Qualidade de Vida

08/07/2015 07:01 - Atualizado em 18/09/2016 09:21

Pais: Como ampliar a participação deles na educação dos filhos e no apoio à família?

Projeto de lei para aumento da licença-paternidade, Instituto Papai, Paternato: Conheça alguns movimentos que colocam em pauta a igualdade de direitos e deveres de pais e mães. A criançada agradece!

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Redação

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Os papais estão cada vez mais conscientes do quanto são importantes para a família. Se antes o papel deles era voltado para a procriação e o sustento familiar, hoje, a realidade é outra. São muitos os pais que primam por estar envolvidos nos afazeres domésticos, como: dar banho nos filhos, alimentar, trocar fralda, acompanhar o desempenho escolar, as consultas médicas e muito mais. Para ajudá-los ainda mais nesta maior participação no dia a dia, junto com as mamães, vemos alguns movimentos que colocam em debate o período de licença-paternidade, a guarda compartilhada e outras frentes para maior presença deles em casa.

Engajado na intenção de atrair os homens ao convívio familiar, o Instituto Papai, de Recife, é sinônimo de sucesso desde 1997. O resultado pode ser considerado positivo. “A maioria dos homens que participam das nossas paletras concorda que o tempo é pouco e que precisam de mais tempo para cuidar dos filhos. Vale lembrar que pais presentes deixam as mulheres mais satisfeitas. Ao mesmo tempo, não se pode cair na armadilha de que a falta do pai pode gerar crianças problemáticas”, define a coordenadora Mariana Azevedo.

Aumento da licença-paternidade em debate

A expansão da licença-paternidade de cinco para 30 dias ainda está em discussão no país. Mesmo em passos curtos, há projetos em curso no Senado e na Câmara para mudar a legislação. Positivamente, algumas empresas já beneficiam seus funcionários com o recesso. Dono da fanpage Paternato, o publicitário Rogério Colantuono é o exemplo vivo disso quando sua mulher foi vítima de depressão pós-parto há cerca de dois anos. Na época, a empresa na qual ele trabalhava o beneficiou para se dedicar integralmente à família. “Após o período de quase 1 mês em casa, voltei a trabalhar por 1 semana e depois coincidiu de ser o recesso de fim de ano, em que tive mais 10 dias de folga. Foi fundamental, porque pude dar o suporte emocional e operacional que a minha esposa e meu filho precisavam”, ele avalia.

Com cerca de 2 mil seguidores, a página Paternanto no Facebook aborda assuntos relevantes sobre o papel do homem no mundo. “A ideia nasceu da percepção de como a paternidade pode ser transformadora. Como pode empurrar o pai para uma vida mais completa, balanceada e com propósito", comenta o publicitário. 

No entanto, para Mariana Azevedo, coordenadora do Instituto Papai, a licença-paternidade não é o melhor método de socialização pai-filho. “Admitimos que o ideal é a licença-parental. O tempo é dividido entre o homem e a mulher. Esse é o modelo que gera mais igualdade. Se aumenta a licença-paternidade e a maternidade continua sendo de quatro meses, a diferença continua."

Já a psicanalista e diretora nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Giselle Groeninga, acredita que a extensão da licença-paternidade seja um ótimo começo, embora sinta falta de leis mais audaciosas no Brasil. “Não temos uma lei que cobre e puna os pais que não cumprem a responsabilidade em todos os sentidos”, lamenta. Para ela, acima de qualquer lei, o pai deve se concentrar em assumir as próprias responsabilidades. “Em geral se confunde a responsabilidade, quanto ao cuidado e convivência; com amor. E o argumento utilizado é que não se pode obrigar ninguém a amar. E o amor, se não existe antes, pode ser decorrência do relacionamento. Em resumo, ampliar direitos implica em ampliar a consciência dos deveres."

Felicidade de ser pai

Prestes a completar o segundo Dia dos Pais com Rafael, Rogério demonstra a paixão pelo filho em cada
detalhe. "Outro dia vimos 'Procurando Nemo' pela primeira vez. No momento em que pai e filho se reencontraram, no desenho, Rafael ficou completamente preso, olhou para mim e para a minha esposa com os olhos mareados. Todo emocionado, ele cruzou a sala correndo e veio nos abraçar forte, gostoso, cúmplice. Foi quando eu entendi que todo esse sentimento que me move em torno da paternidade é sim recíproco", conta Rogério.

Com vontade de ser pai novamente, ele avalia o papel do pai na sociedade. “Um bom pai não é o homem que se dedica 100% ao filho, é o que se dedica muito à família, porque sabe que o equilíbrio emocional da criação passa necessariamente por responsabilidades e funções familiares, emocional, pessoal e profissional. E isso é chave para garantir que o filho esteja cercado por um ambiente saudável, positivo, construtivo e estimulante."

Nossos entrevistados falam sobre a importância de ser pai:

Mariana Azevedo, coordenadora Instituto Papai

- Tentar se inserir na vida cotidiana, no dia a dia;
- Não ter medo de aprender novas habilidades;
- Pensar no processo que é ter e educar um filho desde a concepção.

Giselle Groeninga, psicanalista

- O grande desafio hoje é a igualdade (nos direitos e deveres de mães e pais);
- Quem exerce a função paterna representa os limites e as alternativas;
- Não existe mais grande diferença. O homem se envolve na vida familiar.

Rogério Colantuono, pai e responsável pela página Paternato

- O bom pai é o homem que assume o filho com responsabilidade e prazer;
- O bom pai não vê o filho como um peso ou uma perda, mas como um ganho e uma adição a sua vida;
- E que curte e se diverte muito no caminho.

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