Motivação

30/11/2015 06:00 - Atualizado em 01/12/2016 10:19

"Poderia ter chegado ao óbito", conta Fernanda Fahel sobre anorexia

A jornalista contou ao Vivo Mais Saudável o preconceito que sofreu, as dúvidas e o medo da morte por causa da anorexia.

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Redação

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Jornalista, 22 anos, bem casada e saudável. Fernanda Fahel hoje está de bem com a vida, mas por muitos anos sofreu com algo que não tinha o controle: anorexia. Livre da doença, a jovem conversou com o Vivo Mais Saudável e contou sobre preconceito, incentivo, tristeza e recuperação da anorexia. Confira o bate-papo com ela:

 

 

1. Quando você foi diagnosticada com anorexia?

A anorexia surgiu por conta de vários fatores. As causas que percebi com os anos de terapia são as diversas mudanças de escola, cidade e país, (Fernanda nasceu no Japão e hoje mora no ABC Paulista) forçando a minha adaptação a todos esses lugares novos, o que era muito difícil. Além disso, não conseguia fazer as amizades durarem e sempre me sentia excluída no início. Porém, digo que a gota d'água foi quando meu pai insinuou que eu estava gorda. Desde então passei a querer emagrecer cada vez mais.

2. A bulimia também esteve presente em sua vida, não é?

O primeiro tipo de bulimia surgiu quando me vi num beco sem saída. Eu fazia de tudo para me manter magra ou emagrecer ainda mais, mas como minha mãe percebia que eu estava doente, ela me forçava a comer. Com isso, acabei desenvolvendo a bulimia para colocar fora aquele pouco que eu comia. Quando passei a não ter controle sobre o que eu comia, a culpa chegou. Com a culpa, passei a utilizar esses métodos purgativos característicos da bulimia para compensar tudo o que comia. O problema é que a culpa não ia embora e acabou se tornando um vício.

Conheça a história de Mirian Bottan, ainda na luta contra a bulimia

3. O tratamento psicológico foi incentivado pela família ou você resolveu se tratar espontâneamente?

Comecei o tratamento aos 16 anos, impulsionado pela minha família. Minha mãe me levava ao nutricionista, ao psicólogo e ao psiquiatra e eu achava que enganava a todos. Para mim, eu não precisava de tratamento, acabava sendo ineficaz.

Aos 17 anos, eu aceitei o tratamento. Eu vi que algo estava errado e pedi socorro à minha família. A partir deste momento, começou a fazer efeito.

4. Na fase crítica você frequentava a escola, se divertia com os amigos, ou se isolou?

Na época da anorexia me isolava mais dos compromissos com os amigos e família, como saídas para restaurantes, etc. Mas ainda frequentava a escola, mesmo que tivessem épocas que eu não conseguia ir por não estar bem de saúde.

Já na época da compulsão alimentar, acabei me isolando mais, pois acabei sentindo vergonha do meu ganho de peso.

5. Houve ajuda familiar?

Minha família foi essencial nesta fase. Tenho consciência de que se eles não tivessem procurado um tratamento, eu poderia ter chegado a óbito. Eles me apoiaram de tal forma que fizeram o tratamento junto comigo, dialogaram muitos dias, foram persistentes, até eu aceitar a condição que eu estava.

6. Quando você percebeu que sua família e amigos eram a "chave" da sua recuperação? 

Eu sempre senti muita gratidão por eles. E percebi que estava perdendo o contato com eles ao passar por todo esse transtorno. Daí, então, tirei forças para superar a doença.

7. Você passou por algum tipo de preconceito?

Sim, acabei até sofrendo um cyberbullying. No ensino médio, alguns colegas criaram um blog onde publicavam fotos minhas insinuando a minha magreza, com características de que eu estava feia, só vestia roupa de criança e que logo eu ia morrer por causa disso.

8. Como surgiu a ideia de criar o blog "Despedida de Ana e Mia"? 

O blog surgiu no momento em que eu fiquei confiante que nunca mais teria alguma recaída. Pensei em fazer o blog, pois na época do transtorno alimentar não conheci ninguém que tivesse superado a doença para que eu pudesse ter esperança. As únicas coisas que eu via eram notícias de pessoas morrendo por causa da anorexia. Quando consegui vencer o transtorno, eu quiser ser ‘essa’ pessoa para quem está passando por isso. Quis mostrar que é possível, sim, se recuperar.

O nome veio porque no mundo da Internet, a anorexia é apelidada como “Ana” e a bulimia como “Mia”. Portanto, eu me despedi da Ana e da Mia.

9. Qual o momento mais crítico nesse processo?

Foi quando as consequências começam a aparecer. Meus cabelos caíram, minhas unhas não cresciam, minha pele ficava roxa, pois eu tinha hipotermia, então por mais calor que estivesse, eu sentia muito frio. Tive amenorreia (ausência de menstruação) e acabei desenvolvendo hipoglicemia. Não tinha mais força para viver.

10. Você ainda sofre de anorexia?

Não. Desde os 17 anos não tenho anorexia, e desde os 19 não tenho mais compulsão.

11. Tem medo de alguma recaída?

Hoje não tenho mais medo. Posso dizer com confiança que os transtornos alimentares não me pertencem mais e nunca mais retornarão.

12. O que você aprendeu com a doença?

Sempre falo para as pessoas valorizarem suas qualidades, esquecerem as comparações, tolerar os erros e se perdoar, se afastar de pessoas que te põem para baixo e se aproximar das que te querem bem, ser mais otimista e esquecer a "perfeição", pois ela não existe. Cada um é perfeito da forma que é!

O que você achou da história da Fernanda Fahel? Deixe seu comentário.

Mande sua história de superação para gente. Ela pode ser a próxima aqui no Vivo Mais Saudável.

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anorexia
bulimia
história de superação
hipoglicemia
depressão

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