Amor e Sexo

02/06/2015 05:33 - Atualizado em 07/12/2016 11:39

O poder legítimo de viver um amor sem preconceito. Conheça um caso real

"Vivemos uma relação legítima sem armários nem gavetas. A omissão só aumenta o preconceito."

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Cláudia Giúza Mercier

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Para o “Dia dos Namorados” o Vivo Mais Saudável preparou um especial com histórias de amor que merecem ser contadas para o mundo inteiro. Conheça um pouco sobre o encontro do Gil e Leon. Um mineiro e um baiano que acreditam que o amor é a maior arma contra o preconceito.

Tudo começou em 2010, quando o advogado e cientista político Leon Victor de Queiroz Barbosa, 35 anos, saiu para encontrar uns amigos na noite belo-horizontina. Ele estava na capital mineira para fazer um módulo do seu doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais, onde também ocupava um posto como professor substituto.

O jovem nasceu no interior da Bahia, mas foi ainda criança morar em Recife e decidiu se mudar da capital pernambucana para viver novas experiências. Apesar de sempre buscar relacionamentos sérios, Leon jamais imaginaria que naquela noite encontraria “o dono do sorriso de dentes brancos que reluziam sob a luz negra e que acelerou meu coração.”

O rapaz sorridente era Gilmar de Oliveira Souza, o Gil, jovem publicitário mineiro que diz ter ido para a balada somente para se divertir. “Eu estava sem nenhuma pretensão. Engraçado, são nessas horas que as coisas realmente acontecem. Saí para curtir a festa e acabei encontrando o amor da minha vida”, relembra.

Leon conta que ficou um pouco inseguro de se aproximar, mas foi surpreendido pela iniciativa de Gil. “Eu que cheguei perto, mas fiquei sem saber o que fazer porque não era uma balada exclusivamente gay, então ele podia ser hétero. Começamos a dançar e ele tomou a iniciativa de me beijar. Até hoje eu lembro da sensação de paz que aquele momento me propiciou”, recorda.

Amor sem preconceito

Eles afirmam que o apoio da família foi fundamental para que eles se assumissem gays. Ao contrário de Leon, Gil ainda não tinha falado com os pais sobre a sua orientação sexual quando conheceu o parceiro.

Criado numa tradicional família mineira, Gil relembra que “esperava conhecer alguém especial e queria de certa forma estar formado e independente. Todos me surpreenderam de forma tão positiva que me arrependo de não ter dito antes."

A preocupação da minha família era no sentido de ‘o que os outros iriam pensar’ ou se isso poderia trazer algum sofrimento na minha vida, mas aos poucos fomos mostrando que o que importa é o que a gente realmente é, fomos desmistificando alguns estereótipos.”

A mãe de Leon foi a primeira pessoa a saber que ele é gay, mas que com o tempo ele foi contando para a família e amigos. “Eles foram extraordinários. Após o choque, me acolheram e me apoiaram em todas as escolhas. Meu pai foi fundamental para que eu pudesse me estabelecer em Belo Horizonte. Acho que esse foi o maior presente que ele já deu, além de ser um exemplo pra mim”, relembra.

Após um tempo de relacionamento, Gil apresentou Leon para a família que o recebeu “muitíssimo bem.” “Minha sogra é inacreditável. Me senti amparado com carinho de mãe durante o período em que morei em BH.” 

Aos poucos o casal começou a construir a relação, e, quando Leon percebeu, “ a metade do meu guarda-roupa já estava tomado pelas roupas dele e já compartilhávamos os mesmos sapatos, risos.” No ano passado, os dois se mudaram para Recife onde planejam se casar.

Legitimidade

O casal aguarda que a lei mude para que o casamento seja legitimado como o garantido para os casais heterossexuais. “Eu faço questão da Certidão de Casamento. Não aceito declaração de nenhum tipo. Estamos esperando esse Congresso conservador fazer algum movimento para validar o Direito que a Constituição nos deu, operacionalizado pelo STJ (que decidiu a favor do casamento entre duas mulheres), STF (que reconheceu a união homoafetivas) e CNJ (que determinou todos os cartórios tratar igualitariamente casais homossexuais quando da habilitação e demais procedimentos relativos ao casamento civil)”, explica Leon, advogado e doutor em Ciências Políticas.

Eles planejam aumentar a família e sonham em adotar uma criança. “Isso já é um assunto recorrente. Apesar de querer, sei que ainda vai levar uns cinco anos para nos planejarmos de forma a poder proporcionar o melhor pra essa criança que será muito amada por nós e por toda a nossa família”, afirma Gil.

O casal diz ter acostumado com as piadinhas sem graça feitas por pessoas preconceituosas, mas que a saída encontrada por eles é resolver esse tipo de situação com elegância. “Na verdade, o que lemos na internet nos incomoda muito mais. No mundo virtual a sensação de impotência é grande”, lamenta Leon.

Os dois contam que celebram o amor não só no “Dia dos Namorados”, mas em todos os outros dias do ano e listam o que mais um admira no outro. “É difícil dizer o que eu mais gosto”, explica Gil. “Ele é extremamente cativante, carinhoso, ético, sério, confidente, transparente. O que mais me orgulha é forma com a qual construímos nossa relação.”

Leon confidencia que são inúmeras as qualidades do amado, mas pontua algumas delas. “A primeira é a doçura. Vamos combinar né? Tem povo mais doce e cativante que o mineiro? A segunda é a transparência. Não temos segredos um com o outro. A terceira é a coragem. Vejo amigos meus não se assumem. O Gil topou viver uma relação legítima sem armários nem gavetas. Acho que é fundamental para se quebrar o preconceito, viver legitimamente exercendo a cidadania e demonstrando quem se ama. A omissão só alimenta o preconceito.”

E você? Vive uma relação onde o amor superou o preconceito? Compartilhe com a gente! E continue acompanhando o Vivo Mais Saudável para conhecer outras histórias como essa. 

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