Qualidade de Vida

29/07/2014 09:00 - Atualizado em 02/09/2016 06:38

Vagão para mulheres causa polêmica no Brasil

Delimitação de vagão para mulheres em trens e metrôs escancara problema do assédio sexual.

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Redação

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A criação de um vagão para mulheres exclusivo nos trens e metrôs tem gerado diferentes opiniões pelo país. Quando se fala no assunto, alguns aprovam, sob a alegação de que, assim, as mulheres têm mais segurança. Mas outros criticam, pois, por outro lado, o problema de assédio sexual que se enfrenta nos transportes públicos não pode ser resolvido isolando as mulheres e deixando os assediadores soltos. 

Vagão para mulheres passa a valer

As assembleias legislativas dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo aprovaram recentemente o projeto e agora é lei ter um vagão para mulheres em trens e metrôs - medida que já era adotada em Brasília. A iniciativa tem como principal objetivo evitar os casos de assédio nos transportes públicos, que são registrados principalmente nos horários de pico e, infelizmente, em número cada vez maior.

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Metrô de Brasília já tem vagão exclusivo para mulheres. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O novo projeto casou alívio em muitas mulheres, pois, assim, elas se sentem mais protegidas ao usar o transporte. “Eu fico mais segura com o vagão rosa, porque tem muita mulher, é mais confortável”, relatou a estudante Camila Aguiar, de 19 anos, em entrevista à Agência Brasil. Para as mulheres que utilizam o metrô sempre nos horários de pico, ele fez diferença, pois, com o vagão cheio, é mais difícil evitar o contato com as outras pessoas. 

Críticas ao vagão para mulheres

Porém, por mais que o vagão para mulheres traga benefícios, por outro lado, aceita a condição de que a mulher está suscetível a sofrer assédio nos lugares públicos e que é algo normal. E ainda que o único jeito de se evitar isso é limitar o espaço que elas ocupam.

Para a assessora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfêmea), Leila Rebouças, é preciso que ocorra uma mudança cultural na visão machista que os homens têm sobre as mulheres. “A mudança definitiva só vem com a educação”, destacou ela, também em entrevista à Agência Brasil.

Tema exige reflexão

Independente da idade, todas as mulheres têm histórias para contar sobre alguma situação de assédio sexual em transportes públicos. Ou que aconteceu com ela mesma ou com alguma pessoa conhecida. A criação do vagão para mulheres é uma atitude importante por abordar o problema, mas não é de todo desejável. Acredita-se que todas as pessoas têm o direito de optar por onde querem ir e vir, sem serem importunadas.

Além disso, há alegações de que o vagão não é de uso exclusivo das mulheres, como o projeto prevê. Como não há nenhum tipo de fiscalização por parte das empresas que prestam os serviços de metrô e de trem, os homens acabam utilizando o vagão rosa também. E ainda, já que um vagão não é o suficiente para comportar o número de mulheres, elas têm que usar os vagões normais.

Dessa forma, o vagão para mulheres pode não resolver totalmente o problema, mas essa atitude chama a atenção para o que está acontecendo. A mulher ter que evitar utilizar um espaço público por medo é um problema sério. 

É muito importante despertar a população para que exija outras medidas não só como essa, mas também para a conscientização das pessoas e principalmente das crianças. Essa pode ser uma forma de mudar o cenário atual e evitar que isso continue acontecendo no futuro.

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mulheres
assédio à mulher
mulher e transporte público

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