Motivação

28/09/2015 06:00 - Atualizado em 04/12/2016 03:19

"Aprendi a lidar com a indiferença", conta Walter Martins sobre o preconceito racial

O indígena Walter Martins conta como lidou com o preconceito racial.

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Redação

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Walter Martins, de 34 anos, é respeitado no ambiente de trabalho, em casa, na vida social, uma vitória para quem sofreu discriminação racial durante grande parte da vida. Formado em psicologia, o mato-grossense lembra a infância difícil ao lado dos pais e de onze irmãos. O pai era caseiro de uma fazenda, enquanto a mãe, indígena, se desdobrava como empregada doméstica para sustentar toda a família. Um trabalho digno, mas nem sempre respeitado pela sociedade, que os insultavam de bugre, sujo, indígena.

Palavras duras que na época passavam despercebidas para uma criança que sonhava com um futuro promissor. “As pessoas nos chamavam de burros, bugre e olhavam a gente com cara feia, mas nunca fomos sujos, minha mãe sempre cuidou bem da gente. Como eu era criança não dava muita importância”, lembra.

Preconceito na universidade

Sempre rodeado de livros, Walter tinha o sonho de entrar na universidade. A oportunidade chegou em 2000 quando a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) abriu bolsas de estudos aos indígenas. Aprovado pela universidade, estudava de dia, enquanto a noite trabalhava como garçom. O transporte para a universidade era de bicicleta, motivo de discriminação por grande parte dos alunos. “A maioria chegava de carro, e eu de bicicleta, eles diziam que eu era pobre e fazia curso de elite. Alguns colegas questionavam minha capacidade e inteligência por ser pobre, como se eu devesse ser ignorante.”

"Fazer uma faculdade faz toda diferença"

Ao contar sua história para o Vivo Mais Saudável, Walter recorda sem mágoa o quanto foi prejudicado pelo preconceito, mas aprendeu a lidar com a diferença. “Percebi que pelo fato de ter uma faculdade faz toda a diferença, passo ainda pelo preconceito, mas é mascarado, eu não ligo. Tenho amizades com pessoas de outras etnias e frequento lugares conhecidos pela sociedade. Depois de muitos anos, aprendi a lidar com a indiferença. Sou um cara muito feliz."

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história de superação
comunidade indígena
preconceito racial

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