Psicologia Infantil

06/07/2015 02:15 - Atualizado em 26/10/2016 09:52

Atividades extracurriculares podem sobrecarregar a criança

Classes diversas podem contribuir para a formação dos pequenos, mas psicóloga reafirma a importância da brincadeira na infância.

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Redação

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Inglês, natação, balé, futebol. Cada vez mais, as atividades extracurriculares estão presentes na rotina das crianças. Mas o excesso de compromissos na agenda dos pequenos pode ter uma função contrária ao objetivo dos pais e, ao invés de capacitá-los, pode acabar apenas sobrecarregando-os.

Estabelecer um limite saudável entre obrigações e momentos de descontração é fundamental para o desenvolvimento físico e psicológico da criança. Andressa Andrioli da Rocha, psicóloga especializada em Psicologia da Criança e do Adolescente, esclarece dúvidas sobre a busca por esse equilíbrio.

atividades extracurriculares

Atividades extracurriculares devem ser avaliadas

Segundo Andressa, não existe uma resposta efetiva se as crianças devem ou não participar de atividades extracurriculares. Para ela, os pais precisam fazer uma reflexão a respeito. Questionamentos como quais são as atividades, o que a família busca com cada uma delas e o que a criança pensa a respeito disso são fundamentais para obter sucesso na escolha.

Juntamente com a decisão de inserir outros compromissos na rotina da criança, momentos de brincadeira devem ser mantidos. “O brincar proporciona que a criança se relacione com o outro e com o seu mundo interno, fantasiando, criando e permitindo a expressão de diversos sentimentos que, em muitos momentos, ela não consegue nomear através da fala”, explica Andressa.

A especialista comenta que, cada vez mais, em nossa sociedade, nos deparamos com dois tipos de infância: crianças que trabalham e, muitas vezes, se colocam em risco, e crianças que se comprometem muito cedo a diversas atividades durante o dia, em afazeres designados pelos adultos. “Nestes dois casos, são demandas e responsabilidades que podem sobrecarregá-las", diz. "Também as responsabilizam pelos seus atos como se fossem adultos”, completa.

Quando a família procura atividades para seus filhos, pensa em estimulá-los a desenvolver sua motricidade e cognição, buscando sempre o melhor. Para Andressa, no entanto, isso pode ser contraditório. "Existe uma necessidade desesperada de produzir seres ‘capacitados para o mundo do trabalho’ cada vez mais cedo”, comenta a psicóloga.

Uma busca desenfreada por desenvolver habilidades pode resultar em crianças com sintomas comportamentais negativos, como ansiedade, tristeza, irritabilidade, agressividade, rebeldia, perda de interesse nas atividades, diminuição da atenção e da concentração, entre outras.

Equilíbrio saudável nas atividades extracurriculares

É importante ressaltar que manter os pequenos ocupados não é algo ruim, desde que isso seja feito de maneira interessante e dosada. Responsabilidades e deveres contribuem para a conquista da disciplina, melhora as habilidades sociais e contribui para que a criança aprenda a administrar o tempo desde cedo.

No entanto, a psicóloga alerta para que a família fique atenta aos sinais da criança. “É significativo que ela tenha um tempo para poder brincar e se divertir sozinha e com seus amigos, sem ter um compromisso constante de ‘produzir’ algo para os adultos”, completa.

Outro cuidado importante é que os pais não procurem nas atividades extracurriculares uma maneira de preencher a sua ausência física e emocional. A participação ativa dos pais no dia a dia das crianças é essencial para um bom desenvolvimento.

Você concorda que o excesso de atividades extracurriculares pode refletir negativamente na fase da criança? Deixe um comentário! E se mantenha ligado nas novidades e dicas de orientação infantil no Vivo Mais Saudável.

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