguns casos aparecem manchas arroxeadas que significam que as bactérias estão circulando pelo corpo, ou seja, há uma rápida disseminação da doença pelo organismo, podendo causar uma infecção generalizada.

Diagnóstico e tratamento

Somente o médico pode diagnosticar qual o tipo de meningite está instalada no organismo. Um exame do líquido cefalorraquidiano, puncionado da espinha, aponta qual agente infeccioso esta no organismo. Com base nesse exame e nos sintomas, o médico irá indicar o tratamento correto.

"Automedicação nunca. Esperar a evolução do quadro em casa é correr sérios riscos", alerta o infectologista Luís Fernando Aranha Camargo. O procedimento correto é procurar orientação médica mesmo que os sintomas pareçam com uma simples gripe. Especialmente quando o quadro ocorre em crianças", completa.

Vacinas, porque sim

A mais eficaz é contra a meningite Haemophylus. Ela já faz parte do programa oficial de vacinação e tem reduzido drasticamente o índice dessa doença como, também, sinusite e otite, que são causadas pela mesma bactéria. Contra o pneumococo, a vacina também existe. Foi criada nos Estados Unidos e na Europa de acordo com o tipo de bactéria existente nesses lugares. Apesar disso, mesmo no Brasil a imunidade é boa.

Quanto à meningite meningocócica a proteção é bem menor. Isso porque existem treze grupos dessas bactérias.

Carteira de Vacinação do Vivo Mais Saudável: uma forma prática e

moderna de acompanhar suas viacinas

Prevenir não é fácil

Muitas escolas param as aulas quando há algum caso de meningite entre os alunos. Essa medida depende do tipo de meningite, e não é indicada nos casos de pneumocócica ou Haemophylus. Entretanto, algumas medidas simples podem ser tomadas para prevenir o contágio, especialmente em casos de surto. O médico aconselha a evitar ambientes abafados onde há aglomeração de pessoas e lavar bem talheres, copos e pratos.

Quanto ao contágio da meningite meningocócica também é recomendado que pessoas que estiveram próximas a pacientes infectados utilizem medicamentos (no caso, antibióticos) como prevenção.

Outras dúvidas sobre Meningite

Veja o que o infectologista Jacyr Pasternak, do Hospital Israelita Albert Einstein, esclareceu em entrevista:

1. Como a meningite, nos seus diferentes tipos, pode afetar a saúde caso não haja tratamento adequado?

Meningite é um termo amplo, que envolve meningites  por vírus, por bactérias, por fungos, por protozoários e até por vermes. Cada uma delas tem suas implicações. No imaginário popular meningite se refere a meningite epidêmica, a meningite meningocócica, uma das raras doenças bacterianas que pode matar em 6 a 12 horas de evolução, do primeiro sintoma até o óbito.

2. A nova vacina contra meningite tipo B tem o valor de 340 reais. É imprescindível tomá-la? Quem deve?

A vacina ainda é cara: acabou de ser lançada e a indústria farmacêutica quer tirar seu investimento.  Ainda assim vale a pena tomar, quem puder paga-la, pois se tomar a vacina quadrupla  contra a meningite e mais a vacina para B estará protegido contra uma infecção que, como insisto, pode matar tão depressa que nem seja possível ter assistência médica adequada.

3. Nos postos de saúde, houve um aumento de casos de meningite. É natural, nessa época do ano, ou deve-se ter uma preocupação maior?   

Em todo inverno, aumentam os casos de meningite meningocócica, como aumentam todas as doenças veiculadas pela via respiratória: no inverno o pessoal se aglomera mais e não abre as janelas, ou seja, todos respiram o ar que os outros já respiraram, junto com as bactérias que estavam na orofaringe dos outros, uma das quais pode ser o meningococo: para cada doente tem 100 vezes mais portadores assintomáticos do meningococo na sua orofaringe.

4. Como pais e escolas podem agir para a prevenção da doença?   

Os pais devem vacinar as crianças contra meningite. Sabemos que na rede pública só há disponibilidade da vacina contra o meningo C, mas é melhor do que não vacinar. Os pais que puderem devem dar a vacina quadrupla e mais a vacina para meningo B. Existem alguns métodos de prevenção que não são dos mais viáveis: evitar aglomerações em locais fechados, quando isto é possível. Se houver contacto com um caso de meningite meningocócica ou meningococcemia ( a septicemia pelo meningococo que nem sempre vem com meningite), que more sob o mesmo teto, há indicação para profilaxia medicamentosa. A profilaxia medicamentosa quando apenas se sabe por ouvir falar que teve um caso de meningite na escola ou na esquina não tem sentido.

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