Qualidade de Vida

01/11/2015 10:00 - Atualizado em 06/12/2016 02:29

Ser equilibrado ou ser zen?

O que você procura na sua vida? O instrutor de yoga Jayadvaita Das ajuda você a escolher um caminho.

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Jayadvaita Das

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O termo zen já faz parte do vocabulário e de substantivo se tornou adjetivo de um determinado estado de consciência. Quando alguém é calmo, tranquilo ou sereno, quando um local manifesta um estado de paz e harmonia, quando o ritmo da vida cede espaço à contemplação e à reflexão é comum expressarmos tais sintomas como zen. Porém, mesmo que se busque a resposta de um monge zen não se encontrará o significado exato do termo - não por não existir, mas por não ser uma experiência limitada a um conceito, pois este acabou por estereotipar um padrão no qual expressa mais uma aparência externa que a real natureza deste estado de consciência. Por isto, para compreender o que é zen vamos desenvolver o conceito a partir de sua raiz, presente na tradição do yoga, que é a ciência da integração e equilíbrio do ser.

 

O que é zen?

Devemos entender que há uma lógica operando em nosso modo de viver e que muitas vezes esta lógica difere da lógica interna de nosso ser, isto é, temos uma lógica incondicional que conduz a vida de todos os seres para uma ordem, para uma organização. Por exemplo, se observarmos o nível de organização que existe no espaço sideral, onde cada astro tem sua própria órbita e equilíbrio, encontraremos uma ordem. Isto ocorre em todos os níveis, até mesmo em nosso corpo e pensamentos. No entanto, nos adaptamos a um ritmo lógico que não nos é natural, ou seja, nos condicionamos a um modo de vida artificial regido pela velocidade virtual proposta pela tecnologia. Excetuando todos os benefícios e vantagens que o desenvolvimento tecnológico trouxe devemos avaliar as transformações legadas ao nosso ritmo interno. Em outras palavras, restou-nos pouco tempo para ordenarmos nossos sentimentos, emoções e necessidades vitais.

[[saiba_mais]] 

O sentido da ordem

Desde os primórdios da civilização Ocidental houve uma valorização da ordem. Num sentido amplo, ordem significa equilíbrio e harmonia - que pode ser encontrada na natureza; esta mesma ordem está na lógica interna de nosso ser; logo, quando nos organizamos e colocamos ordem, mesmo nas questões básicas da vida, contribuímos para que esta equilibrada harmonia prevaleça. Quer dois exemplos:

- Na organização do lar onde vivemos. O fato de termos a casa organizada, desde a gaveta do escritório até os talheres e pratos da cozinha fará com que haja mais harmonia no ambiente;

- Quando fazemos uma trilha na floresta, o simples contato com a natureza nos acalenta e torna a mente mais serena, pois a ordem que existe ali não é diferente da ordem e ritmo que existe internamente em nosso ser - o efeito é imediato!

Assim, se há uma mudança em nosso estado de consciência quando estamos num local organizado é fácil entender que também há uma organização interna em nosso corpo e padrões mentais. Por exemplo, assim como numa casa organizada temos a sensação de bem-estar, um corpo em ordem (dos órgãos aos sistemas e suas funções) trará bem-estar, pois esta ordem determina a saúde. Outro exemplo, se procuramos algo numa sala desarrumada, a medida que passam os minutos e não encontramos o que procuramos, ficaremos estressados; do mesmo modo, se não damos disciplina ao corpo adoeceremos.

Entretanto, há uma ordem que não está visível, por exemplo, numa residência, ao abrirmos a torneira da pia ou acendemos a luz do quarto, não damos conta de todo sistema hidráulico e elétrico que possibilitou tais facilidades. No corpo ocorre o mesmo processo; temos ramificações sanguíneas, nervosas e energéticas; esta última envolve a vitalidade do corpo, responsável por sua saúde energética. Se alguma região do corpo está em desordem, a energia vital também se desorganiza e propicia o surgimento de doenças.

 

A necessidade da ordem

O filósofo Aristóteles demonstrou que a desordem leva à instabilidade; em termos modernos, à ansiedade. Porém, sabemos que a ansiedade não nasce dos fatores externos, mas do reflexo que tais fatores geram na ordem interna de nosso ser. Em outras palavras, é necessário ordem psíquica, pois a casa não se organiza sozinha, ela será o reflexo da organização mental daquele que a habita.

Podemos, assim, determinar os seguintes critérios: se queres ter uma vida calma, equilibrada e harmoniosa será necessário ordenar-se internamente; se queres ter uma vida estressada e ansiosa, viva apenas a ordem virtual da vida, e desligue-se do ritmo interno do ser. Ou seja, os grandes problemas que encontramos hoje se devem à desconexão com nosso ser e à intensa conexão com o mundo de informações apressadas.

A necessidade de equilíbrio é um fato e pode ser sanada através da organização. Para tanto, não basta organizar a decoração da casa e instalações hidráulicas ou elétricas, é preciso organizar o centro no qual tudo gira: a meditação é um caminho.

 

Equilíbrio meditativo


A tradição do yoga é antiga e seus benefícios são até hoje estímulo de pesquisas e novas descobertas no campo da saúde. Dentro desta cultura, a meditação tem importância significativa, pois é através dela que se torna viável a ordem interna da vida - o equilíbrio recobrado a partir do ritmo interno do ser. A vantagem da meditação é que todos podem praticar, entretanto, existem distinções de técnicas.

De modo simples, meditação é o processo interno de colocar em ordem tudo que está em desordem. Para isto, é necessário:

1) concentração no fluxo respiratório, sentado num local calmo ou com uma música relaxante;

2) observação dos sentimentos, sensações, emoções e tendências que afloram quando se está em silêncio - sem esta observação atenta ao que está presente na consciência não será possível reorganizar o quadro mental;

3) colocar em prática o que se compreendeu como necessário para a preservação do equilíbrio interno no comportamento, na conduta pessoal e nos valores que serão assumidos, pois sem analisar quais elementos levam ao desequilíbrio não será fácil estabelecer-se em equilíbrio. Esta auto-avaliação que eliminará os elementos nocivos à ordem e ao equilíbrio levará ao autoconhecimento: o equilíbrio entre o que somos e como estamos.

À medida que se pratica meditação mais se avança em direção à ordem interna do ritmo da vida. Com o passar do tempo, esta ordem da consciência ganhará contornos específicos e particulares, onde cada indivíduo experimentará o sagrado. Para isto, não se abre mão de processos simples e válidos, como a prece e a caridade.

Portanto, do ponto de vista da tradição do yoga, a integração e o equilíbrio do ser leva ao estado de consciência organizada, em harmonia com o ritmo interno da vida. Os sintomas que se desenvolvem a partir deste estado de consciência é genericamente definido como zen. 


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