Esporte

06/11/2015 10:38 - Atualizado em 26/11/2016 09:34

Judoca com Síndrome de Down é o primeiro paulista a receber faixa preta

Felippe Reis foi graduado pela Confederação Brasileira de Judô em evento realizado no interior de São Paulo.

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Cláudia Giúza Mercier

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O Vivo Mais Saudável foi conhecer o judoca paulista Felippe Reis, 23 anos, e encontrou uma lição de vida. Na última semana, Felippe foi graduado à faixa preta.

Essa seria somente mais uma história de determinação de um campeão, mas as lutas do jovem sempre foram dentro e fora do tatame. Além do título reconhecido pela Federação Paulista de Judô, ele se tornou o primeiro judoca faixa preta com Síndrome de Down do Estado de São Paulo.

Luta pela inclusão

O próximo desafio traçado por Felippe Reis é ler um livro sozinho, como nos contou a sua mãe. Emocionada, Sandra Reis disse que apesar de todos os esforços o filho ainda não foi alfabetizado. Ele nasceu em 1992, época em que o país começava a discutir metas e leis para a inclusão.

Apesar de achar válido e necessário, Sandra relata que no caso do filho o sistema de inclusão não funcionou. “Sofremos muito, ele pulou de escola em escola por muito tempo, até chegar em um instituto de ensino que incentiva a autonomia do aluno. O método até deu certo, mas não o suficiente.” Além de Felippe, ela é mãe de Karoline, 26 anos, Rogério Junior, com 22, e acaba de ganhar uma netinha. Isabella, que nasceu na semana passada, data em que o seu tio Felippe se tornou faixa preta no judô. 

O valor do esporte

Por incentivo de um professor de educação física da filha mais velha, Sandra matriculou Felippe e o caçula no judô. Depois de um tempo, o pai das crianças também começou a praticar o esporte, o que os incentivou ainda mais. “O pai teve muito mérito na aquisição da faixa preta do Fe. Falo sempre que o judô ajudou a educar meus filhos e a moldar o caráter deles. Além do benefício físico, principalmente para as pessoas com Síndrome de Down, o judô trabalha disciplina e reforça o valor da família”, afirma Sandra.

Vencendo o preconceito

Sandra Reis relembra as dificuldades e preconceitos enfrentados pelo filho com Down. “Durante a infância ele ficava doente com muita facilidade, teve sete pneumonias e depois dessa situação passou a perder cabelo, teve alopecia areata de fundo emocional. Posso falar que quando ele ainda era pequeno isso chamava mais atenção do que a síndrome em si. Eu sentia muitos ‘olhares de piedade’. Esse tipo de comportamento ainda me incomoda. Hoje com 23 anos a careca dele é uma charme. Alto, forte, lutador, ele faz muito sucesso com as mulheres”, diz orgulhosa.

Um novo olhar sobre a Síndrome de Down

Fisioterapeuta de formação, Sandra Reis descobriu na fotografia uma paixão e fez disso a sua profissão. Ela conta que começou fotografando as apresentações de dança da filha e quando percebeu já estava repleta de clientes e cada vez mais ausente em casa. “O Fe começou a sofrer por eu não estar por perto. Decidi colocar uma câmera na mão dele e passei a levá-lo comigo para fotografar espetáculos de dança e shows. Não é que o menino foi gostando da coisa!”, comemora Sandra.

Galera do Click

Em 2013, Sandra resolveu fazer um calendário com outras pessoas com Síndrome de Down. O objetivo era produzir um presente de fim de ano, mas a iniciativa virou uma instituição, a “Galera do Click”, que atualmente atende 59 alunos.

“Faço com que eles sintam prazer em captar imagens e depois vou introduzindo a teoria. Cada um aprendendo no seu tempo. O objetivo do projeto é fazer com que eles se sintam valorizados. Acho a fotografia uma excelente ferramenta de inclusão”, explica.

O encontro das duas artes

Através do “Galera do Click”, Felippe foi descoberto por um professor e coordenador do projeto “Judô para Todos”, sediado no Rio de Janeiro. O jovem foi convidado para competir em dois campeonatos internacionais.

O primeiro em Ravena, na Itália, onde conquistou a medalha de bronze e depois na Holanda, sendo consagrado campeão. Ele também foi atleta suplente da “Special Olympics”, representando a seleção brasileira, mas não chegou a viajar para Los Angeles, onde aconteceu a disputa. 

No meio deste ano, o judoca participou de uma apresentação para o ator austro-americano Arnold Schwarzenegger durante o evento “Arnold Classic”, realizado no Rio de Janeiro. “Ele assiste aos filmes do Arnold e fala para todo mundo que eles são amigos”, conta a mãe de Felippe.

Palavras de um campeão

Fizemos também algumas perguntas para o campeão Felippe Reis que fez questão de nos contar um pouquinho sobre a sua vida e como se sentiu ao receber a faixa preta. “Fiquei muito feliz e emocionado. Meu irmão Rogério chorou e disse que é meu fã. Eu também chorei e fiquei muito feliz. Minha irmã e minha mãe choraram emocionadas e minha sobrinha (recém-nascida) chorou porque queria mamar”, comemorou o judoca.

Mas a historia desse judoca-campeão não para por aqui. “Eu quero viajar e representar o Brasil em outros países, ganhar medalhas e troféus. Quero ajudar a minha mãe e dar aula de judô para os meus amigos.” Por falar em amizade, ele aproveitou a entrevista para mandar um abraço ao seu ídolo, o ator Arnold Schwarzenegger. No judô, suas inspirações são o irmão Rogério Reis e o ex-judoca Flávio Canto.

Gostou da história de superação do Felippe? Deixe seu comentário. Mande também sua história para gente. Ela pode ser a próxima no Vivo Mais Saudável. 

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faixa preta

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