Sem Lactose

26/06/2015 01:55 - Atualizado em 05/12/2016 03:02

Informação correta e clara nos rótulos! Mãe se emociona com norma para rotulagem dos alimentos

Com grande mobilização popular, Anvisa reconhece a importância de informações sobre a composição dos alimentos nas embalagens e inicia o processo de criação de regras de rotulagem para a indústria alimentícia.

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Redação

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Leia o emocionado depoimento de Jaqueline, mãe de Gabriel, de 5 anos, que tem alergia a proteína do leite, ovo, soja e peixe. Ela, junto com outras muitas mães, participou da mobilização #poenorotulo que conquistou grande apoio da sociedade e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 Jaqueline escreve emocionada:

“Dia 24 de junho de 2015, vai ficar para sempre na minha memória, a ansiedade era enorme.... Foi assistindo ao jornal, na hora do almoço, que recebo a tão esperada noticia: A proposta de norma de rotulagem de alergênicos foi aprovada por unanimidade em Brasília!

Esta é uma conquista muito importante pra quem convive com alergia alimentar.

Esperei muito por isso, a segurança de oferecer um alimento a meu filho Gabriel. Quantas vezes eu estava nos corredores dos mercados com vontade de chorar ao ler aquela ‘sopa de letrinhas’ que são os rótulos, que não especificam claramente quais ingredientes estão presentes na composição do alimento, como "LEITE", e usam outros termos, nomes científicos como caseína, caseinato, lactoalbumina (whey protein) em vez de palavras mais simples e diretas.

Para que todos entendam, a caseína, por exemplo, é a proteína do leite de vaca. Causa alergia e está presente em muitos produtos "sem lactose"! Isso leva o alérgico a consumir produtos sem ter conhecimento de que estes podem lhe fazer mal, por não compreender as denominações contidas nos rótulos.

Ligar para o SAC das indústrias significa uma espera de incontáveis minutos e a resposta quase sempre não é satisfatória para quem tem restrições alimentares. Muitos rótulos dizem "não tem leite ou soja ou ovos....", mas para quem tem restrição é preciso saber se há traços dos ingredientes, se aquele alimento compartilhou do mesmo maquinário de outros alimentos com presença dos ingredientes alergênicos.

Já esperei meses por um e-mail de resposta de SAC. Uma vez, comprei um produto que não dizia no rótulo que continha leite e o Gabriel teve reações alérgicas (dermatite, dores abdominais, diarreia...). Não tinha leite na composição, porém o produto tinha traços de leite por compartilhar maquinários na hora da produção, isso não estava no rótulo.

Como medida de segurança, eu já não dou nenhum produto a meu filho sem antes confirmar a composição com o SAC. Se eu não tenho respostas claras, não compro. Para não colocar a saúde do Gabriel em risco, pela falta de informação nos rótulos, abri mão do mercado de trabalho e fui para cozinha aprender a fazer tudo que uma criança gosta com testes de substituições de ingredientes em receitas.

Essa conquista de informações claras nos rótulos é muito mais que um direito para nós consumidores alérgicos ou não. Afinal, temos o direito de saber o que estamos consumindo... é respeito, é saúde, qualidade de vida!!!!

Só quem passa por essas situações no dia a dia, sabe o tamanho dessa conquista, o que ela realmente significa para cada família de alérgicos alimentares!!! Isso é muito mais do que lutar por um direito, é conscientizar a população não-alérgica para a necessidade da rotulagem correta de substâncias alergênicas. Conscientizar sobre as alergias que muitas pessoas nem se quer sabem que existem e que podem ser a razão de tantos problemas de saúde.

Quantas crianças, até mesmo adultos alérgicos podem ter reações graves, choques anafiláticos, edemas de glote por falta de informações?"

Sonho que se sonha junto!

Essa luta é de todas as mães de alérgicos alimentares, bravamente representadas pela equipe do #poenorotulo, coordenado por: Ana Maria Melo, Cecilia Cury, Clarissa Tambelli de Oliveira, Daniela Souza, Fernanda Mainier Hack, Inês A. Luna Martins, Karina Campo, Mariana Claudino e Priscilla Tavares.

O movimento Põe no Rótulo foi criado em fevereiro de 2014 para garantir o direito à informação sobre a composição dos produtos alimentícios. Segundo o diretor da Agência, Renato Porto, foi a primeira vez que os consumidores foram à Anvisa pedir por uma norma.

As indústrias alimentícias terão que fazer a rotulagem correta de substâncias alergênicas presentes nos alimentos, como: trigo, leite, soja, ovo, peixe, crustáceos, amendoim, oleaginosas, etc.

O Vivo Mais Saudável, que defende uma alimentação cada vez mais natural e saudável, conversou com Cecilia Cury advogada que representou o movimento #poenorotulo. Ela está radiante com a vitória, mas afirma que ainda há muito a fazer.

 1. Qual o sentimento com esta aprovação da Anvisa para norma de rotulagem dos alimentos?

A minha vontade é ouvir novamente a aprovação para transcrever (risos). Nós temos doze meses de adequação ainda pela frente e muitas providências para resolver nesse meio tempo. Estou muito feliz, mas nós só vamos comemorar mesmo apenas no ano que vem quando houver a publicação no Diário Oficial.

2. Você acha que a lei demorou muito tempo para ser aprovada?

Foi um tempo razoável porque permitiu bastante diálogo entre setor produtivo, consumidor e governo. Tivemos diversas reuniões, consulta e audiência públicas para ajustar todo o processo. Também é bom ressaltar que a Anvisa sempre reconheceu a importância da lei, mas a demora foi por causa dos trâmites legais.

3. Como a identificação de alérgicos estará disponível nos rótulos?

A linguagem será acessível ao consumidor, caixa alta, negrito, com letra nunca menor do que 2 milímetros e os rótulos deverão informar todos os elementos essenciais dos ingredientes presentes na composição.

4. A nova norma de rotulação também valerá para alimentos importados?

Valerá para produtos embalados na ausência do consumidor e os importados que seguem a mesma ideia. Não abrange fatiados da padaria, produtos de higiene, cosméticos e não chega nos restaurantes. A Anvisa reconheceu que estes temas estão pendentes de regulamentação e que já estão no horizonte deles.

5. A norma foi realizada por pressão popular. Como se formou a campanha?

Tudo começou com a união de mães que se encontraram nas redes sociais. Reuni todas as ideias delas e iniciamos o movimento depois que uma das mães decidiu postar a foto dos filhos com #poenorotulo.

6. Existem leis semelhantes em outros países?

Em pesquisas para minha tese de doutorado, comecei a identificar que EUA, Chile, países da Europa têm rótulos mais claros, o que me deu mais embasamento para a conversa com a Anvisa. Acredito que o Brasil tenha despertado para a importância do rótulo com o exemplo de outros países. Este foi um passo, com coragem, por peitar a Indústria. Estamos no caminho certo!

Acompanhe os próximos passos pelo site #poenorotulo.

 

Jaqueline, a mãe que escreveu o depoimento do início dessa matéria, você encontra aqui no Vivo Mais Saudável. Ela, que criou o grupo Alérgicos Saudáveis, compartilha com você as receitas já testadas na cozinha que o Gabriel super adora!

Veja o artigo dela de estreia com informação que faz bem:

Hipersensibilidade alimentar: Mãe compartilha descobertas

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