Clínica Geral

18/03/2015 07:10 - Atualizado em 30/11/2016 11:32

Descoberta molécula que promete acabar com o câncer

Laboratório francês cria a molécula ET-D5 que promete ser o caminho para a cura do câncer.

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Redação

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O laboratório francês Ecrins Therapeutics acaba de publicar os resultados de uma pesquisa que pode revolucionar a medicina moderna. Trata-se de uma molécula nomeada ET-D5, capaz de destruir o crescimento e proliferação de células cancerígenas.

Segundo a oncologista responsável pelos estudos, dra. Aurélie Juhem, o uso da ET-D5 em animais mostrou excelentes resultados, e novos testes clínicos com humanos estão previstos para 2016.

ET-D5: a molécula que pode destruir o câncer

Em entrevista para a revista francesa Paris Match, a dra Juhem explicou que a molécula ET-D5 tem uma dupla ação no organismo. “A nova molécula é capaz de penetrar diretamente no tumor e impedir a divisão e o crescimento das células cancerígenas. Além disso, o ET-D5 destrói os vasos sanguíneos que alimentam essas células”.

Esse segundo aspecto da terapia feita com a ET-D5 é o que chama mais atenção dos pesquisadores: a capacidade que a nova molécula tem de se fixar aos neovasos que irrigam e nutrem o tumor. Durante o seu desenvolvimento, o tumor se instala aos poucos no sistema sanguíneo e cria um sistema próprio capaz de garantir tudo o que ele precisa para o seu crescimento.

É esse sistema vascular que facilita, também, a circulação das células cancerígenas no organismo, causando a metástase.

Metástase é a disseminação do câncer para outros órgãos – quando as células cancerígenas desprendem do tumor primário e entram na corrente sanguínea ou no sistema linfático.

Questionada sobre quais tipos de câncer a nova molécula pode combater, dra. Juhen diz que somente após os testes clínicos em pacientes será possível ter essa resposta de forma precisa. Mas a oncologista adianta “sabemos que o ET-D5 pode ser ativa nos cânceres muito agressivos e nos sarcomas, que são os cânceres diagnosticados como metástase. Nosso “nicho terapêutico” são os cânceres do fígado, do pâncreas e do rim”.

Dra. Juhen defende a ideia de que o tratamento do câncer deve ser visto como algo individual, que é preciso levar em considerações as particularidades de cada organismo, de cada paciente. “Hoje a oncologia caminha em direção a uma medicina personalizada. Antes, falávamos da doença através do órgão onde o câncer se desenvolvia. Hoje, fazemos uma série de análises moleculares com o intuito de identificar as mutações genéticas responsáveis pela doença e adaptar, assim, a quimioterapia a cada paciente”.

A descoberta do ET-D5

Seis mil moléculas foram pacientemente testadas in vitro até a criação da ET-D5. A originalidade da estratégia dos pesquisadores foi de “atacar” uma proteína fosfatase. “A molécula bioativa ET-D5 ataca a divisão celular das células cancerígenas sem comprometer o tecido saudável que as envolve”, explica dra. Juhen.

O uso da nova molécula será feito por via oral, o que faz desse tratamento uma opção aos atuais métodos intravenosos e mais invasivos como a quimioterapia e a radioterapia.

Atualmente, o câncer afeta cerca de 12 milhões de pessoas no mundo. De acordo com o INCA – Instituto Nacional do Câncer, 580 mil novos diagnósticos devem ser feitos em 2015.

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