Esporte

20/02/2016 11:00 - Atualizado em 09/12/2016 12:59

Dominar artes marciais ajuda na defesa pessoal?

Preparação psicológica é fundamental para saber como agir em uma situação de risco.

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Redação

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A sensação de insegurança que sentem os brasileiros nas grandes cidades, com a criminalidade crescente, só faz aumentar a procura por cursos de artes marciais para garantir a defesa pessoal em situações de risco. Mas você sabe como o conhecimento de técnicas de combate pode ajudar?

O termo arte marcial, de origem latina, faz referência a Marte, deus romano da guerra. Se originalmente designava as técnicas utilizadas em batalhas, hoje o termo é aplicado para se referir a métodos de combate corporal, geralmente sem o uso de armas. As diferenças deles para uma briga de rua são justamente os sistemas pré-definidos de golpes e de desenvolvimento físico e mental.

alunos de artes marciais

Artes marciais exigem preparação psicológica

Quem já viu duas pessoas praticando artes marciais - como muay thai, jiu-jitsu, judô, caratê, kung fu e taekwondo, algumas das mais conhecidas - deve achar que aprender golpes é a saída para estar mais protegido nas ruas.

Mas não é essa a opinião de especialistas da área. Para Ricardo Nakayama, diretor técnico nacional da Sotai, escola que desenvolveu métodos próprios de defesa pessoal, um curso regular de artes marciais não oferece a preparação psicológica necessária para enfrentar uma situação de risco. Segundo ele, essa falta de preparo pode ocasionar respostas negativas.

Nakayama dá dois exemplos: o “congelamento” - quando, em um momento de surpresa, a vítima não consegue obedecer ao comando do bandido - e a “ativação biomecânica descoordenada” - quando a pessoa reage de maneira imprudente por não conseguir controlar seus pensamentos. As duas situações podem ser fatais para a vítima.

Mesmo quando não há reações negativas causadas por medo ou surpresa, uma pessoa que tem o domínio de uma arte marcial e se sente confiante também pode tomar uma atitude equivocada, como tentar dominar um bandido sem perceber que havia outro por perto. Nesse caso, o melhor seria tentar uma negociação.

Por isso, a recomendação é estudar um método como o Sotai. “Não se treina apenas a técnica, aprende-se a dominar a si mesmo, por meio do autocontrole e da disciplina, e a dominar o adversário com o estudo das melhores técnicas”, explica Nakayama.

O especialista acrescenta que a recomendação é sempre agir de modo preventivo e nunca reagir quando o marginal quer apenas bens materiais - somente quando há uma ameaça à vida da vítima.

Kombato é método focado na defesa pessoal

Em 1989, o mestre Paulo Albuquerque desenvolveu o Kombato, um sistema de defesa pessoal. Assim como Nakayama, ele acredita que o simples ensino de uma arte marcial não ajuda uma pessoa a se proteger nas ruas.

“Nos dias de hoje, apenas aprender defesa pessoal desarmada não é o suficiente, pois se deve saber quando reagir ou não, quando usar armas, negociação. Dessa forma, a melhor opção é o uso de uma ciência de proteção como o Kombato”, sugere Albuquerque.

O mestre ressalta que mesmo o domínio do krav maga, arte marcial israelense muito associada à defesa pessoal, não é o suficiente. Segundo ele, o aluno precisa aprender a avaliar o risco e conhecer o modus operandi a ser seguido em uma situação dessas.

Tanto Albuquerque quanto Nakayama notam um aumento na procura por cursos de defesa pessoal nos últimos anos. O criador do método Sotai observa uma mentalidade reativa - a pessoa é vítima de uma situação de violência antes de procurar o curso -, enquanto o mestre do Kombato credita o aumento no número de alunos a uma maior gravidade nos casos de violência.

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