Terapias

09/03/2016 11:49 - Atualizado em 04/12/2016 03:51

Rituais com ayahuasca podem afetar o cérebro

Morte de neto de Chico Anysio reacendeu polêmica sobre o uso da planta.

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Redação

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Práticas xamânicas e rituais como o do Santo Daime, baseados em chás que utilizam bebidas derivadas de plantas como a ayahuasca, são comuns há muitos anos no Brasil. Estima-se que esse último tenha surgido no país no início do século 20, no estado do Acre, pelas mãos do Mestre Irineu.

No entanto, apesar de ser um ritual secular, a prática e seus efeitos no organismo ainda geram polêmica. Recentemente, a morte do neto de Chico Anysio, Rian Brito, colocou mais lenha na fogueira nessa história controvérsia e repleta de incertezas. Mas, afinal, quais seriam os impactos que o Santo Daime poderia causar à saúde de uma pessoa?

fazendo chá para rituais religiosos

Bebida de rituais religiosos afeta o cérebro

Regulamentada pelo Governo Federal, em 2010, para o uso em cerimônias religiosas, o chá de ayahuasca ainda é pouco estudado pelos cientistas. Em uma pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo (USP), no entanto, analisou-se a atividade cerebral em dez voluntários, após 40 minutos de ingestão da bebida alucinógena.

Com base nessa experiência e com o auxílio de exames de ressonância magnética, chegou-se à conclusão de que a bebida ativa uma região do cérebro relacionada à memória e outra ligada à visão, mesmo se a pessoa estiver com os olhos fechados.

Essa descoberta ajuda a esclarecer, por exemplo, as visões que os praticantes desses rituais relatam. Além disso, segundo um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, os resultados vão ao encontro de outras pesquisas anteriores, que mostravam que o chá atuava sobre a serotonina, neurotransmissor ligado às sensações de prazer e de bem-estar.

Para alguns psiquiatras, porém, essa visões relatadas pelos praticantes podem ser fruto de uma viagem psicodélica, em que a distinção entre o real e o fantástico fica quase imperceptível. Segundo eles, é nesses casos que reside o perigo.

folhas de chá para rituais xamânicos

Substância contra a dependência química

Polêmicas à parte, uma substância similar à ayahuasca, usada nos rituais xamânicos, pode ajudar a combater a dependência química, aponta um estudo feito pelo Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A substância em questão é a ibogaína, que é extraída da iboga, planta encontrada em alguns países africanos. Segundo o médico Bruno Chaves, um dos responsáveis pela pesquisa, o elemento é, pelo menos, cinco vezes mais eficiente para interromper a dependência química que tratamentos convencionais.

O estudo foi feito com 75 dependentes, entre usuários de crack, cocaína e álcool, entre janeiro de 2005 e março de 2013. Dos 67 pacientes homens, 55% ficaram livres do vício por, pelo menos, um ano. Entre as oito mulheres, a taxa foi 100%.

De acordo com Chaves, os efeitos da ibogaína são semelhantes aos da ayahuasca. A diferença está na potencialidade das substâncias. Enquanto a ação da ayahuasca é de quatro horas, a da ibogaína pode durar entre 24 e 48 horas.

Você já experimentou o chá de ayahuasca? Como foi a experiência? Conte para nós! E, se gostou do artigo, aproveite para compartilhar as informações do Vivo Mais Saudável com seus seguidores nas redes sociais.

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Rian Brito

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