Motivação

08/07/2015 11:07 - Atualizado em 02/12/2016 04:16

No Dia Mundial da Alegria, conheça o trabalho dos Doutores da Alegria

"Eu não pretendo que a poesia seja um antídoto para sua dor, mas sim um alívio, como quem tira os sapatos e dá um passeio na relva, porque as máquinas um dia viram sucata, a poesia nunca."

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Redação

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1. O que é o Doutores da Alegria e de onde surgiu a ideia?

O Doutores da Alegria é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que há 23 anos promove as relações humanas e qualifica a experiência de internação em hospitais de São Paulo, Recife e do Rio de Janeiro. Fundada por Wellington Nogueira em 1991, a ONG foi inspirada no trabalho do Clown Care Unit, de Michael Christensen, diretor do Big Apple Circus de Nova York. Wellington integrou a trupe de palhaços em 1988, satirizando as rotinas médicas e hospitalares mais conhecidas. Ao retornar ao Brasil, decidiu implantar um programa semelhante, tendo como base o resgate do lado saudável da vida. Por isso, todos os seus projetos se utilizam da arte para potencializar as relações.

2. Quais atividades a organização realiza?

A organização nasceu com o programa de Palhaços Besteirologistas, que atuam nos hospitais de São Paulo e Recife, que ultrapassou a marca de 1 milhão de visitas a crianças hospitalizadas, seus acompanhantes e profissionais de saúde.

Com base nesta experiência, a Escola dos Doutores da Alegria se vale de princípios do palhaço – o jogo, o olhar, a escuta, o aprendizado mútuo – para atuar na formação de públicos diversos em todo o território nacional, desde voluntários de grupos semelhantes a profissionais que queiram exercitar a criatividade.

Entre as iniciativas da Escola, destaca-se o Programa de Formação de Palhaço para Jovens, que permite que jovens de 17 a 23 anos, oriundos de comunidades populares, iniciem uma carreira artística voltada para a linguagem do palhaço. O curso já formou cerca de 200 jovens.

A organização desenvolve ainda programas que ampliam o acesso à cultura, como o Projeto Plateias Hospitalares, que realiza curadoria de uma ampla e permanente programação artística gratuita em hospitais públicos do Estado do Rio de Janeiro. E todo o conteúdo artístico produzido pelos palhaços, a partir do encontro com pacientes, é apresentado em teatros e em intervenções em empresas.

Doutores da Alegria é a única organização no mundo que evoluiu do trabalho no hospital para atividades que também priorizam a formação, a pesquisa e a geração de conteúdo para a sociedade. Por sua atuação pioneira no país em benefício à saúde pública, foi certificada e reconhecida internacionalmente.

3. Por que o clown como base do trabalho?

No início do trabalho do Doutores da Alegria, os hospitais brasileiros tinham uma estrutura diferente do que vemos hoje – não havia, por exemplo, diferenciação entre a ala infantil e a ala adulta. A proposta de levar um palhaço para dentro do hospital era muito inovadora porque a ideia que as pessoas tinham era a do palhaço de circo, acostumado a lidar com grandes plateias. Wellington Nogueira, fundador da ONG, tinha certeza de que a implantação nos hospitais traria resultados se o artista fosse inserido no ambiente hospitalar como integrante do quadro profissional, e não como um visitante, com um trabalho pontual em uma data comemorativa.

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4. Quem são os palhaços?

A atuação é gratuita para o hospital e para o público – crianças hospitalizadas, seus pais ou acompanhantes e profissionais de saúde–, mas o trabalho não é voluntário.

Tanto os palhaços (artistas profissionais), que atuam em São Paulo e no Recife, quanto os grupos artísticos que circulam nos hospitais do Rio de Janeiro recebem remuneração de acordo com o trabalho. Quando necessário, cada unidade do Doutores da Alegria realiza processos seletivos para garantir a continuidade e a expansão do trabalho nos hospitais de São Paulo e Recife. Já os artistas do Rio de Janeiro, são selecionados por editais lançados todos os anos.

Acreditamos que este investimento é fundamental para a atuação no hospital: tempo (constância e continuidade das visitas), preparo ético e qualidade artística. 

5. Já fizeram quantas visitas hospitalares?

Desde sua criação, a ONG já realizou mais de 1 milhão de visitas a crianças e adultos hospitalizados, seus acompanhantes e profissionais de saúde, em hospitais municipais e estaduais de São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. Em 2014, foram realizadas mais de 180 mil visitas.

6. O que mais motiva a continuidade do Doutores da Alegria e por quê?

Após 23 anos de atuação e, principalmente, com tudo que se aprende nos hospitais, Doutores da Alegria tem a expectativa de manter diálogo constante trazendo discussões sobre responsabilidade social nas esferas pública e privada e políticas públicas para a Saúde e a Arte.

Leia mais sobre Motivação e inspire-se a compartilhar o que faz bem!

7. Conte um momento marcante para o grupo.

No Plateias Hospitalares, no Rio de Janeiro, podemos destacar um caso emocionante com uma paciente no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, durante um cortejo itinerante da Companhia de Teatro Íntimo, com a apresentação denominada Poesia ao Pé do Ouvido, que visita os hospitais levando músicas e poesias aos pacientes.

Quando os artistas terminaram sua apresentação em um dos quartos deste hospital, uma paciente se levantou e começou a questionar o que eles estavam fazendo ali, se sabiam que todos os pacientes estavam passando por um momento complicado, de dor, de sofrimento. Durante um breve momento, todos os artistas ficaram em silêncio, pois não esperavam essa reação, até que um deles, gentilmente, declamou a seguinte poesia:

"Eu não pretendo que a poesia seja um antídoto para sua dor, mas sim um alívio, como quem tira os sapatos e dá um passeio na relva, porque as máquinas um dia viram sucata, a poesia nunca!”

Depois de escutar a resposta do artista, e ficar um tempo em silêncio, a paciente abriu um grande sorriso e se permitiu contagiar pela alegria do Cortejo.

8. Como a ONG se mantém?

O trabalho da ONG, gratuito para os hospitais, é mantido por recursos financeiros obtidos através de patrocínio, doações de empresas e pessoas e por meio de atividades que geram recursos, como palestras e parcerias com empresas.

 9. No Dia Mundial da Alegria, que mensagem deixar?

Nestes 23 anos de atuação, ficou mais que comprovado, para nós, o quanto a alegria é capaz de transformar ambientes e estimular relações saudáveis.

Assim, o Doutores da Alegria decidiu buscar mais e mais maneiras de ampliar o alcance de nossa missão, utilizando tudo o que aprendemos nos hospitais. Esperamos que, como pingos n’água, nossas iniciativas gerem ondas em círculos cada vez mais abrangentes que carreguem em si a cultura da alegria, que nada mais é que a convicção de que é possível e necessário cultivar o bom humor, a gentileza e a leveza até nas situações mais desafiadoras do nosso dia a dia.

Este é um momento privilegiado de mudança, onde cada um de nós pode ter a oportunidade de criar novas formas de relação com a vida. É um país grande e precisamos gerar a mais sustentável das energias: a alegria!

Você tem alguma História de Superação que pode motivar outras pessoas?

Conte aqui pra gente! Ela pode virar matéria aqui no Vivo Mais Saudável.

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