Clínica Geral

26/08/2014 11:46 - Atualizado em 08/12/2016 01:47

Fila de transplante no Brasil tem 60 mil pessoas

Burocracia e subnotificação de mortes encefálicas elevam tempo de espera na fila de transplante.

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Redação

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Do diagnóstico da necessidade de transplante até a cirurgia que irá substituir o órgão falho, o paciente pode ter de esperar mais de três anos no Brasil. Essa é uma realidade que afeta a esperança de quem precisa de um novo órgão para sobreviver. Dependendo da enfermidade e do estado de origem do doente, a morosidade na fila de transplante é ainda muito longa.

Conforme dados do Ministério da Saúde, cerca de 60 mil pessoas aguardam a doação de órgãos no país. Medula, rins, fígado, coração, pulmão e pâncreas são as partes do corpo mais procuradas, seguidas de intestinos, córneas, pele, ossos, válvulas cardíacas e tendões.

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Como é organizada a fila de transplante

As listas de espera por doadores são organizadas por ordem cronológica. Em certos casos, como o do fígado, no entanto, considera-se a gravidade da doença.

Importante salientar que, de acordo com o Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes, pacientes menores de 18 anos têm prioridade na fila de transplante. Então, crianças e adolescentes são os primeiros a receber órgãos de doadores da mesma faixa etária.

Como regra geral, sempre que o primeiro da fila não é compatível com o doador, a prioridade passa para o segundo, e assim por diante.

Enquanto o doador não chega, muitos doentes lutam pela vida a partir do uso de medicamentos e máquinas, como as de diálise e cilindros de oxigênio. Para outros, tais recursos já não lhes oferecem garantias e o transplante é uma necessidade imediata.

Confira um breve resumo da situação da fila de transplantes no Brasil:

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O que gera atrasos na fila de transplante

Ainda que o Brasil seja referência no mundo por subsidiar mais de 90 tipos de transplantes e punir com mais de oito anos de prisão os que se envolvem com o comércio de órgãos, o país peca pela falta de aparelhagem de alguns hospitais e pela morosidade que trata a questão.

A retirada de órgãos só é realizada após a confirmação de morte encefálica, com o consentimento da família da vítima. A partir disso, funções vitais, como a respiração e os batimentos cardíacos, são mantidas por aparelhos para que não haja interrupção da irrigação sanguínea dos tecidos a serem transplantados.

Na sequência, o hospital onde ocorreu o óbito precisa notificar a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), que trata de cruzar informações para analisar o destino dos órgãos conforme a lista de espera na fila de transplante.

Erros graves na notificação

É ainda na etapa da notificação que o sistema erra. Muitos hospitais não possuem pessoas especializadas voltadas à comunicação dos transplantes. O resultado é a subnotificação de mortes encefálicas, logo, o descarte de órgãos que poderiam salvar vidas de quem aguarda na fila de transplante.

A falta de estrutura material é outra dificuldade. Depois de ratificada a morte cerebral, a retirada dos órgãos deve ser feita, no máximo, 72 horas depois. O problema é que nem todas as casas de saúde do Brasil possuem aviões ou helicópteros à disposição para o rápido transporte do que é autorizado pelas famílias para doação.

Dos 18 estados que contam com serviço de transplante de coração e pulmão, por exemplo, somente Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco têm aeronaves destinadas a esse fim. Os demais estados dependem da boa vontade de companhias aéreas privadas.

Os transplantes são considerados os procedimentos mais complexos da medicina. Com os avanços da ciência, a perspectiva de vida dos que necessitam de operações de substituição de órgãos tem aumentado, o que é positivo e renova as esperanças de quem aguarda sua vez na fila de transplante.

Onde obter mais informações

Informações oficiais sobre o tema podem ser encontradas no site dos seguintes órgãos:

Sistema Nacional de Transplantes

Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos

Associação Brasileira de Transplante de Órgãos

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transplante
coração
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saúde

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