Psicologia Infantil

27/02/2016 02:00 - Atualizado em 06/12/2016 03:46

Palmada: Descubra se o castigo pode prejudicar o seu filho

Suécia foi o primeiro país a proibir as palmadas, em 1979.

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Redação

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Há quem diga que os jovens de hoje são muito mimados e que os pais atuais não os criam como antigamente. Quem defende esse ponto de vista geralmente é favorável à palmada, uma punição física aplicada a uma criança que não se comportou direito. Geralmente, afirmam que a pancada é “pedagógica”, com função de educar, não de ferir.

O dilema não é de hoje. O Antigo Testamento da Bíblia Sagrada, em Provérbios 23: 13-14, já dizia: “Não poupes ao menino a correção: se tu o castigares com a vara, ele não morrerá; castigando-o com a vara, salvarás sua vida da morada dos mortos.”

Acontece que, nos últimos anos, cada vez mais países têm proibido os castigos físicos a menores. Quem começou com isso foi a Suécia, uma das nações com maior índice de desenvolvimento humano do mundo, que incorporou a regra no seu código penal em 1979.

pai ameaça dar palmada em filho

Há quem observe o lado ruim da tendência. O psiquiatra sueco David Eberhard não defende a palmada, mas aponta no livro "Como as crianças chegaram ao poder" que a proibição foi o primeiro passo para que, no país, cada nova geração seja mais mal educada que a anterior.

Ainda assim, a maioria dos profissionais da Psicologia e da Psiquiatria critica a punição física. Ronald W. Pìes, psiquiatra e professor da SUNY Upstate Medical University, escrevendo para o site The Conversion, garante que há evidências claras de que os castigos cobram um preço sério para a saúde mental das crianças.

O artigo foi escrito em janeiro de 2016, depois de o senador americano Ted Cruz, pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, afirmar que usa o método da palmada na sua filha de 5 anos. Ao falar em evidências claras, Pies citou um estudo da Academia Americana de Pediatria, que examinou a relação entre punição corporal em crianças de 3 anos e seu subsequente comportamento agressivo.

Lei da Palmada no Brasil

No Brasil, em 2014 foi aprovada a Lei da Palmada, também conhecida como Lei Menino Bernardo. O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente, prevendo que os menores sejam educados sem castigos físicos, definidos como “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à criança ou ao adolescente”.

Além de Brasil e Suécia, dezenas de países proíbem esse castigo, como Portugal, Nova Zelândia e Tunísia. Nos Estados Unidos, há regras diferentes entre os estados da federação e vários não permitem a punição.

Quando a lei brasileira foi aprovada, muitos psicólogos se mostraram favoráveis à medida. Para Aurélio Melo, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, foi um fato positivo para coibir a violência.

“A Lei ‘Menino Bernardo’ não quer impedir que pais deem limites aos filhos, mas ser mais um instrumento social para proteger crianças e adolescentes de alguns pais que, de forma perversa ou ignorante, agridem em vez de proteger e educá-los”, opinou à época.

mãe não quer dar palmada em filho desobediente

Maioria das crianças já levou palmada

Em 2004, as pesquisadoras Lidia Natalia Dobrianskyj Weber, Ana Paula Viezzer e Olivia Justen Brandenburg, da Universidade Federal do Paraná, publicaram na revista Estudos de Psicologia o artigo "O uso de palmadas e surras como prática educativa".

As três fizeram uma pesquisa com 472 crianças e adolescentes da região metropolitana de Curitiba. Os resultados demonstraram que a maior parte dos entrevistados (60,2%) afirmou já ter recebido castigos físicos. A maioria (86,1%) disse já ter apanhado da mãe, enquanto 58,6% afirmaram já ter recebido surras do pai.

Mesmo entre psicólogos e psiquiatras que não enxergam na palmada moderada algo tão prejudicial, é consenso que a melhor maneira de educar uma criança é com muito diálogo e dando o exemplo.

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castigo
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