Clínica Geral

17/06/2014 09:00 - Atualizado em 20/03/2016 04:32

Exoesqueleto da Copa é esperança para milhões

Exoesqueleto pode permitir que paraplégicos voltem a andar no futuro.

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Redação

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Uma das atrações da abertura da Copa do Mundo de 2014, no dia 12 de junho, foi o exoesqueleto desenvolvido por uma equipe de 150 pesquisadores comandada pelo brasileiro Miguel Nicolelis. Na ocasião, o paraplégico Juliano Pinto, de 29 anos, usou o equipamento para dar um chute em uma bola. O experimento é baseado no princípio de interface cérebro-máquina, usando sinais emitidos pelo cérebro para movimentar o mecanismo. O aprimoramento desse projeto significa um grande passo para a ciência e para a humanidade.

Exosqueleto é passo importante da ciência

Foto: Divulgação

O projeto, que recebeu o nome de Walk Again ("Andar de Novo", em inglês), é uma realização do Centro de Neuro-engenharia da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, em parceria com empresas privadas e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Quem lidera os estudos é o PhD Miguel Nicolelis, um dos mais renomados neurocientistas brasileiros.

Como funciona o exoesqueleto

O exoesqueleto do projeto Walk Again funciona por meio de eletroencefalografia, ou seja, capta-se a atividade cerebral da pessoa que o veste. Com isso, movimenta-se o exoesqueleto mecânico e, assim, permite-se que um paraplégico possa se locomover.

Simplificando, podemos dizer que essa tecnologia do exoesqueleto move uma máquina com os pensamentos. O objetivo: possibilitar que uma pessoa que tenha paralisia esquelética possa voltar a ter uma vida normal. Embora o chute tenha sido dado, o projeto ainda não está completamente pronto. Ainda está em fase de desenvolvimento para esperançosamente um dia ser posto no mercado. Nicolelis trabalha com esse tipo de experimento desde 1999.

No exoesqueleto do Walk Again, uma touca especial capta as atividades elétricas do cérebro. O voluntário imagina-se caminhando por conta própria e os sinais produzidos são coletados pela touca e enviados a um computador que fica nas costas do equipamento. Essa mensagem é, então, decodificada e a mensagem é enviada aos membros artificiais, que passam a executar o movimento imaginado. Para conferir sensibilidade ao voluntário, uma vibração é sentida nos seus braços toca vez que os pés do robô tocar o chão, como se o tato fosse transferido para os membros superiores.

Polêmica na estreia do exoesqueleto

O chute praticado executado com ajuda do exoesqueleto foi praticamente simbólico – mais se aproximou de um passo dado na direção da bola, que rolou pela plataforma na qual Juliano Pinto se encontrava. O ato gerou controvérsias nas redes sociais. Muita gente reclamou do pouquíssimo tempo destinado a esse momento nas filmagens ao vivo da FIFA. Quando a câmera cortou para Juliano, o chute já estava sendo dado, e a imagem logo se afastou.

O próprio Nicolelis se queixou, em entrevista à televisão, afirmando que estavam previstos 29 segundos para executar o movimento televisionado, mas a entidade que administra a Copa do Mundo cortou para apenas sete. A ideia inicial era de que o paraplégico, nesse tempo, se levantasse, desse alguns passos, chegasse até o centro do campo e depois chutasse a bola.

De qualquer maneira, a visibilidade dada na cerimônia de abertura do torneio ajuda a chamar a atenção para o projeto. São cerca de 25 milhões de pessoas paralisadas no mundo todo que podem ter, aí, uma nova esperança de voltar a andar.

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