Alimentação Infantil

15/03/2016 05:00 - Atualizado em 01/12/2016 03:44

Publicidade infantil influencia hábitos alimentares

Propaganda é uma das principais causas dos transtornos alimentares, defende entidade.

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Redação

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Seu filho está acima do peso? O aumento do consumo de alimentos industrializados e o sedentarismo são apontados por muitos como as principais causas da obesidade dos pequenos. No entanto, esse transtorno alimentar pode ter mais um elemento causador: a publicidade infantil.

Ao menos é o que acredita o Instituto Alana, ONG que defende a garantia de condições para a vivência plena da infância. Segundo levantamento feito pela organização, 50% dos comerciais dirigidos às crianças são de alimentos e, desses, mais de 80% são de produtos não saudáveis, ricos em açúcares, sal ou gorduras.

“Pela primeira vez na História, um número crescente de crianças tem apresentado problemas de coração, respiração e diabetes tipo 2, todos relacionados à obesidade”, completa a coordenadora do Projeto Criança e Consumo, Isabella Henriques.

criança obesa vê publicidade infantil enquanto come porcaria

Publicidade infantil e obesidade

No Brasil, o percentual de crianças entre 5 e 9 anos com excesso de peso chega a 33,5%. Nos ainda mais jovens, esse percentual é de 7,3%. O levantamento é do Sistema Nacional de Indicadores em Direitos Humanos (SNIDH).

Outro levantamento ajuda a compreender a relação entre a publicidade infantil e a obesidade dos pequenos. De acordo com a a Associação Dietética Americana, a exposição das crianças por apenas 30 segundos aos comerciais de alimentos é capaz de influenciar suas escolhas alimentares.

Para o Alana, a lógica funciona como se alimentos ricos em sabor, porém pobres em nutrientes, não suprissem as necessidades do organismo; é como se a criança ficasse desnutrida se não se alimentasse. Por isso, ela sente mais fome e acaba comendo muito.

Isso, atrelado a alguns brindes promocionais - em que os pequenos passam a querer o lanche porque vem acompanhado de algum prêmio, e não porque comer é algo de que eles precisam para sobreviver -, é algo que resulta diretamente na elevada taxa de obesidade infantil no Brasil, defende a organização.

Comida não é brinquedo

A oferta de prêmios atrelados aos alimentos é tanta que algumas embalagens até lembram pacotes de presentes. Esse condicionamento, de acordo com a ONG, faz com que a criança tenda a associar à comida a ideia gratificante de que alguma recompensa virá junto.

Esse deslocamento de interesse de alimento para brinquedo também pode trazer outro prejuízo: a confusão dos valores afetivos, uma vez que a criança estará cedendo ao desejo de outro. E esse outro nem são seus pais, mas a figura lúdica de algum personagem famoso.

Nas mensagens, essas criaturas parecem ser mais amigas das crianças por brincarem com a comida e por estarem constantemente de acordo com elas. Esse é um cuidado educacional que os pais precisam ter.

mãe e filha fazem ovos de páscoa, alheias à publicidade infantil

Campanha de mães busca Páscoa natural

Buscando, de alguma forma, resgatar esse contato mais próximo com os filhos, um coletivo de mães intitulado Movimento Infância Livre do Consumismo (Milc) lançou a campanha De boa com a Páscoa.

O feriado que está chegando - acontece no próximo dia 27 de março - é também um grande alvo da publicidade infantil, que lança ovos de chocolate dos mais diversos personagens e sempre com um brinde junto. A ideia desse grupo de mães é reverter essa lógica e produzir, ao lado dos filhos, os seus próprios ovinhos.

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