Clínica Geral

28/07/2015 06:00 - Atualizado em 12/12/2016 07:24

Com medo da hepatite viral? Saiba como se prevenir da doença

No Dia Mundial de Luta Contra Hepatites Virais, confira os principais sintomas e dicas para você se prevenir.

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Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite

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A hepatite ainda é um dos tipos de doenças infecciosas mais frequentes no mundo. 28 de julho é o Dia Mundial de Luta Contra Hepatites Virais, e a diretora social da Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite, Vergínia Alves, sinaliza os principais perigos da doença que afeta cerca de 3 milhões de brasileiros. Leia e reflita!

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1. Por que o Dia Mundial de Luta Contra Hepatites Virais é comemorado em 28 de julho?

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o dia em homenagem à data de nascimento do prêmio Nobel de Medicina de 1976, Baruch Bluberg, que descobriu o vírus que causava a Hepatite B e desenvolveu a primeira vacina contra a doença. A finalidade desta data é conscientizar a população de que a hepatite virótica é um problema de saúde pública de alcance mundial.

2. De que forma a hepatite pode ser contraída?

Hepatite A: Transmitida normalmente através de alimentos ou contato pessoal. Vem e dura aproximadamente 1 mês. É uma infecção leve, que se cura sozinha, e existe uma vacina.

Hepatite B: Transmitida principalmente através de relações sexuais e contato sanguíneo, e também possui vacina. Age surdamente no fígado de 20 a 30 anos. Leva à cirrose, ao câncer de fígado e à morte. As curas totais são raras, mas é possível conviver com a doença, tratando-a por períodos de tempo variáveis.

Hepatite C: A maior epidemia da humanidade hoje, superior à AIDS/HIV em 5 vezes. A transmissão é por contato sanguíneo, via transfusões, dentistas, seringas compartilhadas, etc. Não se transmite por sexo (a menos que haja sangramento mútuo). Não tem vacina. A hepatite C é a principal causa de transplantes de fígado, respondendo por 40% dos casos. Pode causar cirrose, câncer de fígado e morte.

Hepatite D: A infecção causada pelo vírus da hepatite D (VHD) ocorre apenas em pacientes infectados pelo vírus da hepatite B. Em pacientes cronicamente infectados pelo vírus da hepatite B, a infecção concomitante com o VHD acelera a progressão da doença crônica. A vacinação contra a hepatite B também protege de uma infecção pelo vírus da hepatite D.

Hepatite E: É causada pelo vírus da hepatite E (VHE) e transmitida por via digestiva (transmissão fecal-oral), provocando grandes epidemias em certas regiões. Ela não se torna crônica, mas mulheres grávidas infectadas pelo vírus podem apresentar formas mais graves da doença. Felizmente, hábitos de higiene adequados e um melhor controle da qualidade da água utilizada pelas pessoas podem evitar o contato com esse vírus.

Hepatite F: Relatos recentes demonstram que não se confirmou a identificação do vírus da hepatite F (VHF), portanto este tipo de hepatite pode ser desconsiderado.

Hepatite G: O vírus da hepatite G (VHG), também conhecido como GBV-C é transmitido através do sangue, sendo comum entre usuários de drogas endovenosas e receptores de transfusões. O vírus G também pode ser transmitido durante a gravidez e por via sexual. É frequentemente encontrado em coinfecção com outros vírus, como o da hepatite C (VHC), da hepatite B (VHB) e da Aids (HIV).

3. Quais são os tipos de campanhas feitas para a prevenção contra a hepatite?

Existem campanhas de orientação e prevenção das hepatites virais espalhadas por todo Brasil, como as campanhas de realização de testes rápidos de HCV.

4. A maioria das pessoas que padecem de hepatite B e C, consideradas as piores, não sabe disso. Existem recursos mais apropriados para a detecção da doença?

Ambas podem ser detectadas através de testes rápidos ou exames de sangue. O HBsAg indica infecção pelo vírus da hepatite B (HBV), ele está presente nas infecções agudas e crônicas. O anti-HCV é o marcador de triagem para a hepatite C. Indica contato prévio com o vírus, mas não define se a infecção é aguda, crônica ou se já foi curada.

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5. Que tipos de tratamentos existem?

Tratamento para Hepatite A

Consiste em repousar, fazer uma alimentação equilibrada com ingestão de líquidos e evitar medicamentos que prejudiquem o funcionamento do fígado. Um dos sintomas da hepatite A é a falta de apetite que piora no final do dia, portanto, deve-se apostar numa boa ingestão de líquidos e de alimentos sólidos durante o dia. A alimentação intravenosa é necessária no estágio agudo quando o paciente tem vômitos persistentes e não consegue manter a ingestão oral. O isolamento do paciente com hepatite A em um único quarto e banheiro só é necessário em casos de incontinência fecal.

Tratamento para Hepatite B

O tratamento para hepatite B é feito com uma medicação específica para terapia antiviral, administrado de forma oral. Porém, em casos leves e moderados esta terapia não é aconselhada. O isolamento do paciente com hepatite B em um único quarto e banheiro só é necessário em casos de sangramento volumoso e descontrolado, o que é raro.

Tratamento para Hepatite C

O tratamento da hepatite C é feito com uma medicação específica chamada de interferon alfa, que é administrada por via injetável. Pode ser adotada uma terapia intensiva com a administração da medicação injetável todos os dias, durante 4 semanas e depois passar para 3 vezes por semana durante mais 20 semanas. A recuperação, porém, nos casos típicos de hepatite C aguda, é rara e, portanto, é comum esta passar para crônica. O tratamento para hepatite C crônica é feito por 24 semanas com administração injetável da medicação específica com uma ação prolongada.

6. Quem teve hepatite pode doar sangue?

Não. Porque não é possível saber se restou algum vírus. No caso das hepatites B e C, mais graves, mesmo depois que o paciente deixa de apresentar qualquer sinal da doença, é possível alguns poucos vírus mais resistentes sobreviverem. Se essa pessoa doar sangue, o vírus entra no organismo do receptor e faz com que ele contraia a doença. No caso da hepatite A não existem vírus resistentes. Por isso, quem teve essa doença poderia doar sangue sem problemas, mas é possível que o indivíduo tenha sido contaminado também com a do tipo B e não saiba. Então, por precaução, os laboratórios não aceitam a doação.

7. Como ajudar uma pessoa que está com hepatite?

Após o teste de triagem para detecção do vírus através de exames de sangue e testes rápidos, encaminhar rapidamente o paciente para uma unidade de tratamento mais próxima. O primeiro passo é realizar um exame com mais detalhes (fibroscan ou biópsia), após isso o paciente seguirá o tratamento mais adequado de acordo com seu diagnóstico.

8. Qual é o principal objetivo da Associação Brasileira de Hepatite?

Erradicar a hepatite no mundo. Seguimos na busca incansável dos 3 milhões de portadores do vírus que não sabem se contraíram a doença. A ABPH realiza mutirões de testes rápidos anti-HCV por todo o Brasil, e trabalha encaminhando os novos portadores para tratamento exclusivo e gratuito em nossos consultórios.

Tirou suas dúvidas? Deixe seu comentário. E aproveite para conferir outras dicas de saúde no Vivo Mais Saudável.   

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