Terapias

13/02/2016 12:00 - Atualizado em 05/12/2016 04:28

Entenda a etnopsiquiatria, terapia baseada na cultura

Reconhecer as diferenças entre as pessoas é a base dessa terapia.

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Redação

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Uma ciência que interliga medicina, psiquiatria, cultura e antropologia. Assim é a etnopsiquiatria, que trabalha com o entendimento da dimensão cultural e psíquica das pessoas e de suas diferenças. Saiba mais sobre essa abordagem.

Conheça a etnopsiquiatria

A etnopsiquiatria é entendida como um ramo da psiquiatria, desenvolvido a partir dos trabalhos de Georges-DevereuxDesde a Antiguidade, falava-se em doenças relativas a determinadas culturas. Ao longo dos tempos e da evolução da ciência, porém, a forma como os estudos foram sendo conduzidos foi se diferenciando, até chegar ao resultado atual.

Primeiro, ela esteve aliada à psicologia dos povos, depois à psiquiatria colonial e, então, ao desenvolvimento da Antropologia e da Etnologia. As teses de etnopsiquiatria foram aproveitadas pela medicina colonial militar durante a primeira metade do século 20, e foram sendo lapidadas até chegarem à unificação com a chamada etnopsicanálise.

Esse ramo do conhecimento envolve a dimensão cultural do problema psicológico. Por isso, muitas vezes, a compreensão da cultura do indivíduo é necessária para abordá-lo e para dialogar com essa pessoa, de maneira que seja possível entender seu sofrimento.

menino que precisa de etnopsiquiatria

Entendendo as diferenças

Atualmente, quando você acompanha os noticiários, é comum ver histórias de refugiados de diversos países em situações de guerra. São adultos e crianças que passam por situações de estresse e de ansiedade, por traumas e perdas de difícil compreensão. Esse é um exemplo de caso em que a etnopsiquiatria pode ajudar.

Nessas situações, muitas vezes, não bastam apenas os conceitos de perda, morte e luto comuns aos ocidentais. É preciso que o profissional entenda o processo cultural no qual aquela pessoa vive para perceber o motivo por que eventualmente ela se fecha, se culpa ou se deprime. As diferenças culturais e até religiosas que podem estar envolvidas são parte importante para a mediação externa.

O Serviço de Auxílio Psicológico Especializado aos Imigrantes e Refugiados (Sapsir), em Quebec, no Canadá, recebia um alto número de refugiados no início dos anos 2000 e registrou trabalhos realizados em grupo, inclusive com a ajuda de um mediador linguístico e cultural - um intérprete para além da língua, mas também da cultura.

De acordo com especialistas, o trabalho terapêutico da etnopsiquiatria, especialmente nesses casos extremos, envolve os vínculos de origem e de pertencimento, as diferentes dimensões de identidade e o sentido das situações vividas.

Na publicação 60 anos de ACNUR - Perspectivas de futuro, do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados, essa necessidade de tratamento é abordada como uma grande necessidade.

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antropologia
diferenças culturais
traumas
psicologia

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