Amor e Sexo

07/08/2015 12:46 - Atualizado em 04/12/2016 12:56

Saiba por que estimular a sexualidade na terceira idade

Preconceito em torno do tema pode acarretar até mesmo implicações psicológicas.

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Redação

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O médico residente pergunta a uma paciente de 63 anos se ela ainda tem relações sexuais com o marido. Recebe como resposta outra pergunta: "mas por que 'ainda'"? O residente fica vermelho e atrapalhado, como a maioria dos jovens e até mesmo os próprios idosos ficam quando o assunto é sexualidade na terceira idade.

O relato acima consta do livro Sexualidade, Menopausa, Andropausa e Disfunção Erétil no Envelhecimento, lançado no ano passado por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

sexualidade na terceira idade casal de roupao

Velhice assexuada?

Mais grave até que questões físicas comuns nessa fase da vida, como a disfunção erétil e a redução da lubrificação vaginal, é a falta de abertura para falar sobre o tema, o que acarreta em implicações psicológicas prejudiciais à qualidade de vida na velhice.

Conforme o geriatra Newton Terra, diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUCRS e um dos autores do livro, a sexualidade na terceira idade é cercada por uma forte questão cultural, que produz sentidos sobre essa fase da vida como uma fase “assexuada”.

“Existem, inclusive, diferenças entre a forma como a sexualidade do idoso e da idosa é encarada por filhos e netos, o que também reflete questões culturais da nossa sociedade, que assimila de uma maneira a virilidade masculina e de outra bem diferente o desejo feminino”, pontua Terra.

Esse preconceito prejudica até mesmo a geração de dados sobre a sexualidade na terceira idade. O geriatra lembra de uma pesquisa sobre o perfil do idoso no Rio Grande do Sul em que 30% dos entrevistados pediram para pular a pergunta sobre sexualidade.

sexualidade na terceira idade idoso falando no ouvido da idosa

Lidando com a sexualidade na terceira idade

Newton Terra explica que muitas faculdades de medicina têm buscado abordar a importância de incluir perguntas a respeito da sexualidade na anamnese de idosos com naturalidade, até porque, em geral, eles têm dificuldades de falar a respeito com os mais jovens, por medo de serem vistos como “pervertidos”.

Nesse sentido, o livro organizado pelos pesquisadores da PUCRS foi editado em forma de perguntas e respostas, contemplando curiosidades que os idosos têm, mas têm vergonha de perguntar, desde como melhorar o desempenho sexual na velhice até como fazer sexo sem penetração, já que a ereção não é de qualidade. Preocupações com a Aids também entram em pauta.

As respostas dos especialistas passam por questões mais amplas, como a compreensão da sexualidade não restrita somente ao ato sexual em si. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) dissemina a ideia de que a sexualidade tem a ver também com intimidade e afeto.

Dessa forma, a sexualidade na terceira idade pode ser estimulada não só por meio de tratamentos para a disfunção erétil e atos complementares - como a masturbação e o sexo oral -, mas também com auxílio de técnicas de relaxamento e memórias sexuais. Tudo depende da disposição e da harmonia do casal.

Por fim, os médicos destacam que a sexualidade faz parte de um estilo de vida saudável em qualquer fase da vida, e, especialmente na terceira idade, o desempenho sexual pode ser beneficiado pela prática regular de atividades físicas, pois melhora as condições cardiopulmonares.

O que você acha sobre esse assunto? Deixe sua opinião nos comentários! E aproveite para conferir mais dicas de saúde e bem-estar aqui no Vivo Mais Saudável.

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vida sexual
sexo sem penetração
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