Amor e Sexo

12/08/2015 09:00 - Atualizado em 03/12/2016 09:33

Revolução sexual: estamos realmente satisfeitos com as nossas escolhas?

Sexólogo afirma que ainda tem muita gente "dentro do armário" sendo infeliz e deixando o parceiro insatisfeito.

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Cláudia Giúza Mercier

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O Vivo Mais Saudável convidou o médico e sexólogo Gérson Lopes para falar sobre sexo nos dias atuais. Será que toda a modernidade e liberdade sexual que temos visto, principalmente na internet, têm refletido no comportamento entre as quatro paredes? 

Temos vivido uma "Revolução Sexual"? Por que tantas mulheres não conseguem chegar ao orgasmo? A competitividade é um dos principais motivos da disfunção erétil? O especialista nos explica sobre esses e outros questionamentos que permeiam a vida de todos nós. 

A era da "insatisfação" sexual

VMS: Temos vivido uma revolução sexual?

Gérson Lopes: Em termos históricos há duas revoluções sexuais bem definidas. A “Revolução Sexual Feminina” com o advento da pílula contraceptiva na década de 60, que permitiu a mulher desvincular prazer da reprodução. E uma “Revolução Sexual Masculina” com o surgimento de outra “pílula” do prazer, que seria o Viagra, no final da década de 1990.

Estaríamos agora vivendo uma “Revolução Sexual do Casal”? Ou se faz necessário antes a descoberta da “pílula” do prazer feminino? Infelizmente o que permeia a sexualidade na contemporaneidade é o sexo, o desempenho, e neste caso gostaria que uma revolução sexual viesse a desmitificar isso. Porém sei, como dizia Einstein: “É mais fácil quebrar um átomo, que quebrar um mito.”

VMS: O que tem contribuído para que as pessoas falem mais sobre sexo e se assumam sexualmente?

Gérson Lopes: Ainda percebo que muita gente tem falado mais que na intimidade toleram. Sem dúvida as pessoas têm assumido mais a sua orientação sexual, no caso da homossexualidade, por exemplo. Porém, há muita gente ainda “escondida no armário”, particularmente nos grotões rurais. Em função da família ou dos “conceitos sociais”, optam por serem infelizes e acabam gerando infelicidade nos parceiros quando tentam esconder sua homossexualidade.

VMS: As pessoas estão "mais à vontade" para falar sobre o assunto ou sexo ainda é um tabu?
Falar sobre sexo é o que mais se vê hoje. Sexo não é mais tabu. Porém o discurso ainda está muito distante da prática. Parece que na intimidade do casal guarda ainda uma imagem sacrossanta, além da desigualdade de gênero que outrora era muito forte. Talvez questões religiosas e machismo ainda muito presentes dificultam o fluir natural da vida sexual do casal.

VMS: Essa abertura sexual exibida na mídia e na internet tem sido levada para a cama?
Gérson Lopes: Sim, devagar, as mudanças têm acontecido quase a passos de caracol. Em um primeiro momento a TV foi o veículo mais importante e hoje com certeza é a internet.

VMS: Por que tanta gente tem falado de sexo, mas paradoxalmente, outras tantas têm se queixado da falta de realização sexual?
Gérson Lopes: Falar e o conhecer sobre o sexo é importante, porém a realização sexual perpassa estes aspectos. Por outro lado, sexualidade não é qualidade de pessoa e sim de interação entre pessoas.

VMS: A vida moderna e competitiva atrapalha a vida sexual?
Gérson Lopes: Sim. No mundo atual a exigência de performance tem refletido na vida sexual, e a competitividade acaba por atrapalhar mais ainda. Sexualidade é brincadeira, é prazer, é alegria, não é apenas ereção, coito, gozo. Sexualidade é qualidade, não é quantidade. Quem faz sexo e erroneamente diz que faz amor foca apenas no resultado, ao passo que o fazer amor é colocar o foco no processo, na entrega, na relação. A sociedade de hoje infelizmente é exageradamente focada em resultados e não em processos. A travessia e a “viagem” devem ser vistas tão ou mais importantes do que o local aonde se chega.

VMS: As mulheres têm se preocupado com o corpo como nunca, mas muitas reclamam que não sabem ao menos o que é um orgasmo. Existe uma saída para esse dilema?
Gérson Lopes: Infelizmente a preocupação de muitas mulheres é com a estética do corpo e não com seu erotismo. Não sabem que todo corpo é erógeno e é fundamental que ela o conheça, para poder dizer ao seu parceiro as áreas de sua preferência (não estéticas, e sim, eróticas). Conhecer pode facilitar e muito o prazer.

VMS: Quais são as principais queixas que chegam ao seu consultório?
Gérson Lopes:Entre os homens jovens é a ejaculação precoce, já os mais maduros têm problemas de disfunção erétil. Entre as mulheres jovens, a disfunção do orgasmo. O que assombra muitas mulheres maduras é a disfunção do desejo sexual.

VMS: Como esses pacientes chegam até você?
Gérson Lopes: Pelo fato de ter publicado muitos livros na área médica e psicológica, o maior encaminhamento vem de profissionais, particularmente, urologistas e ginecologistas. Cada vez mais recebo clientes encaminhados por ex-clientes, mostrando que há uma abertura maior de modo que quem já buscou ajuda, não tem vergonha de falar ao outro.

VMS: Alguns especialistas afirmam que somos todos bissexuais. Isso procede?
Gérson Lopes: Acredito que não. Sabemos sim, que entre homossexuais e heterossexuais exclusivos há um número grande de pessoas que mesmo sendo homo têm algum desejo hetero e vice-versa. A famosa escala de Alfred Kinsey, elaborada em 1948, e válida até hoje. Ela mostra sete níveis de orientação sexual além dos exclusivos homo e exclusivos heterossexuais. Bissexual não é aquela pessoa hetero que por questão econômica, social ou outra qualquer, tem uma relação com pessoa do mesmo sexo. Ou ela é homo e por questões iguais à anterior, tem uma relação sexual com alguém de sexo diferente. Nestes casos, podem se falar em conduta bissexual, ao passo que, bissexualidade traduziria a meu ver em desejos iguais por ambos os sexos.

Você se sente realizado sexualmente? Não deixe de nos contar o que você achou do artigo! E lembre-se que você sempre encontra novas dicas de amor e sexo aqui no Vivo Mais Saudável.

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sexo
sexualidade
homossexualidade
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