MEDICINA ALTERNATIVA

10/07/2014 10:02 - Atualizado em 22/07/2014 19:05

Aromaterapia

Terapia com uso de óleos essenciais de origem botânica na prevenção de desequilíbrios e bem-estar.

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A.D.A.M.

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O que é a aromaterapia?

Aromaterapia é o uso de óleos essenciais de plantas para a cura. Embora a palavra "aroma" faça parecer que os óleos são inalados, eles também podem ser massageados na pele ou, raramente, tomados via oral. Você nunca deve utilizar óleos essenciais por via oral sem instruções específicas de um especialista treinado e qualificado. Sejam inalados ou aplicados à pele, os óleos essenciais estão ganhando nova atenção como tratamento alternativo para infecções, estresse e outros problemas de saúde. Entretanto, ainda há falta de evidências científicas na maioria dos casos.

O que são óleos essenciais?

Óleos essenciais são extratos concentrados de raízes, folhas, sementes ou flores de plantas. Cada um contém a sua própria mistura de ingredientes ativos e esta mistura determina para o que o óleo será utilizado. Alguns óleos são utilizados para promover a cura física, por exemplo, para tratar inchaços ou infecções fúngicas. Outros são utilizados por seu valor emocional. Podem aumentar o relaxamento ou deixar um cômodo com odor agradável. O óleo da flor de laranjeira, por exemplo, contém uma grande quantidade de um ingrediente ativo considerado calmante.

Qual a história da aromaterapia?

Os óleos essenciais têm sido utilizados para fins terapêuticos por quase 6.000 anos. Os antigos chineses, indianos, egípcios, gregos e romanos os utilizavam em cosméticos, perfumes e medicamentos. Os óleos essenciais também foram utilizados com frequência para fins espirituais, terapêuticos, higiênicos e ritualísticos.

Recentemente, René-Maurice Gattefossé, um químico francês, descobriu as propriedades de cura do óleo de lavanda ao aplicá-lo sobre uma queimadura em sua mão causada por uma explosão no laboratório. Então, começou a analisar as propriedades químicas dos óleos essenciais e como eram utilizados para tratar queimaduras, infecções de pele, gangrena e ferimentos em soldados durante a I Guerra Mundial. Em 1928, Gattefossé fundou a ciência da aromaterapia. Na década de 50, terapeutas massagistas, esteticistas, enfermeiras, fisioterapeutas, médicos e outros profissionais da saúde começaram a utilizar a aromaterapia.

A aromaterapia não se tornou popular nos Estados Unidos até a década de 80. Hoje, muitas loções, velas e produtos de beleza são vendidos como "aromaterapia". Entretanto, muitos destes produtos contém fragrâncias sintéticas que não possuem as mesmas propriedades dos óleos essenciais.

Como funciona a aromaterapia?

Os pesquisadores não estão certos de como a aromaterapia funciona. Alguns especialistas acreditam que nosso olfato possa ter um papel importante. Os receptores do olfato em seu nariz comunicam-se com partes do seu cérebro (a amídala e o hipocampo) que armazenam emoções e memórias. Quando você respira as moléculas de um óleo essencial, alguns pesquisadores acreditam que elas estimulam estas partes do seu cérebro e influenciem a saúde física, emocional e mental. Por exemplo, cientistas acreditam que a lavanda estimule a atividade das células cerebrais na amídala de forma semelhante ao funcionamento de alguns medicamentos sedativos. Outros pesquisadores acreditam que as moléculas de óleos essenciais possam interagir com hormônios ou enzimas no sangue.

A massagem aromaterapêutica é uma forma muito popular de utilizar óleos essenciais porque funciona de diversas formas ao mesmo tempo. Sua pele absorve os óleos essenciais e você também os respira. Além disto, você vivencia a terapia física da massagem em si.

O que acontece durante uma sessão de aromaterapia?

Os profissionais aromaterapeutas, enfermeiras, terapeutas físicos, farmacêuticos e massagistas podem fornecer um tratamento aromaterapêutico tópico ou inalável. Apenas profissionais especialmente treinados podem fornecer um tratamento que envolva o uso de óleos essenciais via oral.

Em uma sessão de aromaterapia, o profissional fará perguntas a respeito de seu histórico médico e sintomas, bem como os odores que lhe agradam. Você pode ser instruído a respirar os óleos essenciais diretamente de um pedaço de pano ou indiretamente por meio de inalações de vapor, vaporizadores ou sprays. O profissional também poderá aplicar óleos essenciais diluídos em sua pele durante uma massagem. Na maioria dos casos, o profissional dirá como utilizar a aromaterapia em casa por exemplo, misturando óleos essenciais no banho.

Aromaterapia é boa para o quê?

A aromaterapia é utilizada em uma ampla gama de configurações, de spas de saúde a hospitais, para tratar uma variedade de condições. De forma geral, parece aliviar a dor, melhorar o humor e promover uma sensação de relaxamento. Na verdade, os óleos essenciais, incluindo lavanda, rosas, laranja, bergamota, lima, sândalo e outros, têm mostrado aliviar a ansiedade, o estresse e a depressão.

Diversos estudos clínicos sugerem que quando parteiras qualificadas utilizaram óleos essenciais (especialmente rosas, lavanda e olíbano), as grávidas sentiram menos ansiedade e medo, tiveram uma forte sensação de bem-estar e necessitaram de menos medicamentos para dor durante o parto. Muitas mulheres também relatam que o óleo de menta alivia náuseas e vômitos durante o parto.

A terapia de massagens com óleos essenciais (combinada com medicamentos ou terapia) pode beneficiar pessoas com depressão. Algumas pessoas acreditam que as fragrâncias estimulam emoções positivas na região do cérebro responsável por memórias e emoções, mas os benefícios parecem estar relacionados ao relaxamento causado pela fragrância e pela massagem. O fato da pessoa acreditar que o tratamento ajudará, também influencia no seu funcionamento.

Em um estudo, o óleo de néroli ajudou a reduzir a pressão sanguínea e a ansiedade pré-procedimento em pessoas prestes a passar por uma colonoscopia.

Em tubos de testes, compostos químicos de alguns óleos essenciais têm mostrado propriedades antifúngicas e antibacterianas. Algumas evidências também sugerem que óleos cítricos podem fortalecer o sistema imunológico e que o óleo de menta pode auxiliar a digestão. A erva-doce, o anis e a sálvia contém compostos semelhantes ao estrogênio, que podem ajudar a aliviar sintomas da tensão pré-menstrual e menopausa. Entretanto, faltam estudos em humanos.

Outras condições para as quais a aromaterapia pode ser útil incluem:

  • Alopecia (queda de cabelo)
  • Agitação, possivelmente incluindo agitação relacionada à demência
  • Ansiedade
  • Constipação (com massagens abdominais utilizando a aromaterapia)
  • Insônia
  • Dor: Estudos descobriram que pessoas com artrite reumatoide, câncer (utilizando camomila tópica) e dores de cabeça (utilizando menta tópica) requerem menos medicamentos para a dor quando utilizam a aromaterapia
  • Coceira, um efeito colateral comum para quem faz diálise
  • Psoríase

Alguém deve evitar a aromaterapia?

Mulheres grávidas, pessoas com asma grave e pessoas com histórico de alergias devem apenas utilizar os óleos essenciais sob orientação de um profissional treinado e com conhecimento completo do seu médico.

Mulheres grávidas e pessoas com histórico de convulsões devem evitar o óleo de hissopo.

Pessoas com pressão sanguínea alta devem evitar óleos essenciais estimulantes, como alecrim e espiga de lavanda.

Pessoas com tumores dependentes de estrogênio (como câncer nos seios e ovários) não devem utilizar óleos com compostos semelhantes ao estrógeno, como erva-doce, anis e sálvia.

Pessoas recebendo quimioterapia devem conversar com seus médicos antes de tentar a aromaterapia.

Devo tomar cuidado com alguma coisa?

A maioria dos óleos essenciais inaláveis ou tópicos são considerados, de forma geral, seguros. Você nunca deve utilizar óleos essenciais via oral a menos que esteja sob supervisão de um profissional treinado. Alguns óleos são tóxicos e utilizá-los via oral pode ser fatal.

Raramente, a aromaterapia pode induzir efeitos colaterais, como vermelhidão, asma, dor de cabeça, danos nervosos e hepáticos, assim como ferimentos ao feto.

Óleos ricos em fenóis, como canela, podem irritar a pele. Adicione água ou óleo base para massagem (como óleo de amêndoas ou gergelim) ao óleo essencial antes de aplicá-lo na sua pele. Evite utilizá-lo próximo aos olhos.

Os óleos essenciais são altamente voláteis e inflamáveis, portanto nunca devem ser utilizados próximo a uma chama.

Estudos em animais sugerem que os ingredientes ativos de certos óleos essenciais podem reagir com medicamentos. Pesquisadores não sabem se possuem o mesmo efeito em humanos. O eucalipto, por exemplo, pode levar certos medicamentos, incluindo pentobarbital (utilizado para convulsões) e anfetamina (utilizada para narcolepsia e distúrbio de hiperatividade e déficit de atenção) a serem menos eficientes.

Qual é o futuro da aromaterapia?

Embora os óleos essenciais tenham sido utilizados por séculos, poucos estudos observaram a segurança e eficiência da aromaterapia em pessoas. Há falta de evidências científicas e existem algumas preocupações acerca da segurança e qualidade de certos óleos essenciais. Mais pesquisas são necessárias antes da aromaterapia tornar-se um remédio alternativo amplamente aceito.

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