Clínica Geral

26/07/2014 07:00 - Atualizado em 02/12/2016 05:09

Genética: descubra por que as amizades têm laços de família

Estudo sugere que pessoas com amizades muito próximas possuem similaridade genética de primos de quarto grau.

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Redação

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Ao longo de uma vida, conhecemos uma infinidade de pessoas. Com muitas delas acabamos estabelecendo uma forte relação de amizade. Com outras, porém, as amizades não se desenvolvem com tanta facilidade e às vezes até podemos achar isso estranho, porque isso não acontece mesmo com uma série de interesses em comum.

A genética pode ajudar a explicar o motivo de termos mais facilidade de desenvolver amizades com algumas pessoas em relação a outras. Isso é o que afirmam alguns estudos realizados nos Estados Unidos, que sugerem que pessoas com relações fortes de amizade têm similaridade genética comparável a um primo distante, por exemplo.

Similaridade genética pode explicar as amizades

Antes de chegar nos estudos, vamos falar um pouco mais sobre a similaridade genética. A ciência dos genes, ou genética, é o ramo que estuda como são transmitidas características biológicas de um indivíduo para outro através da reprodução.

A espécie humana, por exemplo, tem uma similaridade genética muito grande em relação a chimpanzés, gorilas e orangotangos. Mas mesmo entre nossos pares há algumas diferenças nos genes, o que garante que cada indivíduo seja diferente dos demais. No entanto, quanto maior a proximidade familiar entre duas pessoas, maior similaridade genética ela terá.

O que acontece é que essa semelhança pode ocorrer mesmo sem um parentesco. Um exemplo são os sósias, pessoas que são extremamente parecidas com algum famoso mesmo tendo advindo de uma família muito distante. Esse é um exemplo de similaridade morfológica causada por mero acaso genético.

Há casos parecidos em outras espécies, que muitas vezes ocorrem por questões evolutivas – o bico de um beija-flor, por exemplo, tem sua estrutura e função muito semelhantes ao aparelho bucal de uma borboleta, mesmo que as duas espécies sejam extremamente distantes.

Cientistas estudaram sobre as amizades e seus laços

Recentemente, cientistas das universidades americanas de Yale e da Califórnia publicaram no periódico PNAS um estudo que diz que pessoas com amizades próximas têm similaridade genética comparável a primos de quarto grau – aqueles que compartilham os mesmos tetravós.

Chegou-se a esse resultado após serem analisados cerca de 1,5 milhão de marcadores genéticos, de quase 2 mil moradores do estado de Massachusetts. Foram comparados o código do DNA de pessoas que não se conheciam e também de duplas de amigos próximos sem vínculos parentescos.

A análise diz que quase 1% dos genes de dois amigos são semelhantes. Pode parecer pouca coisa, mas é uma quantidade muito superior se comparada à similaridade entre pessoas sem relações de amizades.

Isso deve nos ajudar a entender porque temos uma facilidade tão grande de relacionamento com determinadas pessoas. Pode ser a genética dos dois que os aproximou. É mais uma maneira de tentar compreender as relações entre seres humanos – um dos poucos animais que mantêm relacionamentos de longo prazo sem o objetivo de reprodução com outros membros da mesma espécie.

De qualquer maneira, a pesquisa ainda não é uma resposta definitiva. Alguns cientistas questionam os métodos utilizados, sugerindo que outros fatores podem não ter sido levados em conta – a estratificação social nesse tipo de estudo precisa ser feita com muito cuidado.

Isso porque pessoas do mesmo grupo étnico ou que frequentam a mesma igreja, por exemplo, podem estabelecer uma relação de amizade com mais facilidade, então isso precisa estar equilibrado entre os grupos estudados.

Você possui grandes amigos com laços fortes? E por que você acha que ele é o amigo certo para você?

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