Psicologia Infantil

14/02/2016 07:00 - Atualizado em 22/11/2016 11:14

Combata a cultura do estupro com educação

Diálogo entre pais e filhos ainda é a melhor forma de modificar o cenário.

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Redação

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Não precisa muito para ser confrontado com a situação: basta ligar a TV ou ler comentários na internet. A sexualização infantil está por toda parte, o que também pode reforçar a cultura do estupro.

Para muitas pessoas, a culpa da violência sexual é da vítima. O comprimento da saia ou o tamanho do decote seriam suficientes para classificar a mulher como "perdida" ou "vagabunda". É por isso que questões como machismo e empoderamento feminino devem ser discutidas desde cedo com sua filha e, também, com seu filho.

menina grita por causa da cultura do estupro na tv

A "adultização" das crianças

A história é velha, mas segue valendo: o exemplo e o diálogo ainda são o melhor remédio para a criação dos filhos. Não adianta dizer algo e fazer o oposto. Tampouco fugir do problema funciona, especialmente quando ele é grave.

Embora a cultura do estupro tenha pautado discussões recentes, ela não deve encontrar força por muito tempo. É o que acredita a psicóloga Karina Todeschini Negri. De acordo com a profissional, a sociedade não aceita mais comportamentos como o visto no programa de televisão Master Chef Kids.

Na estreia do reality show, a menina Valentina, de 12 anos, foi vítima de comentários de adultos nas redes sociais. Alguns posts faziam insinuações sexuais.

A própria sociedade estimula esse comportamento, aponta a psicóloga. “As roupas para crianças, se observarmos, em geral são miniaturas das feitas para adultos. As músicas e as conversas que escutam também as colocam em situações de risco. Os pais precisam passar segurança e saber dizer não nessas situações”, alerta.

Segundo Karina, a influência cultural começa em casa. “A criança aprende desde que nasce e tudo influencia. Além disso, para muitos pais, é difícil abordar o assunto, mas é necessário”, reforça. E esse diálogo vale para meninas e meninos da mesma forma.

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Como mudar a cultura do estupro

O ideal é conversar sempre, mas como começar a falar sobre temas delicados? Conforme a psicóloga, não é necessário forçar uma conversa, especialmente entre os pequenos, mas sim aproveitar o gancho de casos como o da televisão para perguntar se a criança viu algo parecido na escola, ou o que acha daquilo tudo.

A abordagem, recomenda Karina, também deve ser feita de forma proporcional à idade. Desde pequeninos, é possível deixar claro que o corpo é apenas da criança e que ninguém deve tocá-la, por exemplo.

A psicóloga ainda lembra que, mesmo sem querer, brincadeiras com crianças mais velhas podem acabar estimulando comportamentos para fases mais avançadas, para as quais as menores ainda não estejam preparadas. “É natural, cada uma está em uma fase, não é que a maior esteja errada”, pondera.

Em relação à educação contra o machismo, o exemplo ainda é a melhor forma de educar. “Não adianta querer que a filha seja respeitada lá fora se dentro de casa a relação é outra”, lembra a psicóloga.

Muitas vezes, relata Karina, os pais tentam iniciar os filhos meninos nas tarefas domésticas, mas pecam no exemplo. “Dizem para o menino lavar a louça, mas o pai fica sentado vendo televisão, ou o pai faz certos comentários com amigos e as crianças escutam. É preciso ter modelos. A sociedade está mudando, sim, mas lentamente”, reflete.

Ainda é preciso lidar com a dureza da realidade. “A menina deve ser empoderada, saber que tem o direito de se vestir como quiser, mas ao mesmo tempo é dever dos pais proteger, então vai ser necessário falar sobre isso.”

O que você tem a dizer sobre a cultura do estupro? Deixe seu depoimento nos comentários! E aproveite para conferir outras dicas de bem-estar aqui no Vivo Mais Saudável.

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comportamento
empoderamento feminino
machismo
violência sexual

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